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Mundo
Número de crianças afetadas cresce, hospitais operam acima da capacidade: Brasil amplia apoio com equipes de resgate e tecnologia
Publicado em 28/06/2026 3:45 - Semana On
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A Venezuela enfrenta o agravamento da maior tragédia sísmica de sua história recente. O número de mortos provocados pelos terremotos que atingiram o país subiu para 1.450, após a confirmação de mais 20 vítimas nas últimas 24 horas. Além das mortes, os tremores deixaram 3.150 feridos atendidos em hospitais de La Guaira e de outros sete estados atingidos.
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Os dados foram divulgados pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, durante entrevista coletiva transmitida pela emissora estatal VTV. Segundo ele, 12.721 pessoas foram diretamente afetadas pelos desastres, enquanto as equipes de emergência concentram esforços tanto na busca por sobreviventes quanto na instalação de abrigos para famílias que perderam suas residências ou não podem retornar aos imóveis devido aos riscos estruturais.
“Estamos em horas cruciais para seguir resgatando vidas e para a edificação de acampamentos onde podem ficar as pessoas que perderam suas casas ou que não podem voltar a suas casas”, afirmou Rodríguez.
A resposta ao desastre mobiliza mais de 25 mil profissionais, entre militares, policiais, bombeiros, agentes da Defesa Civil e integrantes da Cruz Vermelha. Desse contingente, mais de 2.600 pertencem a missões internacionais enviadas para apoiar as operações de busca, resgate e assistência humanitária.
Segundo Rodríguez, a prioridade permanece o salvamento de sobreviventes. “Cada vida salva é um milagre e uma resposta ao esforço de milhares de pessoas”, declarou.
Os danos materiais também evidenciam a dimensão da tragédia. Levantamento oficial aponta que 774 edifícios sofreram impactos dos terremotos, sendo 189 completamente destruídos e outros 585 parcialmente comprometidos. A infraestrutura de saúde e comércio também foi severamente afetada: quase 40 hospitais e 44 centros comerciais registraram danos.
Dois terremotos em menos de um minuto ampliaram destruição
A sequência dos abalos explica parte da devastação observada nas regiões atingidas.
O primeiro terremoto, de magnitude 7,2, ocorreu na quarta-feira, com epicentro em San Felipe, a oeste de Caracas. Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que esse tremor pode ter aumentado a tensão em uma falha geológica localizada pouco mais de cinco quilômetros adiante.
Apenas 39 segundos depois, um segundo terremoto, ainda mais intenso, de magnitude 7,5, atingiu a mesma região. O abalo ocorreu em profundidade relativamente rasa, ampliando sua capacidade destrutiva, e foi sentido inclusive no norte do Brasil.
Especialistas apontam que o primeiro tremor já havia comprometido estruturas e fundações de edifícios. O segundo impacto provocou o colapso imediato de diversas construções, principalmente na capital, Caracas.
Crianças representam quase 40% da população afetada
A crise humanitária também preocupa organismos internacionais. Segundo o Unicef, pelo menos 1,8 milhão de pessoas foram afetadas pelos terremotos, das quais aproximadamente 680 mil são crianças, o equivalente a quase 40% do total.
Em alerta divulgado na quinta-feira, a agência das Nações Unidas informou que milhares de crianças permanecem sem acesso regular à água potável, enquanto hospitais e escolas sofreram danos significativos.
“O impacto da tragédia ainda está sendo dimensionado. Os hospitais estão operando acima de sua capacidade, milhares de crianças não têm acesso confiável à água potável e muitas escolas sofreram danos”, afirmou Manuel Rodríguez Pumarol, representante do Unicef na Venezuela.
Os prejuízos à rede hospitalar comprometem especialmente o atendimento de crianças e gestantes. Unidades de saúde em Caracas e nos estados de La Guaira, Carabobo, Aragua e Falcón registraram graves avarias e, em alguns casos, funcionam em situação considerada crítica.
Na educação, os impactos também são expressivos. Levantamentos preliminares mostram que 432 escolas do Distrito Capital — mais de um terço da rede local — sofreram algum tipo de dano estrutural. O número poderá aumentar à medida que novas inspeções forem concluídas em outras regiões do país.
Enquanto isso, escolas que permaneceram preservadas passaram a ser utilizadas como abrigos temporários para famílias desalojadas.
Para ampliar a assistência humanitária, o Unicef informou que reforçou sua atuação em parceria com o governo venezuelano, outras agências da ONU e organizações humanitárias. A operação prevê atendimento a cerca de 650 mil pessoas, entre elas 234 mil crianças, com ações nas áreas de saúde, nutrição, abastecimento de água, saneamento, proteção infantil e educação.
Como parte desse esforço, um avião transportando 20 toneladas de medicamentos e produtos de higiene desembarcou em Valência no dia 27 de junho, vindo do Panamá. Um segundo carregamento, enviado de Copenhague, deverá chegar nos próximos dias. Juntas, as remessas permitirão atender mais de 100 mil pessoas.
O Unicef estima que toda a resposta humanitária poderá custar até US$ 52 milhões, o equivalente a cerca de R$ 269,4 milhões. Até o momento, a agência destinou aproximadamente US$ 3,5 milhões para as ações emergenciais e lançou uma campanha de arrecadação no Brasil para ampliar o atendimento às vítimas.
Brasil reforça operação de ajuda humanitária
O governo brasileiro ampliou sua participação na resposta ao desastre por meio da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Até a sexta-feira, três aeronaves KC-390 Millennium haviam sido enviadas à Venezuela transportando especialistas de diversas áreas, cães farejadores, equipamentos para operações de busca e resgate e materiais destinados à instalação de um hospital de campanha.
Além da estrutura logística, técnicos da Anatel passaram a integrar a missão humanitária coordenada pelo governo brasileiro, em parceria com os ministérios das Comunicações e das Relações Exteriores.
A equipe utiliza equipamentos de monitoramento de espectro para identificar emissões de radiofrequência produzidas por aparelhos celulares nas áreas atingidas. A tecnologia permite indicar pontos onde ainda possam existir telefones ativos sob os escombros, auxiliando as equipes de salvamento na definição de áreas prioritárias para as buscas.
Segundo a agência, os equipamentos normalmente empregados na fiscalização das telecomunicações foram adaptados para a operação humanitária. A Anatel ressalta, entretanto, que o sistema atua apenas como apoio técnico e não substitui os protocolos tradicionais de busca e resgate adotados pelos socorristas.
A tecnologia já havia sido utilizada em emergências anteriores no Brasil, como nos deslizamentos de São Sebastião, no litoral paulista, em fevereiro de 2023, e nas operações realizadas em Minas Gerais após chuvas intensas registradas neste ano.
Em entrevista à GloboNews, o chefe da missão brasileira, Armin Braun, afirmou que a prioridade continua sendo localizar sobreviventes.
“A prioridade é encontrar pessoas com vida nos escombros”, afirmou. Segundo ele, sempre que há indícios de sobreviventes, as equipes iniciam uma operação cuidadosa para estabilizar as estruturas antes do resgate.
Braun também avaliou que a reconstrução completa da infraestrutura das áreas devastadas poderá levar um ano ou mais. Apesar disso, acredita que parte dos serviços essenciais poderá ser restabelecida nos próximos meses, embora tenha destacado a dimensão da destruição observada pelas equipes brasileiras.
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