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Mundo

Israel ataca Irã e incita guerra total no Oriente Médio

Conivência norte-americana aponta para escalada da violência

Publicado em 13/06/2025 12:32 - Semana On

Divulgação Vahid Salemi/AP Photo

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Israel lançou, na madrugada desta sexta-feira (13), um ataque aéreo de grande escala contra o Irã, com o objetivo de enfraquecer o programa nuclear do país persa. A ofensiva deixou ao menos nove mortos — entre eles, três generais iranianos e seis cientistas nucleares — e provocou destruição em áreas civis, aumentando o temor de uma escalada militar generalizada no Oriente Médio.

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O ataque ocorre em meio às negociações nucleares entre Irã e EUA, iniciadas em abril e com uma nova rodada marcada para o próximo domingo — agora em risco de cancelamento. Antes da ofensiva, o presidente Donald Trump já havia se posicionado contra uma ação militar de Israel, por temer o colapso das conversas. Agora, analistas políticos apontam a conivência norte-americana com os israelenses, especialmente diante das declarações de Trump após os ataques (veja adiante).

Segundo o porta-voz do Exército israelense, Effie Defrin, mais de 200 aeronaves de combate participaram da operação, atingindo mais de 100 alvos em território iraniano, incluindo centros de comando, sistemas de defesa aérea e instalações de pesquisa nuclear.

Entre os mortos estão o general Mohammad Bagheri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã; o general Hossein Salami, comandante da Guarda Revolucionária; e o general Gholam Ali Rashid, responsável pela base aérea de Khatam al-Anbiya. Também foram mortos cientistas de alto escalão, como Fereydoun Abbasi, ex-chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, e Mohammad Mehdi Tehranchi, físico e ex-presidente da Universidade Islâmica Azad.

O ataque teve início por volta das 3h30 no horário local (21h em Brasília), com explosões registradas em Teerã e outras cidades. Áreas residenciais foram atingidas, deixando centenas de feridos e provocando a destruição de prédios civis, segundo relatos da imprensa local.

Retaliação iraniana e alerta regional

Em resposta imediata, o Irã lançou mais de 100 drones em direção ao território israelense. O Exército de Israel informou que todos os sistemas de defesa estão operando para neutralizar os ataques.

A escalada levou ambos os países a fecharem seus espaços aéreos, acompanhados por Jordânia e Iraque. Israel declarou estado de emergência nacional, suspendeu aulas, restringiu serviços não essenciais e orientou hospitais a interromperem atividades ambulatoriais. O Exército israelense começou a convocar dezenas de milhares de reservistas, em preparação para novos confrontos.

O que dizem os governos

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, justificou a ofensiva como uma medida preventiva contra a ameaça de um Irã nuclear. Em vídeo divulgado logo após os ataques, afirmou que a operação é parte de uma campanha contínua para desmantelar a capacidade de enriquecimento de urânio do regime iraniano.

“Atacamos a principal instalação de enriquecimento do Irã em Natanz. Eliminamos cientistas envolvidos na construção da bomba iraniana e danificamos o núcleo do programa de mísseis balísticos”, declarou Netanyahu. “A operação continuará por quantos dias forem necessários.”

Do lado iraniano, a reação foi imediata e contundente. O ministro do Exterior, Abbas Araqchi, classificou o bombardeio como um “ato de guerra” e defendeu o “direito legítimo” de resposta. O general Abolfazl Shekarchi, porta-voz das forças armadas iranianas, prometeu uma retaliação pesada: “Israel e os Estados Unidos receberão um golpe contundente”, afirmou.

Cresce o risco de conflito regional

A intensidade dos ataques e a retaliação imediata elevaram o nível de alerta na comunidade internacional. Analistas temem que o confronto direto entre Israel e Irã — ambos com amplo poderio militar — possa se transformar em um conflito regional de grandes proporções, envolvendo aliados e rivais dos dois lados.

Com a morte de figuras-chave do comando militar iraniano e a ofensiva direta contra a infraestrutura nuclear, o episódio marca uma nova etapa na rivalidade entre os dois países, com potencial para alterar o equilíbrio de forças no Oriente Médio.

Trump elogia ataque de Israel ao Irã e diz que “há mais por vir”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o ataque aéreo, classificando-o como “excelente” e sugerindo que novas ofensivas estão a caminho. A declaração foi feita em entrevista à ABC News e reforçada em publicações nas redes sociais.

“Acho que foi excelente. Demos a eles uma chance e não aproveitaram. Eles foram atingidos com força, muita força. E há mais por vir. Muito mais”, afirmou Trump, segundo relato de um repórter da emissora norte-americana.

Em sua conta no Truth Social, Trump pediu que o Irã aceite negociar seu programa nuclear para evitar um agravamento ainda maior da crise. O presidente lembrou que já havia dado a Teerã um ultimato de 60 dias, agora expirado.

“Já houve grande morte e destruição, mas ainda há tempo para que esse massacre, com os próximos ataques já planejados sendo ainda mais brutais, chegue ao fim”, escreveu.
“Hoje é o 61º dia. Eu disse o que fazer, mas eles simplesmente não conseguiram. Agora têm, talvez, uma segunda chance!”

Apesar das declarações de Trump, o governo norte-americano afirmou que a operação israelense foi conduzida de forma unilateral, sem participação dos Estados Unidos.

“Esta noite, Israel tomou medidas unilaterais contra o Irã. Não participamos dos ataques e nossa principal prioridade é proteger as forças americanas na região”, declarou o secretário de Estado, Marco Rubio, em nota oficial.

