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Mundo
Trump anuncia cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel
Publicado em 16/04/2026 1:36 - Semana On
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O governo dos EUA ameaçou novamente com uma possível escalada militar caso o Irã não mude sua posição no conflito atual. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (16) que Washington está preparado para manter o bloqueio naval e recorrer a ataques diretos contra infraestruturas iranianas essenciais. Ao mesmo tempo, deixa em aberto a possibilidade de uma solução diplomática.
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“Se o Irã tomar uma decisão errada, enfrentará um bloqueio e bombardeios contra sua infraestrutura, sua rede elétrica e suas instalações de energia”, declarou ele, acrescentando que os EUA estão “de olho neles”. O alto funcionário também instou o novo governo iraniano a “escolher com sabedoria”.
Washington está intensificando a pressão sobre Teerã com uma nova ofensiva econômica. A este respeito, o secretário de Defesa indicou que o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, lançou a Operação Fúria Econômica, concebida para aumentar ao máximo a pressão financeira sobre a República Islâmica.
Em relação ao bloqueio naval, o Departamento de Defesa explicou que a expansão será realizada por meio de “operações e atividades em outras áreas de responsabilidade”, como o Pacífico. “Perseguiremos ativamente qualquer embarcação com bandeira iraniana ou qualquer embarcação que tente fornecer apoio material ao Irã”, declararam.
O chefe do Pentágono também afirmou que a atual operação de bloqueio liderada pelos EUA continuará “enquanto for necessário” e a descreveu como eficaz. Ao mesmo tempo, sugeriu que o Irã ainda tem a opção de evitar uma escalada maior, optando por uma solução negociada. “Há uma alternativa […] eles podem escolher um futuro próspero”, declarou, referindo-se a um possível caminho diplomático.
Ainda na coletiva de imprensa, Pete Hegseth declarou que seu país está ciente das movimentações de recursos militares do Irã, em um claro aviso sobre os próximos passos que Teerã poderá tomar. “Sabemos quais recursos militares eles estão movimentando e para onde os estão movimentando”, disse.
Críticas à OTAN
O secretário de Guerra dos EUA ainda realizou críticas aos aliados de seu país na OTAN pela falta de cooperação e pela recusa em apoiar a ofensiva contra o Irã.
“Quando os tiros foram disparados e esses países eram mais necessários, eles não estavam lá. Eles não estavam ao nosso lado”, lamentou o chefe do Pentágono em um comunicado à imprensa. “Seus líderes não mobilizaram o que têm em suas marinhas”, acrescentou.
Anteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, também criticou a falta de apoio dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte na agressão contra a República Islâmica e seus esforços subsequentes para reabrir o Estreito de Ormuz.
“Vamos abrir o estreito, mesmo que não o usemos, porque há muitos outros países no mundo que o usam e têm medo, são fracos ou mesquinhos. Não sei o que está acontecendo, mas a OTAN não nos ajudou, é o que posso dizer”, declarou o presidente no último sábado (11).
Pressão internacional cresce
Em um movimento coordenado de pressão diplomática, ministros das Finanças de 11 países — sob liderança do Reino Unido — instaram, nesta quarta-feira, Estados Unidos, Israel e Irã a cumprirem integralmente o cessar-fogo firmado no início do mês. A iniciativa ocorre em meio a crescentes preocupações sobre os efeitos prolongados do conflito na economia global, mesmo em um cenário de resolução no curto prazo.
A manifestação conjunta foi formalizada um dia após o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisar para baixo suas projeções de crescimento mundial, citando diretamente os impactos da guerra. Além do Reino Unido, o documento reúne representantes de Austrália, Japão, Suécia, Holanda, Finlândia, Espanha, Noruega, Irlanda, Polônia e Nova Zelândia.
No texto, os ministros defendem a implementação plena do cessar-fogo por “todas as partes” envolvidas e classificam as perdas humanas decorrentes do conflito como inaceitáveis. O comunicado também destaca riscos sistêmicos associados à escalada das hostilidades, especialmente no Estreito de Hormuz, ponto estratégico para o transporte global de petróleo.
Segundo a avaliação conjunta, uma eventual intensificação do conflito — ou a persistência de instabilidades na região — pode gerar impactos significativos na segurança energética, interromper cadeias de suprimentos e ampliar a volatilidade nos mercados financeiros. Mesmo na hipótese de um acordo duradouro, os efeitos negativos sobre crescimento econômico, inflação e confiança dos investidores devem persistir, indicam os ministros.
