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Mundo

Maduro tenta aproximação com Trump para evitar escalada da crise

Venezuelanos temem ação militar e onda de migração aumenta

Publicado em 02/01/2026 10:01 - Semana On

Divulgação Reprodução

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sinalizou uma possível reaproximação com os Estados Unidos ao propor “conversas sérias” com o presidente Donald Trump sobre o combate ao tráfico de drogas e ao oferecer acesso imediato das empresas norte-americanas ao petróleo venezuelano.

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Em entrevista gravada na véspera do Ano Novo e exibida pela televisão estatal na noite do dia 1º, Maduro afirmou que a Venezuela é um “país irmão” dos Estados Unidos e descreveu seu governo como amistoso. O presidente destacou ainda que, na última conversa entre ambos, em novembro, Trump teria reconhecido sua autoridade ao chamá-lo de “senhor presidente”.

A entrevista foi encenada em uma área militarizada de Caracas. Em um dos trechos, Maduro aparece dirigindo um carro, com o jornalista no banco do passageiro e a primeira-dama, Cilia Flores, no banco de trás. Analistas interpretaram a cena como uma tentativa de transmitir segurança em meio aos temores de uma ação militar dos EUA, especialmente após a redução das aparições públicas do presidente venezuelano nas últimas semanas.

O discurso marca uma inflexão no tom adotado por Maduro desde que Washington anunciou um reforço militar de grande escala no sul do Caribe. Trump acusa o líder venezuelano —a quem classifica como “ilegítimo”— de comandar um narcoestado e já ameaçou removê-lo do poder.

Maduro rejeita as acusações e sustenta que os Estados Unidos buscam destituí-lo para assumir o controle das extensas reservas de petróleo e dos depósitos de minerais estratégicos da Venezuela. Pouco antes do Natal, o presidente venezuelano havia adotado um tom mais duro, ao afirmar que, em eventual nova conversa, diria a Trump que “cada um deve cuidar de seus assuntos internos”.

Agora, a retórica mudou. “Para o povo dos Estados Unidos, digo o que sempre disse: a Venezuela é um país irmão, um governo amigo”, declarou. Segundo ele, Caracas está disposta a negociar acordos concretos contra o narcotráfico e a receber investimentos norte-americanos no setor energético. “Se quiserem falar seriamente sobre um acordo para combater o narcotráfico, estamos prontos. Se quiserem o petróleo da Venezuela, estamos prontos para aceitar investimentos dos EUA, como os da Chevron, quando, onde e como desejarem”, afirmou.

Medo de invasão impulsiona nova onda migratória

Enquanto o governo tenta ajustar o discurso externo, o temor de uma intervenção militar americana tem provocado uma nova onda de migração venezuelana. Nas últimas semanas, multiplicaram-se os relatos de uma saída “silenciosa” e preventiva do país, sobretudo em direção a nações da América Latina.

Dados da Plataforma Regional de Coordenação Interagencial para Refugiados e Migrantes da Venezuela (R4V) indicam aumento do fluxo migratório entre 2024 e maio de 2025 em quase toda a região. A Colômbia lidera como principal destino, com 2,8 milhões de venezuelanos, seguida por Peru (1,66 milhão) e Brasil (680 mil). No Cone Sul, a Argentina aparece como o país que mais recebe migrantes, com cerca de 171 mil.

O clima de medo aparece de forma recorrente nos relatos de ao menos 15 imigrantes ouvidos pela reportagem nas últimas semanas. As trajetórias variam —viagens de ônibus ou avião, com diferentes níveis de recursos e planejamento—, mas todas convergem para a mesma ruptura: a percepção de que uma escalada do conflito pode ter efeitos devastadores sobre a população civil.

A tensão aumentou após Trump anunciar, nesta semana, o que chamou de primeiro ataque terrestre na Venezuela desde o início da campanha militar contra o narcotráfico na América Latina. Segundo o presidente americano, a operação destruiu uma área de atracação de embarcações supostamente utilizada por traficantes. A ação, porém, ainda não foi confirmada oficialmente por autoridades militares ou de inteligência dos EUA.

O governo venezuelano não comentou diretamente o suposto ataque, mas afirmou que o país enfrenta, há meses, um cenário de “assédio, ameaças, ataques, perseguições, roubos, pirataria e assassinatos”, atribuídos à escalada da pressão externa.

Pirataria oficial patrocinada por Trump eleva pressão no Caribe


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