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Mundo
Sionismo tenta calar a imprensa e esconder o genocídio em marcha na região
Publicado em 11/08/2025 1:43 - Semana On
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Com a confirmação, nesta segunda-feira (11), da morte de mais um profissional de imprensa na Faixa de Gaza, aumenta para seis o saldo de mortos em um bombardeio do Exército israelense no domingo (10), que atingiu uma tenda da imprensa na entrada de um hospital. A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou “com veemência e indignação os assassinatos reivindicados” por Israel, entre eles, o de Anas al Sharif, correspondente renomado da emissora Al Jazeera, classificado de “terrorista” pelo governo de Benjamin Netanyahu.
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O repórter Anas al Sharif, de 28 anos, era dos rostos mais conhecidos entre os correspondentes da Al Jazeera que cobriam diariamente o conflito em Gaza. O Exército israelense afirmou que ele foi o principal alvo do ataque, considerado um “terrorista” que “se fazia passar por jornalista”.
O Sindicato de Jornalistas Palestinos condenou o que chamou de “crime sangrento”. A RSF declarou estar “horrorizada” com a morte dos profissionais e acrescentou que Anas al Sharif era “a voz do sofrimento imposto por Israel aos palestinos de Gaza”. De acordo com a RSF, cerca de 200 jornalistas foram mortos no enclave palestino desde o início da guerra, há 22 meses.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Catar, onde fica baseada a emissora Al Jazeera, também denunciaram um “ataque deliberado” de Israel contra uma tenda usada por uma equipe da Al Jazeera na Cidade de Gaza. Entre os mortos, cinco eram funcionários da emissora.
Jornalistas condenam assassinatos
Um grupo de liberdade de imprensa e um especialista das Nações Unidas alertaram anteriormente que a vida de Al Sharif estava em perigo devido às suas reportagens em Gaza. A relatora especial da ONU, Irene Khan, tinha afirmado no mês passado que as alegações de Israel contra ele eram infundadas. Em outubro, quando Al Sharif foi acusado de pertencer ao Hamas, a Al Jazeera “rejeitou categoricamente a caracterização dos jornalistas como terroristas pelas forças de ocupação israelenses e denunciou o uso de provas forjadas”.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas, que em julho apelou à comunidade internacional para proteger Al Sharif, afirmou que Israel não apresentou quaisquer provas para sustentar as alegações contra ele.
“O padrão de Israel de rotular jornalistas como militantes sem fornecer provas levanta sérias questões sobre sua intenção e respeito pela liberdade de imprensa”, afirmou Sara Qudah, diretora do CPJ para o Oriente Médio e Norte da África.
Também o Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR) condenou o assassinato dos jornalistas da Al Jazeera por Israel e apelou aos profissionais da comunicação social dos Estados Unidos e de outros países para que se “solidarizem” com os colegas palestinos.
“A campanha contínua de assassinatos seletivos de jornalistas palestinos por parte de Israel é um crime de guerra, puro e simples”, afirmou o diretor executivo nacional do CAIR, Nihad Awad, em comunicado.
Para Awad, “o assassinato desses jornalistas da Al Jazeera não é um acidente ou um dano colateral — faz parte de uma política consistente e documentada de silenciar as vozes da comunicação social e esconder a verdade sobre o genocídio que Israel está cometendo em Gaza”.
Seis mortos em tenda da imprensa
Nesta segunda-feira foi confirmado o falecimento de Mohammed al Khaldi, um repórter fotográfico freelancer que colaborava ocasionalmente com mídias locais. Mohammed Abu Salmiya, diretor do hospital Al-Shifa, próximo de onde a tenda de imprensa estava montada, foi quem anunciou a morte do profissional.
O falecimento de Mohammed al Khaldi também foi confirmado pelo porta-voz da Defesa Civil da Faixa de Gaza, Mahmoud Bassal. “O fotojornalista Mohammed al Khaldi não resistiu aos ferimentos (…). Isso eleva para seis o número de vítimas desse ataque”, declarou à AFP.
