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Poder
Eduardo Bolsonaro se une a extrema direita trumpista para atacar instituições brasileiras
Publicado em 26/02/2025 8:48 - Semana On
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A recente decisão da Justiça dos Estados Unidos de rejeitar o pedido de liminar da plataforma Rumble e das empresas de mídia ligadas a Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é um capítulo revelador da batalha global entre as instituições democráticas e o avanço da extrema direita internacional.
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Muito além de uma disputa judicial ou de uma questão regulatória, o caso se insere em um contexto mais amplo, no qual a ascensão de movimentos autoritários busca subverter a ordem democrática utilizando redes digitais, desinformação e influência política para enfraquecer governos, manipular a opinião pública e desafiar as instituições.
A ofensiva contra Moraes não é isolada. Ela se desdobra em diferentes frentes – no Judiciário, no Legislativo e até mesmo no campo das sanções internacionais – numa tentativa de retaliação que envolve desde políticos ultraconservadores até bilionários da tecnologia. O objetivo é claro: enfraquecer a autoridade do Supremo Tribunal Federal brasileiro e criar uma narrativa que justifique uma futura escalada autoritária.
Para compreender a gravidade do que está em curso, é necessário analisar o histórico da ofensiva, suas conexões internacionais, seus impactos potenciais e as implicações desse embate para a soberania brasileira e a democracia global.
A ofensiva judicial nos EUA e o fracasso da Rumble
A Rumble, plataforma de vídeos conhecida por abrigar conteúdos de extrema direita e discursos de ódio, deixou o Brasil em dezembro de 2023 após se recusar a cumprir decisões judiciais de remoção de conteúdos considerados ilegais. Enquanto gigantes como Google, Facebook e Twitter seguiram as determinações do STF, a Rumble preferiu confrontar a Justiça brasileira.
Contudo, com a reeleição de Trump nos EUA e o fortalecimento de setores bolsonaristas, a plataforma decidiu retomar suas atividades no Brasil em fevereiro de 2025, reativando contas anteriormente banidas por disseminação de desinformação, como a de Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira.
Diante da reincidência, Alexandre de Moraes determinou que a Rumble indicasse um representante legal no país, conforme previsto na legislação nacional. O prazo não foi cumprido e, em resposta, o serviço foi suspenso. Como retaliação, a plataforma e empresas ligadas a Trump moveram uma ação na Justiça americana para tentar anular as decisões de Moraes em território dos EUA.
O pedido de liminar foi rejeitado por uma corte de Tampa, na Flórida, sob a justificativa de que os documentos não estavam devidamente notificados e que não havia base legal para questionar uma decisão soberana do Judiciário brasileiro. A juíza Mary Scriven indicou que as ordens de Moraes não tinham efeito direto sobre as empresas nos EUA e que a documentação apresentada era insuficiente para sustentar a alegação de censura.
A decisão representou um revés significativo para a extrema direita internacional, que tentou usar o Judiciário americano para deslegitimar o STF. Mas, apesar do fracasso legal, a estratégia política segue em curso – agora focada no Congresso americano e na pressão econômica.
Eduardo Bolsonaro e a conspiração legislativa nos EUA
Paralelamente à investida judicial, Eduardo Bolsonaro, em conjunto com aliados da extrema direita americana, tem trabalhado para transformar Moraes em um inimigo internacional. O deputado brasileiro já realizou três viagens aos EUA desde a posse de Trump para articular uma ofensiva política contra o ministro do STF.
O objetivo é aprovar um projeto de lei que impeça a entrada de Moraes nos Estados Unidos, utilizando a retórica da “defesa da liberdade de expressão”. A deputada republicana María Salazar e o congressista Jim Jordan, aliados de Trump, estão à frente da proposta, que deverá ser votada em comissão do Congresso americano.
A ofensiva se baseia na mesma narrativa usada contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), que foi alvo de sanções americanas após investigar crimes de guerra cometidos por tropas dos EUA. A extrema direita tenta equiparar Moraes a figuras internacionais acusadas de violar direitos humanos, transformando a regulação da desinformação no Brasil em um suposto “ataque à liberdade”.
Mas a conspiração não para por aí. Eduardo Bolsonaro também busca convencer a administração Trump a aplicar sanções contra o Brasil, utilizando a Lei Magnitsky – legislação originalmente criada para punir regimes autoritários, mas que está sendo manipulada para fins políticos.
Trata-se de uma manobra sem precedentes: um parlamentar brasileiro atuando contra os interesses de seu próprio país, pressionando um governo estrangeiro a sancionar autoridades nacionais. A tentativa de internacionalizar a disputa reflete não apenas o desespero do bolsonarismo diante do cerco judicial no Brasil, mas também a ascensão de um novo tipo de guerra híbrida, onde a desinformação e a influência externa são armas para desestabilizar democracias.
Elon Musk e a ameaça ao sistema financeiro
O envolvimento de Elon Musk nesse cenário adiciona um novo nível de complexidade à crise. O bilionário, que se tornou um dos principais aliados da extrema direita global, tem utilizado suas plataformas para amplificar ataques contra Moraes e fomentar desinformação.
Recentemente, Musk questionou nas redes sociais se Moraes possuía propriedades nos EUA, insinuando que poderia apoiar o confisco de seus bens. A mensagem foi rapidamente respondida por Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Figueiredo, que orientou Musk sobre como usar o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) para sufocar financeiramente o ministro do STF.
A sugestão era clara: incluir Moraes na lista de “Cidadãos Especialmente Designados” (SDN), o que levaria bancos internacionais a bloquearem suas contas e ativos. Esse mecanismo, geralmente utilizado contra ditadores e terroristas, seria agora instrumentalizado para atingir uma autoridade judicial de um país democrático.
A troca de mensagens entre Musk e Figueiredo revela a articulação direta entre bilionários da tecnologia e operadores políticos da extrema direita para usar o sistema financeiro global como arma contra adversários políticos. Trata-se de um perigoso precedente, que pode ser replicado contra qualquer juiz, jornalista ou político que enfrente o autoritarismo.
O que está em jogo para o Brasil e para o mundo
A guerra travada contra Alexandre de Moraes é muito mais do que um embate pessoal ou institucional. Ela representa um teste para a resiliência da democracia brasileira e para a capacidade das instituições de resistirem a ataques coordenados em múltiplas frentes – do Judiciário ao Congresso, das redes sociais ao sistema financeiro internacional.
Se Trump e seus aliados conseguirem transformar Moraes em um inimigo internacional, abrirão caminho para novas ofensivas contra juízes, jornalistas e instituições que atuam na defesa da democracia. A manipulação de sanções internacionais, a pressão legislativa e a instrumentalização de bilionários da tecnologia mostram que o embate não se dá apenas no campo jurídico, mas também na economia e na geopolítica.
O Brasil se tornou um laboratório para as novas táticas da extrema direita global. O desfecho desse embate terá consequências não apenas para a política nacional, mas para os rumos da democracia no século XXI. A pergunta que se impõe é: as instituições brasileiras e a comunidade internacional estarão à altura do desafio?
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