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Mundo
Mais de 100 crianças já morreram de fome durante a limpeza étnica israelense
Publicado em 12/08/2025 1:30 - Semana On
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O cerco e os ataques israelenses à Faixa de Gaza já deixaram um rastro de devastação que a ONU classifica como inaceitável. A Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos (UNRWA) alertou que uma geração inteira está sendo “eliminada” pela fome e pela guerra. Pelo menos 222 pessoas, sendo 101 crianças, já morreram de inanição, segundo dados confirmados pela entidade. O apelo é claro: cessar-fogo imediato e entrada de ajuda humanitária em escala massiva.
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A contagem geral de corpos palestinos chega a 61.369 desde outubro de 2023, quando o ataque do Hamas matou 1.139 pessoas em Israel e fez 200 reféns. Desde então, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, a cada dia há registros de novas mortes por fome. Nas últimas 24 horas, 11 pessoas sucumbiram à inanição e outras 21 morreram tentando encontrar comida. O cerco, que impede a entrada de alimentos, água e medicamentos, já resultou em 212 mortes por fome — 98 delas de crianças.
O trabalho da imprensa também se tornou alvo direto. Um ataque de drone israelense contra uma tenda de jornalistas próxima ao hospital Al-Shifa matou seis profissionais da rede Al Jazeera, incluindo o repórter Anas al-Sharif. Com isso, sobe para 270 o número de jornalistas mortos no conflito, um recorde sombrio na história recente da cobertura de guerras. A Federação Internacional de Jornalistas e a União Europeia denunciaram o ataque como “deliberado” e exigiram proteção imediata a civis e profissionais de imprensa.
Segundo a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), “a liberdade de imprensa e a proteção a jornalistas são princípios inegociáveis, mesmo em tempo de guerra”. Em Gaza, funerais lotados de colegas e familiares revelam não apenas o luto, mas a mensagem de que a guerra também é travada contra a narrativa.
A geopolítica do cerco
O governo de Benjamin Netanyahu mantém a estratégia de avanço militar com o objetivo declarado de “eliminar o Hamas”, mas fontes diplomáticas e analistas políticos apontam que a ofensiva também serve a um cálculo pessoal e ideológico. “O cerco a Gaza cumpre um duplo objetivo: deslocar a população palestina e consolidar o controle territorial”, explica Rashid Khalidi, professor de História Moderna do Oriente Médio na Universidade de Columbia (The Hundred Years’ War on Palestine, 2020). Tal controle é frequentemente o passo inicial para anexações ou expansão de assentamentos, em linha com a agenda da coalizão ultraconservadora que sustenta Netanyahu.
Internamente, o primeiro-ministro enfrenta acusações de corrupção que podem levá-lo à prisão caso perca o poder. Para críticos, prolongar o conflito e manter o clima de guerra funciona como um escudo político. O preço é pago pela população palestina e, em menor escala, por famílias israelenses que aguardam a libertação de reféns — um impasse que Netanyahu não tem pressa em resolver.
Pressão e cumplicidade internacional
Apesar de críticas crescentes, inclusive de aliados históricos, Israel se mantém amparado por Washington. Publicamente, a Casa Branca adota um tom cauteloso, mas, nos bastidores, segue enviando armamentos, fornecendo cobertura diplomática e bloqueando resoluções das Nações Unidas que poderiam forçar uma trégua. “A ausência de um ultimato claro ao governo israelense não é neutralidade, é cumplicidade”, disse Kenneth Roth, ex-diretor executivo da Human Rights Watch.
A pressão internacional aumenta, com países da América Latina, Europa e África ameaçando reconhecer o Estado da Palestina — passo que poderia ter sido dado muito antes, sem a necessidade de um genocídio em andamento. No entanto, o alinhamento de Netanyahu com líderes da extrema-direita global, como Donald Trump, mantém a percepção, em Tel Aviv, de que há espaço para continuar o cerco sem consequências imediatas.
Nas ruas da Cidade de Gaza, a resistência não é apenas armada, mas simbólica. Moradores repetem o mesmo refrão ouvido por jornalistas desde o início do conflito: “Não há lugar seguro em Gaza, então não adianta ir para lugar nenhum.” Trata-se de um retrato cruel da geografia da guerra: para onde quer que fujam, o bombardeio e a fome chegam primeiro.
Enquanto isso, o tempo corre contra quem tem fome — e contra quem insiste em contar a história.
Julgamento de Netanyahu por corrupção será retomado em novembro
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, terá de comparecer três vezes por semana, a partir de novembro, no julgamento por suposta fraude e corrupção. O anúncio desta terça-feira (12) é do tribunal, que quer avançar com o processo após vários cancelamentos.
Um porta-voz judicial de Israel disse à agência de notícias espanhola EFE que a decisão dos juízes indica que a partir de 2 de novembro o julgamento será retomado em sessões marcadas, todas as semanas, de domingo a quarta-feira.
Acusado de suborno, fraude e abuso de confiança, Netanyahu será ouvido pelo tribunal nesses três desses dias.
No mês passado, o tribunal cancelou várias audiências de Netanyahu depois de o advogado do primeiro-ministro ter alegado problemas de saúde.
Os adiamentos também foram justificados pelos bombardeios israelenses contra a Síria, em julho, após confrontos entre as populações beduína e drusa na cidade síria de As-Suwayda.
No final de junho, os juízes suspenderam as sessões alegando preocupações diplomáticas e por motivos relacionados à “segurança nacional”, e depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter pedido a suspensão das audiências.
À época, Trump usou as redes sociais para classificar o processo judicial contra Netanyahu – iniciado em 2020 – como uma “caça às bruxas”.
Benjamin Netanyahu é o primeiro chefe de governo da história do Estado de Israel a ser processado no pleno exercício do cargo.
O tema central dos três casos é a forma como Netanyahu fomentou relações, para benefício pessoal e político, com magnatas que tinham influência sobre os principais meios de comunicação social.
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