Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Mundo

Congresso dos EUA avança contra Alexandre de Moraes e amplia tensão com Brasil

Aliança entre bolsonaristas e extremistas de direita nos EUA reforça interferência estrangeira contra a democracia brasileira

Publicado em 26/02/2025 1:45 - Semana On

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A aprovação de um projeto de lei no Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, nesta quarta-feira (26), propõe sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e não pode ser vista como um episódio isolado de discordância diplomática. Trata-se de mais um passo na ofensiva da extrema-direita americana contra as instituições brasileiras, em um claro movimento de ingerência política e tentativa de intimidação do Judiciário.

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

O projeto de lei No Censors on our Shores Act (Sem Censores em Nosso Território), aprovado pelos republicanos do Comitê, visa barrar a entrada nos EUA de qualquer estrangeiro que viole a Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão. O alvo imediato da medida é Alexandre de Moraes, que tem sido o principal protagonista na contenção da disseminação de desinformação e no combate às tentativas de golpe de Estado no Brasil.

Mas essa iniciativa legislativa não se restringe a uma questão jurídica ou diplomática; ela escancara a instrumentalização política de valores democráticos por parte da extrema-direita americana. Os mesmos republicanos que, em solo americano, têm sistematicamente atacado a liberdade de imprensa e os direitos civis agora se apresentam como defensores universais da liberdade de expressão. A hipocrisia é flagrante.

O lobby bolsonarista e a aliança com o trumpismo

A aprovação do projeto de lei no Comitê Judiciário da Câmara foi resultado de uma intensa articulação da extrema-direita brasileira junto a seus aliados nos EUA. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Figueiredo, estiveram à frente desse lobby, percorrendo gabinetes de congressistas republicanos e promovendo um discurso distorcido sobre as ações do STF no Brasil.

A investida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUA não deve ser vista apenas como uma tentativa de vingança contra Alexandre de Moraes, que conduziu investigações contra bolsonaristas envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Trata-se, acima de tudo, de um esforço coordenado para deslegitimar o Judiciário brasileiro e abrir caminho para uma nova tentativa de tomada do poder pela extrema-direita nas eleições presidenciais de 2026.

O movimento tem clara inspiração no trumpismo. Donald Trump, que ainda enfrenta acusações de tentar subverter o resultado das eleições americanas de 2020, transformou o combate às instituições democráticas em um pilar central de sua estratégia política. No Brasil, Jair Bolsonaro e seus aliados replicam essa fórmula, disseminando a ideia de que o sistema eleitoral é fraudulento e que o STF atua como um órgão de censura. A aliança entre bolsonaristas e trumpistas não se dá apenas no campo retórico: ela envolve articulações estratégicas, financiamentos obscuros e tentativas concretas de desestabilização institucional.

A falsa narrativa da censura e a instrumentalização da liberdade de expressão

Os republicanos que aprovaram a proposta contra Moraes alegam que suas ações são uma resposta à “censura” imposta pelo STF a plataformas digitais americanas, como o X (antigo Twitter) e a Rumble. No entanto, a realidade é bem diferente.

A suspensão temporária do X no Brasil em 2024 e a recente decisão de Moraes contra a Rumble não foram medidas arbitrárias para silenciar opositores, mas sim a aplicação da legislação brasileira a empresas que operam no país. Nenhuma dessas plataformas havia indicado um representante legal no Brasil, descumprindo uma exigência básica de funcionamento. Ou seja, as sanções impostas pelo STF não tinham relação com o conteúdo publicado nas redes, mas sim com o descumprimento da lei.

A narrativa de que o Brasil estaria promovendo censura contra empresas americanas é, portanto, uma distorção deliberada da realidade. O que de fato incomoda a extrema-direita dos EUA e seus aliados brasileiros não é a suposta censura, mas sim a contenção da desinformação e da propaganda golpista. O STF, ao combater discursos que atentam contra a democracia, tornou-se um obstáculo para os projetos autoritários da extrema-direita.

Elon Musk e a escalada da ameaça contra Moraes

A ofensiva republicana no Congresso dos EUA contra Alexandre de Moraes foi acompanhada por um ataque direto do bilionário Elon Musk, um dos principais aliados de Trump. Musk sugeriu publicamente que os EUA poderiam confiscar bens do ministro brasileiro, caso ele possuísse propriedades em solo americano.

A declaração de Musk não é apenas uma bravata de redes sociais. O bilionário tem se posicionado como um ator político de extrema influência, utilizando suas plataformas — incluindo o X e a Starlink — para favorecer a agenda da direita radical.

Musk e seus aliados veem na desregulação total das redes sociais uma oportunidade para amplificar discursos extremistas sem qualquer forma de responsabilização. O modelo de moderação de conteúdo adotado pelo Brasil, que busca responsabilizar plataformas por disseminação de desinformação e incitação ao ódio, é visto por esses setores como uma ameaça ao seu poder.

A tentativa de sanções contra Moraes e o próprio ataque pessoal promovido por Musk são, portanto, parte de um esforço mais amplo para deslegitimar qualquer autoridade que imponha limites à ação desenfreada da extrema-direita digital.

Interferência estrangeira e a ameaça à soberania brasileira

O que se vê no caso das sanções contra Alexandre de Moraes é uma tentativa explícita de ingerência política dos EUA nos assuntos internos do Brasil.

Os republicanos que promovem esse ataque não estão apenas legislando sobre um tema de interesse americano, mas buscando ativamente intervir no funcionamento das instituições brasileiras. A extrema-direita dos EUA quer impor seus valores e sua lógica política ao Brasil, desconsiderando completamente a soberania nacional e os princípios do Estado Democrático de Direito.

Se essa ofensiva avançar, o precedente será gravíssimo. Trata-se de uma tentativa de transformar as eleições brasileiras de 2026 em uma extensão da disputa política americana, com republicanos e trumpistas atuando diretamente para favorecer Jair Bolsonaro e seus aliados.

O que está em jogo para o Brasil?

A movimentação da extrema-direita americana contra o STF não pode ser ignorada. Está em curso um projeto global de desestabilização democrática, em que atores como Trump, Musk e Bolsonaro atuam em sintonia para corroer instituições, desacreditar eleições e pavimentar o caminho para regimes autoritários.

Diante dessa ameaça, o Brasil precisa reagir com firmeza. O governo brasileiro não pode aceitar passivamente que congressistas estrangeiros legislem contra ministros do STF e tentem influenciar as decisões de sua Suprema Corte. Mais do que isso, é fundamental que a sociedade civil e as instituições democráticas fiquem atentas às tentativas de importação da cartilha trumpista para o Brasil.

A liberdade de expressão não pode ser usada como escudo para desinformação e ataques golpistas. E a soberania brasileira não pode ser negociada em gabinetes republicanos nos EUA. O STF tem cumprido um papel fundamental na defesa da democracia. A extrema-direita internacional pode espernear, mas não terá o direito de ditar os rumos do Brasil.

Empresa de Trump e Rumble sofrem derrota nos EUA em caso contra Moraes


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *