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Mundo

EUA recuam de acusação de que Maduro chefia cartel de drogas

Petróleo da Venezuela não pode ficar na mão de adversários, dizem americanos na OEA

Publicado em 06/01/2026 3:39 - Semana On

Divulgação Reprodução

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos recuou de uma afirmação sobre o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que o governo de Donald Trump promoveu ao preparar o terreno para removê-lo do poder: a acusação de que ele liderava o cartel de drogas chamado Cartel de los Soles.

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Essa acusação foi redigida pelo Departamento de Justiça em 2020. Em julho de 2025, copiando a linguagem dela, o Departamento do Tesouro classificou o Cartel de los Soles de organização terrorista. Em novembro, Marco Rubio, o secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional do presidente Trump, ordenou que o Departamento de Estado fizesse o mesmo.

Mas especialistas em crime latino-americano disseram que, na verdade, o Cartel de los Soles é um termo coloquial, inventado pela imprensa venezuelana nos anos 1990 para se referir a funcionários corrompidos pelo dinheiro das drogas. E no sábado (3), após a captura de Maduro, o Departamento de Justiça divulgou uma acusação reescrita que parecia admitir esse ponto.

Os promotores ainda acusaram Maduro de participar de uma conspiração de tráfico de drogas, mas abandonaram a afirmação de que o Cartel de los Soles é uma organização real. Em vez disso, a acusação revisada afirma que se refere a um “sistema de clientelismo” e uma “cultura de corrupção” alimentada pelo dinheiro das drogas.

No lugar em que a antiga acusação se referia 32 vezes ao Cartel de los Soles e descrevia Maduro como seu líder, a nova o menciona duas vezes e diz que ele, assim como seu antecessor, Hugo Chávez, ele perpetuou e protegeu esse sistema de clientelismo.

O recuo aumenta os questionamentos relacionados à legitimidade da designação do Cartel de los Soles como uma organização terrorista estrangeira pelo governo Trump no ano passado. Porta-vozes da Casa Branca e dos departamentos de Justiça, Estado e Tesouro não responderam a pedidos de comentário.

EUA na OEA: petróleo da Venezuela não pode ficar na mão de adversários

Na reunião de emergência convocada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro de Maduro, o embaixador norte-americano junto à organização, Leandro Rizzuto, disse que o petróleo da nação latino-americana não pode ficar nas mãos de adversários do Hemisfério Ocidental.

“Esta é nossa vizinhança, é onde vivemos. E não vamos permitir que a Venezuela se transforme em um hub de operações para o Irã, Rússia, Hezbollah, China e agências cubanas de inteligência que controlam o país. Não podemos continuar a ter a maior reserva de petróleo do mundo sob o controle de adversários do Hemisfério Ocidental”, disse o diplomata nesta terça-feira (6), destacando que os lucros do petróleo não beneficiam o povo venezuelano.

Rizzuto reafirmou que os Estados Unidos não invadiram a nação sul-americana. Ele ressaltou que a operação tinha como objetivo a prisão de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, resultado de uma ordem judicial de um indiciamento criminal. “Não foi uma interferência na democracia da Venezuela. Na verdade, a ação removeu o principal obstáculo para a democracia”, afirmou. “Queremos um futuro democrático para a Venezuela e pedimos a soltura imediata dos cerca de mil prisioneiros políticos.”

Democratas acusam Trump de ataque ilegal à Venezuela

Líderes do Partido Democrata americano reagiram com indignação. Eles classificaram a ação como ilegal, por ter sido realizada sem a aprovação do Congresso, e alertaram para possíveis consequências desastrosas para os Estados Unidos.

Na avaliação dos democratas, isso viola a Constituição americana e compromete a imagem do país no cenário internacional, já que diversas autoridades, incluindo o secretário-geral da ONU, acusaram Washington de desrespeitar a Carta das Nações Unidas .

Em entrevista à emissora CNN, o senador Chris Murphy afirmou que o governo “mentiu descaradamente” aos parlamentares. “A mensagem que transmitiram ao Congresso foi que não se tratava de uma mudança de regime. Eles mentiram descaradamente para nós”, disse o democrata, para quem a operação foi “claramente ilegal”.

Segundo a Constituição americana, apenas o Congresso pode declarar guerra, com a Resolução de Poderes de Guerra de 1973 exigindo autorização legislativa para qualquer ação militar.

“O presidente não pode comandar uma operação militar dessa magnitude. Não pode invadir um país estrangeiro sem antes consultar o Congresso, sem permitir que o povo americano se manifeste”, criticou.

Segundo Murphy, a informação repassada aos congressistas era de que se trataria “apenas de uma operação de combate ao narcotráfico “, com o objetivo de interromper o fluxo de drogas para os EUA.

“Quase ao mesmo tempo, a Casa Branca declarou publicamente que, se algum dia tivéssemos tropas em solo venezuelano, é claro que teríamos que consultar o Congresso”.

No entanto, nem mesmo o chamado “grupo dos oito” — formado pelos principais líderes do Congresso tradicionalmente consultados sobre questões de segurança nacional — foi informado sobre a operação.

Jim Himes, membro desse grupo seleto e principal democrata no comitê de inteligência da Câmara, também criticou a falta de transparência. “Ainda não recebi nenhum telefonema”, disse à CNN.

Em outra entrevista ao programa “Face the Nation”, da emissora CBS News, o parlamentar foi além: “Não houve qualquer contato comigo, e pelo que sei, nenhum democrata foi procurado. Pelo visto, agora vivemos em um cenário onde a obrigação legal de manter o Congresso informado só vale para o partido do governo”.

O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, democrata de Nova York, também acusou o governo de não ter “notificado o Congresso adequadamente antes da operação na Venezuela “.

A decisão de não notificar os parlamentares com antecedência foi defendida pelo secretário de Estado, Marco Rubio.

“Ligamos para os membros do Congresso imediatamente depois. Este não era o tipo de missão que permite notificação prévia ao Congresso, pois colocaria a missão em risco”, disse no sábado, em uma coletiva de imprensa ao lado de Trump.

Na ocasião, o presidente acrescentou: “o Congresso tem a tendência de vazar informações. Isso não teria sido bom”.

Não só os líderes democratas se pronunciaram, mas também a sociedade civil. A intervenção dos EUA na Venezuela indignou muitos americanos, que saíram às ruas para protestar em cidades como Nova York e Washington. Os manifestantes denunciam o interesse do governo Trump no petróleo venezuelano, alegando que o ataque em Caracas teria sido uma violação do direito internacional.

Um grupo também se reuniu em frente ao centro de detenção onde Maduro está preso, no Brooklyn.

Na ONU, EUA são acusados de violação do direito internacional

A intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro no último sábado (4), foi duramente condenada pelo Brasil em reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas na segunda-feira (5). O embaixador brasileiro Sérgio Danese afirmou que não é admissível aceitar a lógica de que “os fins justificariam os meios” para legitimar o uso da força, a derrubada ilegal de governos e a violação da soberania nacional.

Danese foi categórico ao rechaçar qualquer tentativa de justificar a intervenção com base em interesses econômicos ou na exploração de recursos naturais. “Esse raciocínio carece de legitimidade e abre caminho para conceder aos poderosos o direito de definir o que é justo ou injusto, certo ou errado, e até mesmo de desconsiderar a soberania nacional, impondo decisões que os fracos devem tomar”, declarou, numa crítica explícita à lógica de força que, segundo ele, mina as bases da ordem internacional.

Ao situar o episódio no marco jurídico global, o diplomata brasileiro sustentou que houve violação frontal da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, configurando um precedente “extremamente perigoso” para toda a comunidade internacional. A posição, segundo Danese, reafirma comunicado divulgado pelo governo brasileiro no último dia 3 e reforça a defesa de normas que regem a convivência entre os Estados como “obrigatórias e universais”.

O embaixador rejeitou ainda qualquer hipótese de solução imposta de fora, como a criação de protetorados na Venezuela. Para o Brasil, a saída para a crise passa exclusivamente por mecanismos que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano, “dentro dos limites de sua Constituição”, sem ingerência externa. Nesse ponto, Danese cobrou do Conselho de Segurança uma reação “com determinação, clareza e respeito pelo direito internacional, a fim de impedir que a lei da força prevaleça sobre o Estado de Direito”.

O discurso ganhou densidade política ao conectar o episódio venezuelano a um cenário mais amplo de enfraquecimento da governança global. Segundo o representante brasileiro, ações unilaterais como a empreendida por Washington ameaçam o mundo com violência, desordem e erosão do multilateralismo, comprometendo o funcionamento do direito e das instituições internacionais. Para Danese, a ampliação de conflitos armados está diretamente relacionada à fragilização dos mecanismos de cooperação e mediação internacional construídos no pós-guerra.

A avaliação foi ainda mais contundente ao tratar dos impactos regionais. “A América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha consciente, duradoura e irreversível”, afirmou o embaixador, classificando a situação como inédita e “profundamente alarmante”. Em sua análise, os eventos do dia 3 de janeiro extrapolam a esfera regional: “Um ataque à soberania de qualquer país, independentemente da orientação do seu governo, afeta toda a comunidade internacional”.

Danese lembrou que intervenções armadas anteriores na América do Sul deixaram um rastro de regimes autoritários, graves violações de direitos humanos, mortes, prisões políticas, tortura e desaparecimentos forçados. “O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos ter deixado para trás e coloca em risco o esforço coletivo de preservar a região como uma zona de paz”, advertiu, ao reafirmar o compromisso brasileiro com a não intervenção e a solução pacífica de controvérsias.

Na avaliação do Itamaraty, os Estados Unidos cruzaram uma “linha inaceitável” sob o ponto de vista jurídico. Danese citou diretamente a Carta da ONU, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo em circunstâncias estritamente previstas. “Essas normas não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifique o uso da força ou a mudança ilegal de um governo”, disse.

Encerrando sua intervenção, o embaixador reforçou que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente por seu povo, por meio do diálogo e dentro do marco do direito internacional. “O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não deve ser confundido com esferas de influência. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, concluiu, numa mensagem que ecoa não apenas como posicionamento diplomático, mas como alerta sobre os riscos de normalizar a violação das regras que sustentam a ordem internacional.

Reações regionais expõem fratura diplomática na América Latina

A condenação brasileira à intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela não foi isolada no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Outros países da região, entre eles Colômbia e Cuba, adotaram posicionamentos convergentes ao do Brasil, reforçando a leitura de que a ação norte-americana viola o direito internacional, ameaça a estabilidade regional e estabelece um precedente perigoso para a América Latina.

A embaixadora colombiana Leonor Zalabata Torres foi enfática ao classificar a operação como ilegal e incompatível com os princípios fundamentais da Carta da ONU. “Não existe justificativa alguma, em nenhuma circunstância, para o uso unilateral da força nem para cometer um ato de agressão”, afirmou. Para a diplomata, a violação da soberania venezuelana não apenas desorganiza o equilíbrio regional, como aprofunda uma crise humanitária já marcada por extrema complexidade.

Zalabata Torres alertou que ações unilaterais contrárias ao direito internacional tendem a agravar as condições da população civil, com efeitos que ultrapassam as fronteiras nacionais. “Colocam em risco a estabilidade regional e agravam as já complexas condições da população civil, com efeitos devastadores que transcenderão as fronteiras soberanas da Venezuela”, disse. O alerta ganha peso no caso colombiano: o país já é um dos principais destinos de migrantes venezuelanos e, segundo a embaixadora, um fluxo massivo adicional exigiria um esforço extraordinário de recursos e capacidades institucionais. “A Colômbia tem sido e continuará sendo um receptor solidário da população venezuelana”, afirmou, ponderando, contudo, que há limites materiais para essa resposta.

A crítica mais dura à motivação da intervenção veio da delegação cubana. O embaixador Ernesto Soberón Guzmán acusou diretamente Washington de perseguir o controle da produção de petróleo venezuelana, rejeitando a narrativa de combate ao narcotráfico utilizada pelo governo norte-americano. “O objetivo final dessa agressão não é a falsa narrativa de combate ao narcotráfico, mas o controle das terras e dos recursos naturais da Venezuela, como foi declarado aberta e descaradamente pelo presidente Donald Trump e por seu secretário de Estado”, declarou.

Segundo Soberón Guzmán, a defesa de uma transição “segura e prudente” esconde, na prática, a intenção de impor um governo alinhado aos interesses estratégicos de Washington. “Significa impor um governo fantoche funcional a seus objetivos predatórios, particularmente o acesso irrestrito e a pilhagem dos recursos naturais que pertencem ao povo venezuelano”, afirmou. O diplomata também rebateu acusações de que Havana manteria operações secretas em território venezuelano, classificando-as como infundadas. “Rejeitamos categoricamente as acusações de que Cuba mantém ativos de inteligência na Venezuela. Essas declarações não têm base factual e buscam desviar a atenção dos atos criminosos cometidos pelos Estados Unidos na região”, disse.

Em contraste com o bloco crítico formado por Brasil, Colômbia e Cuba, a Argentina figurou entre os poucos países a defender publicamente a ação militar norte-americana. O embaixador argentino na ONU, Francisco Fabián Tropepi, classificou o sequestro do presidente Nicolás Maduro como um passo decisivo no combate ao narcoterrorismo e como uma oportunidade para a restauração democrática na Venezuela.

“A República Argentina confia que esses fatos representem um passo decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região e, ao mesmo tempo, abram uma etapa que permitirá ao povo venezuelano recuperar plenamente a democracia, o Estado de Direito e o respeito aos direitos humanos”, afirmou Tropepi, alinhando-se ao discurso de Washington. O diplomata relembrou ainda a concessão de asilo diplomático a seis líderes da oposição venezuelana em março de 2024 e a posterior expulsão de diplomatas argentinos de Caracas, após o governo de Buenos Aires reconhecer Edmundo González Urrutia como presidente eleito.

Segundo Tropepi, mesmo diante de pressões diplomáticas, a Argentina manteve uma “convicção inabalável” de denunciar a situação venezuelana e de atuar em todos os fóruns internacionais disponíveis. A posição, no entanto, evidencia uma fratura crescente no consenso latino-americano em torno dos princípios de não intervenção e solução pacífica de controvérsias — pilares históricos da diplomacia regional.

O contraste entre os discursos expostos no Conselho de Segurança revela mais do que divergências pontuais: expõe uma disputa profunda sobre os limites do uso da força, o papel das grandes potências e o futuro da arquitetura de segurança na América Latina. Em um continente que, como lembrou o Brasil, fez da paz uma escolha política deliberada, a normalização de intervenções armadas reacende memórias de um passado autoritário e coloca em xeque o esforço coletivo de preservar a região como zona de paz.

Ataque desrespeitou direitos, diz subsecretária da ONU

Na sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU, a subsecretária-geral para assuntos políticos e de construção da paz da ONU, Rosemery DiCarlo, afirmou: “Estou profundamente preocupada que as leis do direito internacional não foram respeitadas na ação militar do dia 3 de janeiro. Isso pressupõe total respeito aos direitos humanos, o respeito à lei, e à soberania do povo venezuelano. Eu também apelo para que os países vizinhos da Venezuela e a comunidade internacional atuem no espírito de solidariedade e de obediência às leis que promovem a coexistência pacífica.”

Segundo a representada da ONU, o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de qualquer Estado é inaceitável. DiCarlo defendeu que a manutenção da paz mundial depende do compromisso de todos os Estados-membros. “Em situações confusas e complexas como essa que enfrentamos agora, é importante mantermos os princípios de respeito à Carta da ONU e a todos os mecanismos de manutenção da paz e segurança mundiais”, declarou.

A subsecretária-geral reiterou a importância de respeitar a soberania, a independência política e a integridade territorial. “A proibição do uso da força e o império da lei devem prevalecer. Leis internacionais contêm ferramentas para lidar com questões como tráfico internacional de drogas, disputas sobre recursos naturais, e violações de direitos humanos. Esse é o caminho que precisamos tomar”, concluiu.

Após fala de Trump, Petro diz que pegará em armas se necessário

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse ontem (5) que, se necessário, poderá voltar a pegar em armas para defender o país. O mandatário ressaltou ainda que deu ordem à força pública colombiana para atirar contra o “invasor”.

As declarações, escritas no X, foram dadas em resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou armar uma operação militar contra a Colômbia.

“Embora eu não tenha sido militar, conheço a guerra e a clandestinidade. Jurei não empunhar mais uma arma desde o Pacto de Paz de 1989, mas pela Pátria pegarei novamente em armas, ainda que não queira”, disse Petro, que participou do movimento de guerrilha M19 (Movimento 19 de Abril), nos anos 1980.

O presidente da Colômbia afirmou ainda que os comandantes da força pública que não defendam a soberania popular deverão deixar a corporação.

“Cada soldado da Colômbia tem agora uma ordem: todo comandante da força pública que preferir a bandeira dos Estados Unidos à bandeira da Colômbia deve se retirar imediatamente da instituição, por ordem das bases, da tropa e minha. A Constituição ordena à força pública que defenda a soberania popular”.

O presidente acrescentou que a ordem à força pública é não atirar contra o povo, mas sim contra o invasor.

Petro listou uma série de ações do seu governo contra a produção e o tráfico de drogas e destacou que foi eleito democraticamente e não tem envolvimento com o narcotráfico. “Não sou ilegítimo, nem sou narcotraficante. Só possuo minha casa de família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram publicados. Ninguém pôde dizer que gastei mais do que ganho. Não sou ambicioso”.

“Tenho enorme confiança no meu povo, e por isso pedi que o povo defenda o presidente de qualquer ato violento ilegítimo contra ele”, acrescentou.

Ontem, Trump ameaçou deflagrar uma ação militar contra a Colômbia, disse que o país está doente e é administrado por um homem doente. O presidente dos EUA acusou, sem provas, o presidente Petro de gostar de produzir cocaína e de vender a droga aos Estados Unidos.

Ameaças a Cuba

Donald Trump, afirmou ainda que o governo de Cuba está “a ponto de cair” e lembrou que a economia do país – devastada por anos de embargo americano e má gestão interna – está em ruínas. Ele acrescentou que essa situação irá agora piorar porque Cuba não terá mais acesso ao petróleo venezuelano.

“Cuba parece estar a ponto de cair, está definitivamente afundando. Não sei como eles vão conseguir se manter à tona, eles não têm renda. Toda a sua renda vinha da Venezuela, do petróleo venezuelano”, declarou o presidente dos EUA. “Muitos cubano-americanos ficarão muito felizes conosco”, acrescentou. “Vamos acabar falando sobre Cuba, porque está em declínio e queremos ajudar o povo”, afirmou.

Numa entrevista a jornalistas a bordo do avião Air Force One, Trump argumentou que, dada a grave situação econômica da ilha, uma operação semelhante à que capturou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas no sábado não seria necessária. “Não acho que precisamos de qualquer ação”, afirmou Trump, que no dia anterior havia dito que considerava o governo cubano muito semelhante ao venezuelano.

Por sua vez, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, evitou dar uma resposta clara sobre a ilha numa entrevista à televisão neste domingo, limitando-se a dizer que “o governo cubano é um grande problema”. Rubio, ex-senador pela Flórida e filho de imigrantes cubanos, há muito afirma que Cuba é uma ditadura que oprime seu povo.

“Não vou falar agora sobre quais serão nossos próximos passos ou políticas a respeito disso. Mas acho que não é segredo que não somos exatamente admiradores do regime cubano”, disse ele à emissora NBC News.

“Este é o Hemisfério Ocidental. É aqui que vivemos e não vamos permitir que o Hemisfério Ocidental seja uma base de operações para os adversários, concorrentes e rivais dos Estados Unidos”, acrescentou, ecoando a nova estratégia de segurança nacional dos EUA.

As autoridades cubanas convocaram uma manifestação em apoio ao governo venezuelano e criticaram a operação militar dos EUA. Em comunicado, elas pediram a “todas as nações da região que permaneçam vigilantes, porque a ameaça paira sobre todos nós”.

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