Com a escalada da tensão, os EUA emitiram um alerta de segurança para funcionários diplomáticos e seus familiares em Israel, orientando que permaneçam abrigados. Cidadãos americanos no país também foram aconselhados a identificar previamente o abrigo mais próximo.

Cresce a pressão internacional por contenção

O ataque provocou forte reação global. O ministro das Relações Exteriores do Irã apelou às Nações Unidas, pedindo que a organização “aja imediatamente para conter a violação da paz e da segurança internacional” e que os países-membros condenem “a agressão criminosa de Israel”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo à “máxima contenção”, alertando para o risco de um conflito regional de grandes proporções. Países como Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia expressaram preocupação semelhante.

Omã, mediador das negociações entre Teerã e Washington, classificou o ataque como uma “escalada perigosa e imprudente” e afirmou que a ação viola os princípios do direito internacional.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também se manifestou: “Os ataques de Israel ao Irã são preocupantes. A estabilidade no Oriente Médio deve ser a prioridade. Agora é hora de moderação, calma e retorno à diplomacia.”

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá na tarde de hoje, em caráter de emergência. A decisão de convocar o principal órgão das Nações Unidas ocorre após o envio de uma carta oficial do governo iraniano denunciando o ato e alertando de que irá retaliar.

Fragilizado diante de uma profunda divisão entre as potências, o Conselho dificilmente aprovará uma resolução. Por enquanto, nenhum texto foi apresentado para ser considerado. A perspectiva de um veto americano foi alvo de um debate, ainda na manhã desta sexta-feira.

Na carta, porém, a diplomacia iraniana “condena veementemente os ataques ilegais e imprudentes do regime israelense às instalações nucleares do Irã, bem como os assassinatos direcionados de altos funcionários e civis inocentes”.

“O regime israelense e seu apoiador, ou seja, os Estados Unidos, devem ser totalmente responsabilizados por essas violações flagrantes do direito internacional e suas graves consequências”, afirma a diplomacia iraniana.

Leia a carta completa, assinada pelo Seyed Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores:

Estou lhe escrevendo com a máxima urgência e profundo alarme em relação a um ato descarado e ilegal de agressão perpetrado pelo regime israelense contra a República Islâmica do Irã. Em uma escalada imprudente e deliberada que viola flagrantemente a Carta das Nações Unidas e as normas mais fundamentais do direito internacional, Israel lançou uma série coordenada de ataques militares visando várias cidades iranianas e suas instalações nucleares pacíficas, altos funcionários militares, cientistas e civis.

Entre os alvos estava a instalação nuclear de Natanz, uma das principais instalações nucleares do Irã, que opera sob total salvaguarda e monitoramento da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Esse ataque imprudente não só colocou em risco a vida de civis iranianos, mas também representou uma ameaça alarmante à paz e à segurança regional e internacional, com o risco de um desastre radiológico. Qualquer ataque militar deliberado contra instalações nucleares sob salvaguardas internacionais constitui uma grave violação do direito internacional. Esse ataque perigoso prejudica ainda mais o regime global de não proliferação e a integridade da missão da AIEA.

Simultaneamente, vários assassinatos direcionados de altos funcionários militares e cientistas iranianos foram realizados na capital, Teerã. Esses atos deliberados e premeditados constituem exemplos claros de terrorismo de Estado. A responsabilidade por esses crimes hediondos foi reivindicada pública e arrogantemente pelo próprio primeiro-ministro do regime, constituindo uma admissão aberta de responsabilidade.

Essas ações ultrajantes representam não apenas uma grave violação da soberania e da integridade territorial do Irã como um Estado membro soberano da ONU, mas também constituem atos de agressão e crimes de guerra de acordo com o direito internacional e do direito humanitário internacional, incluindo as Convenções de Genebra.

Mais importante ainda, esses ataques hediondos constituem uma violação flagrante do Artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas, que proíbe inequivocamente a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.

Esses atos coordenados marcam mais um episódio no padrão de conduta ilegal e desestabilizadora de Israel na região, o que representa uma séria ameaça à paz e à segurança internacionais. Israel, o regime mais terrorista do mundo, já ultrapassou todas as linhas vermelhas, e a comunidade internacional não pode permitir que esses crimes fiquem impunes. O Conselho de Segurança e o Secretário-Geral devem condenar essa agressão e agir imediata e inequivocamente.

O fato de o ataque ser meramente militar contra uma nação é um ataque direto aos princípios que sustentam a ordem jurídica internacional. A falta de resposta apenas encorajará o agressor, recompensará a impunidade e provocará mais caos em uma região já frágil.

A República Islâmica do Irã reafirma seu direito inerente à autodefesa, conforme consagrado no Artigo 51 da Carta da ONU, e responderá de forma decisiva e proporcional a esses atos ilegais e covardes. A República Islâmica do Irã agirá com total determinação para proteger sua soberania, seu povo e sua segurança nacional. Esse direito não é negociável. Israel se arrependerá profundamente dessa agressão imprudente e do grave erro de cálculo estratégico que cometeu.

Dada a gravidade dessa agressão ilegal e suas implicações para a paz e a segurança internacionais, peço a convocação imediata e urgente de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança. O Conselho deve cumprir suas responsabilidades de acordo com a Carta, condenar veementemente esse ato de agressão e tomar medidas urgentes e concretas para responsabilizar totalmente o regime israelense por seus crimes.

Solicito que esta carta seja distribuída como um documento do Conselho de Segurança e levada ao conhecimento de todos os Estados Membros.

Seyed Abbas Araghchi, Ministro das Relações Exteriores

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