Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Mundo
Sociedade dos EUA começa a reagir à onda antidemocrática
Publicado em 02/09/2025 10:54 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
Diante do avanço autoritário impulsionado por Donald Trump, setores da sociedade americana começam a se reorganizar para conter a ameaça à democracia. Ainda fragmentada e desigual, essa resistência emerge em um contexto de polarização profunda e crise existencial, em que o chamado “sonho americano” parece ruir de vez.
CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP
“A grande massa da população americana jamais teve de lutar pela democracia. Há, portanto, um desarranjo muito grande, mas também lentamente uma tentativa de organizar algum tipo de resistência”, afirma o jornalista Jamil Chade, que acaba de lançar seu novo livro, “Tomara que você seja deportado”.
Segundo ele, o projeto autoritário promovido pelo trumpismo foi rápido, bem articulado e visou diretamente o desmonte de instituições democráticas. A reação, por outro lado, ainda enfrenta dificuldades para se estruturar. Apesar disso, há sinais promissores vindos de diferentes setores, especialmente do sistema judiciário e de movimentos sociais que atuam na linha de frente na proteção de grupos vulneráveis — como LGBTQIA+, negros e imigrantes.
“Em uma das reuniões que participei em Connecticut, vi uma mobilização concreta. Não era só discurso ou live, mas uma estratégia de resgate imediato das potenciais vítimas do governo Trump. É uma tentativa real de proteger quem pode ser mais atingido”, relatou Chade, em entrevista ao UOL.
Crise do sonho americano
A análise do jornalista, detalhada em seu novo livro, traça um retrato sombrio do atual momento político dos Estados Unidos. A promessa de ascensão social e prosperidade — base histórica da identidade nacional americana — está sendo corroída por uma crescente desigualdade e pelo encolhimento da classe média.
“O sonho americano, que para muitos nunca passou de um mito, se desfaz agora de forma explícita. A pobreza se intensifica e a mobilidade social se reduz drasticamente, criando uma crise existencial que abriu espaço para que um populista como Trump se apresentasse como solução”, diz Chade.
O livro, que começou como um diário da campanha de Trump e do início de sua gestão, acaba se transformando em um retrato da radicalização política nos EUA. Para o jornalista, o trumpismo não é um fenômeno isolado: ele representa um projeto de extrema direita que permeia todos os setores da sociedade e instrumentaliza o ódio e a desinformação como armas políticas.
Um alerta global
O desmonte institucional promovido por Trump e a fragilidade das respostas institucionais nos EUA são, segundo Chade, um sinal de alerta para o restante do mundo. O prefácio do livro, escrito pelo cineasta Walter Salles, reforça essa ideia.
“Se nem nos Estados Unidos, onde as instituições são tidas como sólidas, as ameaças autoritárias são plenamente contidas, o que dizer de países ainda mais vulneráveis?”, questiona Chade.
Entre os episódios relatados no livro, destaca-se o encontro com o autodenominado “Viking do Capitólio”, um dos protagonistas da invasão ao Congresso americano em 6 de janeiro de 2021. Segundo o autor, o episódio simboliza o grau de desinformação, ressentimento e desilusão que alimenta a extrema direita americana.
Desigualdade como combustível do extremismo
Para além da conjuntura política, Jamil Chade aponta que as raízes do extremismo nos Estados Unidos estão na desigualdade social e na exclusão histórica de determinadas regiões e grupos. Em comunidades do sul do país e nas periferias urbanas, onde a democracia nunca se materializou de fato, o abandono cria terreno fértil para o discurso radical.
“É difícil convencer uma população que nunca foi beneficiada pela democracia a defendê-la. Se esses grupos se sentem traídos pela globalização e pelas elites, a promessa de ruptura feita por um charlatão soa mais convincente do que a manutenção de um sistema que os ignorou”, conclui o jornalista.
Com brasileiros e Greta Thunberg, flotilha se dirige com ajuda para Gaza
Deixe um comentário