A Al Jazeera havia anunciado anteriormente as mortes de dois jornalistas e três cinegrafistas. Além de Anas al Sharif e Mohammed al Khaldi, os outros profissionais de imprensa mortos são: o repórter Mohammed Qreiqeh e os cinegrafistas Ibrahim Zaher, Mohammed Noufal e Moamen Aliwa.
Com o bloqueio de Gaza, meios de comunicação de todo o mundo dependem da cobertura do conflito realizada por jornalistas palestinos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou um plano para autorizar que repórteres estrangeiros trabalhem dentro de Gaza acompanhados pelo Exército israelense, mas não definiu datas.
A imprensa internacional não tem autorização para trabalhar livremente na Faixa de Gaza desde o início da guerra com o Hamas. Apenas alguns veículos selecionados puderam raramente entrar na região acompanhados por membros do Exército israelense. Ainda assim, a produção de reportagens sempre esteve sujeita à rígida censura militar.
Funerais dos jornalistas da Al Jazeera
Os funerais dos cinco funcionários da emissora Al Jazeera ocorreram nesta segunda-feira no território palestino, ao mesmo tempo em que o governo israelense demonstra determinação em implementar um novo plano de operações no território palestino sitiado.
Dezenas de homens, alguns chorando e se consolando mutuamente, enterraram os corpos das vítimas nesta manhã no cemitério Cheikh Redouane, na Cidade de Gaza, segundo um videomaker da AFP.
No local do ataque, um muro branco crivado de estilhaços, colchões sujos de sangue no chão e ventiladores retorcidos testemunhavam o impacto do ataque na tenda da imprensa.
Tentativa de Israel de silenciar vozes
A Al Jazeera condenou “uma tentativa desesperada de silenciar as vozes que denunciam a ocupação” israelense. Segundo a emissora, dez de seus correspondentes foram mortos por Israel em Gaza desde o início da ofensiva, lançada em resposta ao ataque do grupo Hamas em 7 de outubro de 2023.
Em suas últimas mensagens nas redes sociais, na noite de domingo, pouco antes de morrer, Anas al Sharif relatava bombardeios “intensos” e publicou um vídeo curto mostrando explosões durante a noite em Gaza.
O Exército israelense afirma que Anas al Sharif “era líder de uma célula terrorista dentro do Hamas e responsável pela preparação de ataques com foguetes contra civis israelenses e tropas”. Israel publicou em suas redes sociais uma selfie do jornalista com líderes do Hamas, além de uma tabela que supostamente mostra nomes de membros do grupo, incluindo o nome do jornalista com salários correspondentes aos anos de 2013 e 2017.
Em julho, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) acusou o Exército israelense de conduzir “uma campanha de difamação” contra Anas al Sharif, e por apresentá-lo em mensagens online como membro do Hamas.
A transmissão da Al Jazeera está proibida em Israel. Os escritórios locais da emissora foram fechados em maio de 2024.
146 nações reconhecer Estado da Palestina
O primeiro-ministro da Austrália afirmou hoje que o governo vai reconhecer o Estado da Palestina durante a Assembleia Geral da ONU no próximo mês. O país se junta a outras 145 nações que planejam ou aderiram ao reconhecimento.
O primeiro-ministro australiano afirmou que a decisão vem como um impulso para interromper a violência no Oriente Médio. “Uma solução de dois Estados é a melhor esperança da humanidade quebrar o ciclo de violência no Oriente Médio e pôr fim ao conflito, ao sofrimento e à fome em Gaza”, disse Anthony Albanese.
Na declaração, o governo ainda afirmou que a Austrália fica mais motivada pelo o que definiu como “descaso do governo Netanyahu” em relação aos “apelos da comunidade internacional sobre o descumprimento de suas obrigações legais e éticas em Gaza”. “Israel é obrigado a proteger os civis e garantir o fornecimento de alimentos e suprimentos médicos. O deslocamento forçado permanente de civis é ilegal. As crianças palestinas merecem um futuro que não se parece em nada com a realidade atual.”
As posições internacionais acontecem após o governo de Netanyahu se ver cada vez mais pressionado por um cessar-fogo na região, principalmente após ele afirmar que Israel vai “tomar e ocupar militarmente toda a cidade de Gaza”, na última semana.
