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Mundo

Irã suspende negociações com EUA até que Israel cesse ataques contra Líbano e Gaza

Grupo bipartidário nos EUA defende revisão da cooperação militar com israelenses

Publicado em 01/06/2026 12:44 - Opera Mundi

Divulgação Reprodução

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O Irã anunciou a suspensão das negociações com os Estados Unidos frente à escalada da ofensiva israelense no sul de Beirute, nesta segunda-feira (01/06). Segundo a agência de notícias Tasnim, a retomada de qualquer diálogo a partir de agora está condicionada ao encerramento das operações militares israelenses no Líbano e na Faixa de Gaza.

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De acordo com agência iraniana, “dado o prolongamento dos ataques do regime israelense no Líbano, e considerando que o Líbano era uma das pré-condições para um cessar-fogo — agora violado em todas as frentes, incluindo o Líbano — a equipe de negociação iraniana está suspendendo as negociações e as trocas de comunicações [com Washington] por meio de mediadores”.

Segundo a agência, as negociações serão retomadas somente após a “interrupção imediata” das operações militares israelenses em Gaza e no Líbano, além da retirada completa das tropas israelenses do território libanês. “Até que a posição do Irã e das frentes de resistência sobre essas questões seja satisfeita, não haverá negociações”, diz Teerã.

A agência informa, ainda, que o Irã e sua frente de resistência pretendem intensificar a pressão sobre rotas estratégicas de petróleo, incluindo o “fechamento completo do Estreito de Ormuz e a ativação de outras frentes”, entre elas, a do Estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho, local de ataques retaliatórios anteriores dos houthis.

Escalada

Nesta manhã, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, alertou que o acordo alcançado entre Teerã e Washington possui caráter abrangente e vinculante para toda a região. A mensagem foi divulgada após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciar a escalada de ataques contra Beirute.

“O cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos é considerado, sem qualquer ambiguidade, um cessar-fogo abrangente em todas as frentes, incluindo o Líbano. Qualquer violação desse cessar-fogo em uma das frentes constitui uma violação em todas as frentes. Os Estados Unidos e Israel assumem a responsabilidade pelas consequências de qualquer violação do armistício”, escreveu Araghchi nas redes sociais.

Grupo bipartidário defende revisão da cooperação militar com Israel

Tramita no Congresso dos Estados Unidos uma proposta que defende a revisão da legislação de segurança e defesa do país, com o objetivo de questionar os dispositivos que baseiam a cooperação militar do país norte-americano com Israel.

A iniciativa é promovida por um grupo bipartidário, liderado por Ro Khanna, do Partido Democrata, e por Thomas Massie, do Partido Republicano.

Segundo os parlamentares, a proposta visa identificar políticas que sejam consideradas excessivamente favoráveis ​​a Israel, a ponto de afetar os interesses nacionais dos Estados Unidos.

De acordo com Massie, é tarefa do Legislativo “questionar, e eventualmente substituir esses dispositivos, priorizando diretrizes mais condizentes com asa demandas da sociedade norte-americana, e que não firam a soberania nacional”.

Um dos dispositivos que o grupo pretende revisar é a Seção 224, que propõe o fortalecimento da cooperação militar entre Washington e Tel Aviv por meio da designação de um “agente executivo” responsável por supervisionar o desenvolvimento tecnológico conjunto e a coordenação estratégica.

Os parlamentares críticos desse instrumento afirmam que ele estaria consolidando uma estrutura exclusiva de colaboração tecnológica e bélica entre os dois países, que teria jurisdição em áreas que poderiam afetar o interesse nacional norte-americano, e propuseram uma emenda para eliminá-lo.

Contudo, a iniciativa enfrenta resistência das bancadas parlamentares alinhadas com os interesses de Israel. Uma das figuras atuantes nesse grupo é o Derrick van Orden, que defendeu a continuidade da cooperação, afirmando que “este acordo de segurança permitirá que os Estados Unidos se beneficiem das tecnologias israelenses avançadas”.

Em meio a esse debate, uma pesquisa do The New York Times em parceria com o Siena College revelou que 57% dos estadunidenses desaprovam a aliança entre o país e Israel por meio de apoio econômico e militar.

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