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Israel matou entre 66 e 300 mil palestinos com política de limpeza étnica
Publicado em 07/10/2025 2:07 - Opera Mundi
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A ação militar de Israel em Gaza completa dois anos nesta terça-feira (7). O massacre que se iniciou após o ataque do grupo palestino Hamas em 2023 resultou na morte de mais de 67 mil pessoas, uma crise humanitária no enclave e a denúncia de um genocídio em curso perpetrado pelo governo de Benjamin Netanyahu.
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Neste dois anos, lideranças da resistência palestina foram mortas, acordos de cessar-fogo negociados e não respeitados por Israel e milhares de palestinos deslocados à força de suas residências. Confira os principais pontos desta tragédia.
Foi a data que o Hamas deflagrou a Operação Al-Aqsa Flood no sul de Israel como uma ofensiva às contínuas atrocidades cometidas pelo regime sionista em solo palestino. A ação matou 1,2 mil pessoas (a maioria civis) e 251 foram feitas reféns – maioria posteriormente libertada em acordos de cessar-fogo.
Sob o pretexto do “direito à autodefesa”, o regime sionista tomou proveito da ofensiva da resistência palestina e, no mesmo dia, deu início ao atual massacre, promovendo ataques diários. As primeiras imagens transmitidas de hospitais e campos de refugiados sendo bombardeados — ataques considerados crimes de guerra — chocaram o mundo. Enquanto isso, o governo Netanyahu tentava naturalizar a matança.
No decorrer do tempo, organizações de direitos humanos, chefes de Estado e Cortes Internacionais deram oficialmente um nome ao que o regime sionista fazia e segue fazendo: genocídio.
Em dois anos, o Ministério da Saúde de Gaza contabiliza mais de 67,1 mil mortes no enclave, e mais de 169,6 mil feridos. As vítimas são, em sua maioria, mulheres e crianças. Somente após a violação unilateral do cessar-fogo em 18 de março, por Israel, foram mais de 13 mil mortes e quase 57 mil feridos.
As mortes por fome chegaram a 459, sendo 154 de crianças, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês). Organizações de direitos humanos e da ONU, assim como os governos de diversos países, incluindo o Brasil, denunciaram a fome deliberada como “arma de guerra”.
De acordo com o banco de dados secreto da inteligência militar israelense, do qual o jornal britânico Guardian teve acesso em apuração com veículos de Tel Aviv, cinco em cada seis palestinos assassinados pelas Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) em Gaza não eram integrantes do Hamas. Ou seja, 83% das pessoas mortas no enclave não se enquadram no “alvo” declarado de Israel.
Vale lembrar que revistas científicas levantam números muito maiores do que os contabilizados pelo Ministério da Saúde de Gaza. Quando o massacre completou nove meses, um artigo da Lancet, com o título Counting the dead in Gaza: difficult but essential (“Contagem dos mortos em Gaza: difícil mas essencial”) calculava que, “em uma projeção conservadora”, a quantidade total de mortes civis podia ser de até 186 mil. Já no final de junho deste ano, uma pesquisa liderada pelo especialista em mortalidade em conflitos violentos Michael Spagat, da universidade inglesa Royal Holloway, juntamente com diversas outras instituições educacionais, acadêmicos e centros de pesquisa, revelou que o genocídio havia matado pelo menos 91,5 mil palestinos.
Além dos civis, Israel matou cerca de sete lideranças da resistência palestina, incluindo Ismail Haniyeh, líder do Hamas, e Yahya Sinwar, considerado o “mentor” do ataque de 7 de outubro e substituto de Haniyeh.
Durante esses dois anos, os governos de Israel e Gaza realizaram trocas de reféns israelenses e prisioneiros palestinos. A maioria das libertações aconteceram como resultado de dois acordos de cessar-fogo entre as partes – um no final de 2023 e o segundo em janeiro deste ano.
O primeiro teve caráter temporário. Iniciado em 24 de novembro de 2023 e concluído seis dias depois, em 30 de novembro, 81 israelenses e 24 civis de outras nacionalidades foram libertados pelo Hamas, em troca de 240 palestinos.
Já o tratado selado em 15 de janeiro de 2025 tinha em sua primeira etapa a cláusula de que Israel deveria libertar 1.904 palestinos presos em centros de detenção, sendo mulheres e crianças, e homens maiores de 50 anos. Em troca, o Hamas entregaria 33 prisioneiros israelenses. A fase foi concluída em 18 de março, com a restituição dos 33 israelenses prometidos pelo grupo palestino e 1,7 mil palestinos por parte de Tel Aviv.
Israel intensificou sua política de bloqueio contra a Faixa de Gaza. Com o domínio das fronteiras terrestres, do espaço aéreo e marítimo que circunda o enclave palestino, o governo Netanyahu controla a entrada de alimentos, medicações, equipamentos médicos e hospitalares, água e eletricidade. Segundo um dos mais recentes relatórios da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) da ONU, 100% das 1,98 milhão de pessoas em Gaza, Deir al-Balah e Khan Younis — praticamente quase toda a população do enclave palestino – “estão atualmente enfrentando ou devem enfrentar crises ou níveis mais graves de insegurança alimentar”.
Além disso, os hospitais de Gaza estão sob constante ataque de Isael, cortes de eletricidade e de equipamentos no geral. O transporte de água e outros serviços básicos, como esgoto e saneamento básico, foram suspensos, influenciando na propagação de doenças, como a poliomielite, que reapareceu em Gaza após 20 anos.
A escalada dos ataques de Israel contra Gaza evidenciou o que organizações dos direitos humanos e especialistas denunciaram como genocídio contra os palestinos. O governo israelense contesta o uso do termo, alegando que ele não pode ser aplicado contra Israel, uma vez que o país foi criado a partir do Holocausto judeu promovido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
Por conta dessa escalada, a África do Sul apresentou à Corte Internacional de Justiça (CIJ) denúncia contra Israel por violar a Convenção do Genocídio, adotado em 1948.
O caso da África do Sul contra Israel reuniu intervenção de outros países, como Colômbia, México, Chile, Espanha, Brasil, Belize, Cuba, Irlanda, Bolívia, Maldivas, Turquia, Líbia, e a própria Palestina. As evidências levantadas pela Corte levaram outra alta instância da Justiça Internacional a apresentar casos referente ao genocídio na Faixa de Gaza, o Tribunal Penal Internacional (TPI).
Em 21 de novembro de 2024, o órgão emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro de Israel e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant por crimes de guerra e contra a humanidade contra o povo palestino na Faixa de Gaza. De forma prática, a medida transformou ambos em procurados internacionais.
Por outro lado, o TPI também emitiu um mandado de prisão contra Mohammed Diab Ibrahim Al-Masri, conhecido como “Deif”, líder da ala militar do Hamas, por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos contra Israel e Palestina a partir de 7 de outubro de 2023.
Atualmente, são 151 países-membros da ONU – dos 193 totais – que formalmente reconhecem a Palestina como Estado soberano. Em 11 de maio de 2024, eram 143. Já outros 39 seguem contrários, como é o caso dos Estados Unidos, Israel, Japão, Itália e Alemanha.
O crescente isolamento de Netanyahu no cenário global veio na esteira dos dois anos de massacre em Gaza. é
Reações sociais pró-Palestina também se espalharam pelo mundo, com ondas de manifestações na América Latina, mas em especial nas capitais europeias e em acampamentos nos campus de universidades nos Estados Unidos, com destaque para a Universidade de Columbia e Harvard — com estudantes pedindo que Washington e seus centros acadêmicos rompessem todos os laços militares, econômicos, comerciais e acadêmicos com Tel Aviv. Grande parte dessas manifestações foram acompanhadas de repressão policial e prisão de ativistas pró-Palestina.
A Flotilha da Liberdade, por exemplo, reuniu ativistas de todo mundo e barcos para quebrar o cerco israelense e levar alimentos e ajuda humanitária ao enclave palestino. Israel ameaçou e reprimiu todas as tentativas de chegada das embarcações.
De forma ilegal e contra o Direito Internacional, os ativistas — de diversos países — foram sequestrados e presos por Israel. Entre eles, a sueca Greta Thunberg e os brasileiros: Luiziane Lins (deputada pelo PT-CE), Mariana Conti (vereadora de Campinas pelo PSOL); Gabi Tolotti (presidente do PSOL-RS); Nicolas Calabrese (professor e coordenador da Rede Emancipa no Rio de Janeiro); Bruno Gilga (trabalhador da USP e ativista da CSP-Conlutas); Lisiane Proença (comunicadora popular); Magno Costa (diretor do SINTUSP); Thiago Ávila (membro e organizador da flotilha); Ariadne Telles (advogada popular e militante da luta pela terra na Amazônia); Mansur Peixoto (criador do projeto História Islâmica); Mohamad El Kadri (presidente do Fórum Latino Palestino e coordenador da Frente Palestina de São Paulo); e Lucas Gusmão (ativista internacionalista).
Após o sequestro da flotilha, outras manifestações foram convocadas em diversos países em repúdio ao bloqueio israelense no enclave palestino.
Às vésperas deste 7 de outubro de 2025, o Hamas aprovou parcialmente um terceiro plano de “paz” na Faixa de Gaza, costurado pelos Estados Unidos – sem participação do Egito e do Catar, nações mediadoras – e endossado por Israel. O texto, que contempla 20 tópicos, prevê o cessar-fogo no território palestino, a libertação de reféns, a desmilitarização do Hamas e a retirada das tropas sionistas do enclave. Entretanto, em uma cláusula não especificada, inclui-se também a anistia a Netanyahu nos crimes contra humanidade denunciados pelas cortes internacionais.
O grupo concordou, em 3 de outubro, em libertar todos os refugiados israelenses, vivos e mortos. Por outro lado, solicitou esclarecimentos em certos parágrafos da proposta, defendendo que o futuro de Gaza precisa de um consenso palestino “mais amplo”, ou seja, do próprio movimento. O documento original rejeita a participação do Hamas na reconstrução do enclave.
As negociações para o recente plano seguem sendo discutidas pelas delegações israelense e do Hamas, em Doha.
Até agora, dois acordos de cessar-fogo foram aprovados e chegaram a ser implementados no enclave. O primeiro ocorreu em 24 de novembro de 2023 e terminou seis dias depois, em 30 de novembro. Em 15 de janeiro de 2025 foi implementado o segundo acordo que foi dividido em três etapas que levariam ao fim permanente dos ataques israelenses em Gaza, diferentemente do anterior.
Este acordo, no entanto, acabou sendo violado por Israel, em 18 de março. Netanyahu falsamente justificou que a “repetida recusa” do Hamas em libertar mais reféns teria levado a romper a tratativa. Nesse mesmo dia, as forças israelenses mataram 400 palestinos no enclave.
Com milhares de palestinos dizimados, e os que não foram mortos, sobrevivendo com fome, em situações desumanas, feridos e amputados, é delicado pensar na reconstrução do enclave e da população palestina. Segundo o Programa da ONU para o Desenvolvimento, a remoção e o gerenciamento de entulho em Gaza envolverão o processamento de mais de 50 milhões de toneladas de resíduos. A reconstrução também deve envolver as questões sociais, como educação e saúde, totalmente dizimadas durante o genocídio.
Os planos de cessar-fogo discutidos por Israel, Hamas e mediadores debatem o tema. A mais recente proposta de Trump determina que o enclave palestino “será uma zona desradicalizada e livre de terrorismo, que não representará uma ameaça aos seus vizinhos”, referindo-se à desmilitarização do grupo palestino e demais resistências armadas do enclave.
O plano de Trump exclui o grupo de um futuro governo em Gaza, que seria transferido para a Autoridade Nacional Palestina (ANP) sob supervisão de um órgão internacional, de modo que o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair lidere uma administração temporária na região.
Por outro lado, a sobrevivência política de Netanyahu como mandatário de Israel também é incerta. Após dois anos de guerra, o primeiro-ministro de extrema direita é alvo de diversas manifestações de israelenses que não apenas são contra a guerra, mas exigem o fim da ofensiva militar e que o foco de Tel Aviv em Gaza seja apenas o resgate dos reféns.
Israel matou entre 66 e 300 mil palestinos em dois anos de genocídio
Desde o dia 7 de outubro de 2023, o mundo assiste o maior genocídio já realizado no século 21, que já vitimou dezenas de milhares, ou talvez centenas de milhares de palestinos residentes na Faixa de Gaza, vítimas do extermínio praticado pelas forças militares de Israel.
Embora a questão quantitativa não influa no caráter repudiável sobre os crimes cometidos por Tel Aviv, o fato é que existe uma controvérsia sobre o tamanho do genocídio, já que há diferentes metodologias sendo aplicadas, e que apresentam números distintos.
A contagem mais utilizada pela maioria dos meios de comunicação é baseada no relatório entregue diariamente pelo Ministério da Saúde de Gaza. No dia 30 de setembro, esse informe indicou que o total de mortes ultrapassava os 66 mil.
Considerando que Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA, por sua sigla em inglês) estimava a população do território em cerca de 2,2 milhões de pessoas, a marca de 66 mil mortes permite dizer que o genocídio vitimou ao menos 3% dos habitantes de Gaza em apenas dois anos.
Se o Brasil sofresse um massacre de proporções similares, que dizimasse 3% da sua população, estaríamos falando em mais de 7 milhões de pessoas assassinadas, aproximadamente. Se a mesma comparação fosse feita com a população da Europa, seriam mais de 26 milhões de mortos.
Outros dados
Outras entidades indicam o número de vítimas de forma mais segmentada. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas, por exemplo, informa que há pelo menos 274 profissionais da comunicação, entre repórteres, cinegrafistas e auxiliares, morreram durante a cobertura dos acontecimentos na região.
Também foram registrados pela Crescente Vermelha – entidade similar à Cruz Vermelha que atua em países de maioria muçulmana – um total de 1,4 mil profissionais da saúde falecidos desde 7 de outubro de 2023.
Já a UNRWA afirma que 203 funcionários das Nações Unidas foram assassinados por Israel enquanto trabalhavam em missão humanitária durante o genocídio em Gaza.
Mais de 300 mil?
Porém, o levantamento do Ministério da Saúde contabiliza apenas as mortes causadas diretamente pelos bombardeios e ataques das tropas terrestres israelenses presentes em Gaza, e ignora as mortes causadas por outros fatores indiretos provocados pela ofensiva ao território.
Um artigo publicado em julho de 2024 pela revista científica The Lancet advertiu que as mortes causadas por outros fatores que não apenas os bombardeios poderiam representar um número total de vítimas até quatro vezes maior que o indicado pelos informes oficiais.
O estudo foi liderado pelo pesquisador britânico Martin McKee, que é membro do conselho editorial do Israel Journal of Health Policy Research e do Comitê Consultivo Internacional do Instituto Nacional de Investigação sobre Políticas de Saúde de Israel, e contou com a colaboração da jornalista libanesa Rasha Khatib e do médico indiano-canadense Salim Yusuf.
Os estudiosos consideram que algumas das mortes não contabilizadas em Gaza são causadas pelos próprios bombardeios, mas se referem a corpos que ficaram desaparecidos sob os escombros.
Outro fator importante são as mortes geradas pela fome, sede ou a falta de itens de necessidade básica, incluindo medicamentos para tratar os feridos: a soma de todos os informes diários do Ministério da Saúde de Gaza reúne mais de 165 mil casos de pessoas feridas pelos bombardeios, mas não houve um seguimento desses casos para distinguir os que puderam ser curados dos mesmos e os que padeceram em função da falta de tratamento.
Além disso, os relatos de pessoas padecendo de fome e sede no território palestino aumentaram enormemente nos últimos meses com a intensificação do bloqueio feito por Israel à entrada de ajuda humanitária.
O estudo publicado pela The Lancet foi realizado quando o total de mortes diretas causadas pelos bombardeios e ataques terrestres estava cifrada em cerca de 37 mil. Na ocasião, a estimativa, a partir das fontes avaliadas pelo estudo, seria de que os números reais poderiam estar entre 165 mil e 180 mil mortes.
Com base no mesmo método, e tomando como ponto base uma estimativa a partir da evolução do cenário em Gaza desde aquele quadro de 37 mil mortes diretas, até o atual cenário, com 66 mil mortes diretas e um agravamento da situação da fome – um dos principais causadores das mortes indiretas – devido ao endurecimento do bloqueio à ajuda humanitária, a projeção indica que essa metodologia levaria a uma cifra superior a 300 mil mortes, equivalentes a algo próximo de 15% da população local antes do início do genocídio.
Em termos comparativos, se um genocídio no Brasil exterminasse cerca de 15% da população seria o equivalente a mais de 31 milhões de pessoas mortas. Se o ponto de comparação fosse a Europa, significaria 113 milhões de vítimas fatais.
Mulheres e crianças
Os registros também apontam que são 13 mil mulheres exterminadas, e 700 desaparecidas sob os escombros. Entre elas, mais de mil teriam sido assassinadas grávidas.
Sobre os casos de gestantes, a pesquisa aponta que houve um aumento de 300% dos abortos involuntários entre mulheres palestinas durante o período do genocídio.
Além disso, em Gaza não possui lugares, equipamentos e alimentos necessários para que mulheres palestinas darem à luz. Estima-se que há entre 50 a 60 mil grávidas que poderiam dar à luz nos próximos seis meses.
Os dados das autoridades de Gaza mostram que em julho de 2025, a queda de nascimentos no primeiro semestre de 2025 caiu 41%, quando se analisa o mesmo período de 2024: no primeiro semestre de 2025, foram 17 mil nascimentos, em oposição aos 29 mil do mesmo período do ano anterior.
Sobre a situação das crianças, os dados das autoridades locais da Faixa de Gaza indicam que mais de 18 mil morreram em função dos ataques israelenses.
No mesmo período, também foram mortos 210 menores de idade no território da Cisjordânia, também em ataques promovidos por Israel.
No mesmo informe, também é citado que mais de 40 mil crianças palestinas ficaram órfãs de pai ou de mãe desde 7 de outubro de 2023.
Hamas diz trabalhar para ‘superar obstáculos’ e alcançar acordo que ponha fim à guerra
O representante do Hamas, Fawzi Barhoum, disse que a delegação do grupo militante palestino, atualmente em negociações no Egito sobre o plano de Donald Trump, busca superar todos os obstáculos para chegar a um acordo que ponha fim à guerra.
A primeira rodada de negociações em Gaza entre o Hamas e os mediadores terminou no Egito “em meio a uma atmosfera positiva”, informou a mídia estatal egípcia na manhã de terça-feira. A Al-Qahera News, vinculada à inteligência do país, informou que os diálogos continuarão no mesmo dia, também entre o Hamas e os mediadores na cidade turística de Sharm El-Sheikh, para onde uma delegação israelense seguiu na segunda-feira.
O plano do líder norte-americano exige que o grupo de resistência devolva todos os 48 reféns — dos quais cerca de 20, segundo Israel, ainda estariam vivos —, abra mão do poder e se desarme. Em contrapartida, seriam libertadas centenas de prisioneiros palestinos, aumentaria a ajuda humanitária e teriam fim os ataques de Israel. No entanto, a proposta aceita pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não abre caminho para a criação de um Estado palestino.
Uma das principais condições do Hamas desde o início do conflito tem sido a retirada total de Israel de Gaza em troca da libertação dos reféns restantes. Embora a facção palestina tenha indicado disposição para abrir mão da autoridade administrativa, tem descartado consistentemente o desarmamento.
Nesta primeira fase de negociações, mediadores egípcios e catarianos trabalham com ambas as partes para preparar as condições para a libertação dos 48 reféns israelenses restantes, mantidos em Gaza, em troca de 1.700 prisioneiros palestinos detidos em prisões israelenses, e para determinar a data de uma trégua temporária.
Delegações
Uma delegação dos EUA, liderada pelo enviado presidencial Steve Witkoff, participará de negociações por uma trégua em Gaza e pela troca de reféns e prisioneiros na quarta-feira (08/10), afirmou o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty. Em coletiva de imprensa conjunta com seu homólogo alemão, Johann Wadephul, Abdelatty declarou que “tiveram uma longa conversa com Steve Witkoff, que é esperado no Egito nas próximas horas”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, foi citado pela agência de notícias AFP afirmando que Israel deveria ter cessado seus ataques a Gaza, em conformidade com o plano de Donald Trump para encerrar a guerra. “Aguardamos os resultados das negociações nos próximos dias sobre o cessar-fogo. Esta pergunta deve ser dirigida primeiramente ao governo de ocupação israelense. Era para realmente cessar fogo se as declarações feitas pelo primeiro-ministro sobre a adesão ao plano de Trump fossem verdadeiras”, disse al-Ansari em Doha.
Em entrevista à Al Jazeera, ele confirmou que a proposta feita pelos líderes árabes e muçulmanos aos EUA foi modificada por Israel antes de ser apresentada ao mundo pelo presidente Trump. “Acredito que o primeiro-ministro do Catar confirmou que houve uma proposta que foi alterada por Israel”, declarou o porta-voz Majed al-Ansari. “Algumas das observações foram adotadas, outras não.” As tensões permanecem altas entre o Catar e Israel após um ataque israelense que visou a liderança do Hamas no mês passado.
Ataques continuam
Ataques israelenses mortais prosseguem na Faixa de Gaza enquanto o conflito atinge a marca de dois anos e ocorrem discussões por um cessar-fogo no enclave. Pelo menos 104 pessoas foram mortas em Gaza pelas forças israelenses desde sexta-feira (3), data em que Trump pediu a Israel que interrompesse sua campanha de bombardeios.
A guerra de Israel em Gaza matou pelo menos 67.173 pessoas e feriu 169.780 desde outubro de 2023. Acredita-se que milhares estejam soterradas sob os escombros. Um total de 1.139 pessoas foram mortas em Israel durante os ataques de 7 de outubro de 2023, e cerca de 200 foram feitas reféns.
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