Países que compõe o grupo discutiram ontem, no Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, a situação em Gaza e a atuação em Israel. Pelo menos 145 dos 193 Estados que integram a ONU reconhecem ou planejam reconhecer a Palestina como Estado.
No final de julho, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que o governo francês pretende se posicionar pelo reconhecimento da Palestina em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, caso não ocorra um acordo de cessar-fogo. O grupo reúne as nações industrializadas mais avançadas do mundo. Depois, se seguiram à lista Reino Unido e Canadá sob as mesmas condições. Estados Unidos, Japão, Itália e Alemanha, outros membros do grupo, dizem que não irão seguir a mesma linha.
Após o início da guerra, Portugal, Noruega, Eslovênia, Irlanda, Espanha, Armênia e Malta também declararam intenção de reconhecer a Palestina.
Países sul-americanos já reconhecem desde o início dos anos 2000. Argentina, Bolívia, Equador, Brasil, Chile, Uruguai e Peru tomaram a iniciativa anos antes da guerra, em décadas anteriores.
Netanyahu assume que plano é limpeza étnica
Primeiro vieram as bombas e os mísseis. Depois, os fuzis. A escalada militar de Israel em Gaza aprofundou-se com a fome generalizada e relatos de execuções de civis que aguardavam distribuição de alimentos. Apesar disso, os palestinos não abandonaram suas terras, e o governo de Benjamin Netanyahu agora se prepara para a ocupação total do território, começando pelo controle da Cidade de Gaza.
A medida torna ainda mais distante a possibilidade de um cessar-fogo com o Hamas, aumentando o risco para dezenas de reféns israelenses sequestrados pelo grupo em seu ataque de 7 de outubro de 2023, que deixou 1.139 mortos. Em resposta, a ofensiva israelense já provocou a morte de 61.258 palestinos, segundo autoridades locais, além de milhares de desaparecidos. Organizações internacionais classificam as ações como crimes contra a humanidade.
O plano prevê a remoção forçada de palestinos que ainda permanecem em suas casas para campos de refugiados, onde seriam monitorados por militares israelenses. Só na Cidade de Gaza vivem cerca de 800 mil pessoas — população equivalente à de São Bernardo do Campo (SP) ou Duque de Caxias (RJ). Ao todo, o território abriga aproximadamente 2 milhões de habitantes, que já enfrentam colapso de infraestrutura, escassez de alimentos e surtos de doenças como cólera.
O governo israelense promete levar ajuda humanitária, mas, segundo críticos, o fornecimento segue insuficiente e condicionado a operações militares, com apoio dos Estados Unidos. A previsão é de agravamento da crise humanitária.
Netanyahu não demonstra pressa para encerrar a ofensiva, ao contrário das famílias dos reféns e da população de Gaza. O premiê busca preservar a coalizão de governo, que inclui políticos ultraconservadores favoráveis à “limpeza étnica” no território — com a expulsão de palestinos para o Egito, a Jordânia ou até o Mar Mediterrâneo. Analistas avaliam que, além de interesses estratégicos, o líder israelense também considera seu futuro político: fora do poder, ele enfrentará processos por corrupção e ataques à Justiça israelense que podem levá-lo à prisão.
No cenário internacional, o ex-presidente dos EUA Donald Trump reconhece a fome em Gaza, mas mantém apoio a Netanyahu e sanciona membros do Tribunal Penal Internacional que investigam o conflito. Já o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, posiciona-se contra a eficácia da ocupação de Gaza. Em Tel Aviv, protestos contra a guerra são reprimidos com jatos d’água, enquanto cresce o sentimento de que o conflito se tornou parte do cotidiano.
Aliados históricos como Reino Unido, França e Alemanha manifestam irritação, suspendendo ajuda militar ou ameaçando reconhecer a Palestina como Estado. Países como o Brasil articulam reuniões para denunciar o avanço das operações israelenses.
Segundo analistas, a pressão internacional só poderá surtir efeito quando a presença militar israelense em Gaza estiver consolidada, com novas colônias implantadas e os palestinos restantes vivendo em condições precárias em países vizinhos.
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