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Mundo
Vídeos desmontam versão oficial, revelam abuso de força e aprofundam crise democrática nos EUA
Publicado em 25/01/2026 8:59 - Semana On
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Os Estados Unidos ainda podem ser considerados uma democracia funcional? A pergunta deixou de ser retórica diante da naturalização da violência estatal promovida pelo governo Donald Trump. Em Minneapolis, a execução de mais um cidadão americano por agentes federais, seguida de desinformação oficial e intimidação política, expõe um padrão que ultrapassa o debate migratório e atinge o próprio núcleo do Estado de Direito.
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Análises independentes realizadas por veículos como a CNN e o The New York Times indicam que Alex Pretti foi morto por agentes do ICE sem estar armado no momento da abordagem, em Minneapolis. As imagens mostram que ele segurava apenas um celular quando foi alvejado por ao menos dez disparos, efetuados em um intervalo inferior a cinco segundos. O material audiovisual contradiz frontalmente a versão inicial do governo federal, segundo a qual Pretti teria ameaçado os agentes com uma arma de fogo.
Os vídeos revelam ainda que a suposta arma só aparece depois de Pretti já estar caído e imobilizado. Em uma das gravações, um agente retira um objeto da cintura da vítima enquanto outros o contêm no chão — sem qualquer registro de que o homem tenha apontado ou usado arma contra os policiais. Ainda assim, o governo insistiu na narrativa da “legítima defesa”, repetindo um roteiro conhecido de operações letais justificadas a posteriori.
O próprio Donald Trump contribuiu para a desinformação ao divulgar, em sua rede social Truth Social, a imagem da arma apreendida após a morte de Pretti. “Esta é a arma do atirador, carregada e pronta para uso”, escreveu o presidente, ignorando deliberadamente o conteúdo dos vídeos e as conclusões preliminares da imprensa. A publicação não apenas distorce os fatos como sinaliza apoio explícito à letalidade policial — um gesto incompatível com padrões democráticos mínimos.
Segundo o chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, ao menos dois agentes participaram dos disparos. Ele confirmou ao NYT que Pretti era cidadão americano, não possuía antecedentes criminais e tinha porte legal de arma — o que, por si só, torna ainda mais frágil a justificativa para o uso extremo da força. O Department of Homeland Security, por sua vez, reiterou que os agentes agiram para “proteger suas vidas”, apesar das evidências em sentido contrário.
Protestos, obstrução e silêncio federal
A morte de Pretti desencadeou protestos massivos em Minneapolis contra as operações federais de imigração. Centenas de pessoas ocuparam as ruas exigindo o fim das ações do ICE na cidade. O governador Tim Walz classificou o episódio como “repugnante” e defendeu o encerramento imediato da operação. O prefeito Jacob Frey foi ainda mais direto: “Quantos americanos mais precisam morrer ou se ferir gravemente para que essa operação acabe?”, questionou.
Autoridades locais também denunciaram obstrução por parte dos agentes federais. A promotora do condado de Hennepin, Mary Moriarty, afirmou que forças estaduais foram impedidas de acessar a cena do crime, comprometendo a preservação de provas. Em democracias funcionais, investigações independentes são regra; aqui, tornaram-se exceção.
A vítima que o governo tentou apagar
Os pais de Alex Pretti reagiram com indignação às declarações oficiais. Em nota à CNN, Michael e Susan Pretti acusaram a administração Trump de espalhar “mentiras repugnantes” sobre o filho. Enfermeiro, descrito como uma pessoa solidária e dedicada, Pretti trabalhou cuidando de veteranos internados na UTI do hospital de veteranos de Minneapolis. “Não uso o termo herói levianamente. Seu último ato foi proteger uma mulher”, afirmaram.
De Minneapolis ao Texas: a política do medo
O caso Pretti não é isolado. Menos de um mês antes, outra morte ligada à atuação federal já havia ocorrido na cidade. Em paralelo, imagens da detenção de Liam Conejo Ramos, uma criança de cinco anos, circularam o mundo como símbolo da brutalidade das operações do ICE. O menino foi apreendido durante uma ação migratória e levado a um centro de detenção no Texas, junto com o pai, enquanto a família denunciava versões contraditórias das autoridades.
Em 2025, mais de 9.500 equatorianos foram deportados dos Estados Unidos. O número ajuda a contextualizar a política de força adotada pelo governo Trump: não se trata apenas de imigração, mas de uma estratégia de intimidação sistemática, que transforma agentes do Estado em instrumentos de medo e desumanização.
Democracia sob fogo
Quando o Estado mata sem transparência, mente sobre os fatos, impede investigações independentes e conta com o endosso explícito do presidente, a pergunta inicial se impõe com ainda mais urgência: até que ponto os Estados Unidos seguem sendo uma democracia funcional? O caso Alex Pretti sugere que, sob a retórica da “segurança” e da “ordem”, o país avança perigosamente rumo à normalização da violência política — com vítimas que vão de imigrantes a cidadãos americanos comuns.
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