A declaração foi divulgada durante as Reuniões de Primavera do FMI e do Banco Mundial, realizadas em Washington, e também evidencia a preocupação dos governos com a sustentabilidade fiscal. Após anos de aumento da dívida pública — impulsionado por medidas emergenciais adotadas durante a pandemia de Covid-19 e pela guerra na Ucrânia — os países sinalizam cautela na adoção de novos pacotes de apoio.
Nesse contexto, os ministros reafirmaram o compromisso com políticas fiscais responsáveis e fizeram um apelo contra práticas protecionistas. Entre as medidas rejeitadas estão controles de exportação considerados injustificados, formação de estoques estratégicos e restrições comerciais que possam agravar a disrupção nas cadeias globais, especialmente no setor de hidrocarbonetos.
A posição britânica ganha contornos políticos adicionais. A ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves, reiterou a necessidade de um cessar-fogo sustentável e alertou contra reações precipitadas que possam ampliar os custos econômicos para a população. A declaração ocorre dias após críticas públicas da ministra à condução da estratégia americana no conflito.
Do outro lado do Atlântico, Donald Trump elevou o tom ao criticar a decisão britânica de não participar da guerra. Em declarações recentes, Trump chegou a sugerir que o acordo comercial entre os dois países poderia ser revisto.
Apesar da pressão, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que não cederá às demandas de Washington para envolver o Reino Unido diretamente no conflito, reforçando a estratégia de distanciamento militar enquanto mantém atuação diplomática ativa.
O episódio evidencia não apenas os desdobramentos econômicos da guerra, mas também as fraturas políticas entre aliados históricos — em um cenário global já marcado por incertezas e crescente interdependência econômica.
Dez dias de cessar-fogo entre Líbano e Israel
Trump anunciou nesta quinta-feira (16) que um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Hezbollah entrará em vigor às 18h, pelo horário de Brasília. De acordo com o republicano, houve conversas com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente do Líbano, Joseph Aoun, em que ambos “concordaram” com a decisão.
“Acabei de ter conversas excelentes com o respeitado presidente Joseph Aoun, do Líbano, e com a primeira-ministra Bibi Netanyahu, de Israel”, escreveu o presidente norte-americano na plataforma Truth Social. “Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a PAZ entre seus países, iniciarão formalmente um CESSAR-fogo de 10 dias às 17h (horário do leste dos EUA)”.
A ligação ocorreu um dia depois de a Casa Branca ter sugerido uma “ligação direta” entre Aoun e Netanyahu. No entanto, o mandatário libanês teria recusado tal proposta, conforme um funcionário próximo às negociações.
Em publicação no Truth Social, Trump também afirmou ter instruído os altos funcionários norte-americanos, incluindo o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, a “trabalhar com Israel e Líbano para alcançar uma paz duradoura”.
“Foi uma honra resolver 9 guerras ao redor do mundo, e esta será a minha décima guerra, então vamos, TERMINAR!”, destacou.
Na plataforma X, o presidente libanês Joseph Aoun, por meio de seu gabinete, agradeceu o seu homólogo norte-americano pelos esforços para “garantir paz e estabilidade duradouras”.
“Ele desejava a continuidade desses esforços para conter o incêndio o mais rápido possível”, disse o comunicado. “Trump respondeu com seu apoio ao presidente Aoun e ao Líbano, e sua ênfase em seu compromisso em cumprir o pedido libanês de cessar-fogo o mais cedo possível”.
O governo de Israel abriu negociações diretas com o Líbano pela primeira vez desde 1993. A primeira rodada de negociações foi realizada nesta terça-feira (14/04) em Washington, mas sem incluir o Hezbollah. Na véspera da conversa diplomática, o regime sionista seguia atacando localidades do sul libanês, sob o pretexto combater o Hezbollah.
Netanyahu afirmou que o principal objetivo da conversa com Beirute é garantir “o desmantelamento do Hezbollah” e, “em segundo lugar, uma paz sustentável alcançada por meio da força”. O movimento de resistência libanês, por outro lado, se opõe às tratativas entre os governos.
Após a primeira rodada, na quarta-feira (15), o Hezbollah considerou que a decisão da gestão libanesa de negociar com Israel foi “um pecado nacional” que ampliaria as divisões no país. De acordo com Hassan Fadlallah, membro do Parlamento do movimento, a reunião não refletiu a identidade nacional nem “as escolhas de seu povo”.
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