Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Mundo
Ministério das Relações Exteriores denuncia constantes violações do cessar fogo na região
Publicado em 28/04/2026 10:19 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou a morte de duas brasileiras — uma mulher e uma criança de 11 anos — em decorrência de um bombardeio israelense ocorrido no domingo (26), na cidade de Bint Jbeil, no sul do Líbano. As vítimas foram identificadas como Manal Jaafar e seu filho, Ali Ghassan Nader. No mesmo ataque, também morreram o marido de Manal, o libanês Ghassan Nader, e uma trabalhadora doméstica etíope. O único sobrevivente da família, filho mais velho do casal, foi hospitalizado e já recebeu alta.
SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAM, FACEBOOK, TIKTOK, X E WHATSAPP
Segundo relatos de parentes à imprensa, a família havia deixado a região no início da escalada do conflito, refugiando-se na capital, Beirute. Com a trégua temporária anunciada dias antes, decidiram retornar à residência para recuperar pertences, sobretudo roupas de inverno. O ataque ocorreu no momento em que se preparavam para deixar o imóvel.
O impacto do bombardeio foi devastador. De acordo com familiares, a casa de três andares onde viveram por anos foi completamente destruída. “Quebrou a casa inteira. Eles cresceram ali, e agora não têm mais nada”, afirmou um parente em entrevista à GloboNews, descrevendo a dimensão da destruição e a perda total do patrimônio da família.
Informações repassadas por familiares indicam que o corpo da criança já foi sepultado, enquanto os dos pais permaneciam sob os escombros até o momento dos relatos. O sobrevivente, embora mais velho que o irmão morto, não teve a idade divulgada.
O episódio ocorre em meio a um cenário de instabilidade na região, mesmo após o anúncio de extensão do cessar-fogo. Na sexta-feira (24), o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou a prorrogação da trégua entre Israel e Líbano por três semanas, após acordo firmado em 17 de abril no contexto de negociações envolvendo também o Irã. Apesar disso, no dia seguinte, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que intensificaria as operações militares no sul, alegando resposta a ataques atribuídos ao Hezbollah.
A morte dos brasileiros expõe a fragilidade da trégua e reforça a preocupação internacional com a escalada de violência em áreas civis, especialmente em regiões fronteiriças marcadas por confrontos recorrentes.
Em manifestação oficial posterior ao ataque, o Ministério das Relações Exteriores endureceu o tom ao classificar a ofensiva como mais um episódio de violação ao cessar-fogo anunciado em meados de abril. O comunicado descreve como “reiteradas e inaceitáveis” as infrações à trégua e afirma que o Brasil condena ações militares durante esse período, independentemente de autoria, citando tanto as forças israelenses quanto o Hezbollah.
Clique aqui e leia a íntegra da nota.
A nota também amplia o escopo da crítica ao mencionar a destruição contínua de infraestrutura civil no sul do Líbano. Segundo o Itamaraty, há um padrão de demolições de residências e outras estruturas, acompanhado pelo deslocamento forçado em larga escala da população libanesa — um quadro que, de acordo com o governo brasileiro, já atinge mais de um milhão de pessoas.
No mesmo documento, o Brasil sustenta que as sucessivas violações têm produzido um saldo crescente de vítimas civis, incluindo mulheres, crianças e profissionais ligados à imprensa, além de integrantes estrangeiros da força de paz da ONU destacada para a região. Diante desse cenário, o país reforça o apelo pelo cumprimento integral da resolução do Conselho de Segurança que regula o cessar-fogo desde 2006, defendendo a interrupção imediata das hostilidades e a retirada total das tropas israelenses do território libanês.
Até o momento, o governo de Israel não apresentou resposta pública às críticas brasileiras nem comentou oficialmente os desdobramentos recentes. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde do Líbano indicam que, desde o início da atual escalada de confrontos, no começo de março, mais de 2.500 pessoas morreram e milhões foram obrigadas a deixar suas casas, em um contexto de agravamento regional associado ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
SE FIZER SENTIDO PRA VOCÊ, APOIE O JORNALISMO DA SEMANA ON
Deixe um comentário