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Rejeição da Liga Árabe ao deslocamento forçado de palestinos e as sanções contra o TPI acirram tensão global
Publicado em 14/02/2025 11:14 - Semana On
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A Cisjordânia arde sob o temor de um destino semelhante ao de Gaza. Com as incursões das Forças de Defesa de Israel (IDF) atingindo cidades como Jenin e Tulkarem, a população palestina se vê encurralada entre a destruição de suas casas e a incerteza de um deslocamento forçado. Enquanto isso, a Liga Árabe rejeita veementemente a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de expulsar milhões de palestinos e transformar Gaza em um projeto imobiliário ocidental. Em paralelo, o Tribunal Penal Internacional (TPI) enfrenta retaliações diretas de Washington após a acusação de crimes de guerra contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. As peças do tabuleiro geopolítico se movem rapidamente, e o mundo observa, mais uma vez, a história se repetir em tragédias previsíveis.
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O cenário em Jenin e Tulkarem revela um padrão já conhecido na estratégia militar israelense: incursões maciças sob o pretexto de combate ao terrorismo, resultando na destruição de infraestruturas, remoção forçada de civis e controle militar prolongado. O campo de refugiados de Jenin, reduto da resistência palestina, tornou-se alvo prioritário após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. A ofensiva israelense, intensificada desde janeiro de 2025, tem sido descrita por observadores como uma tentativa de transformar a Cisjordânia em uma segunda Faixa de Gaza – uma área sob contínuo cerco, com infraestrutura devastada e milhões de pessoas privadas de direitos básicos.
“Tem alguém armado aqui?”, questiona Ahmed, um palestino de cadeira de rodas impedido de deixar seu próprio lar pelas forças israelenses. Sua história ecoa a de milhares de refugiados que, após décadas de ocupação, agora veem suas casas serem demolidas sob acusações de abrigar terroristas. A ONU já alertou que mais de 40 mil palestinos foram forçados a deixar suas casas, enquanto a destruição de prédios e estradas tem dificultado até mesmo a fuga das áreas de conflito.
A escalada da repressão na Cisjordânia ocorre paralelamente à posse de Donald Trump, que, em uma de suas primeiras declarações como presidente reeleito, acenou com apoio total à anexação da região por Israel. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, foi taxativo: “O campo de Jenin não voltará a ser o que era. As IDF permanecerão lá para garantir que o terrorismo não volte.” A afirmação, na prática, sinaliza uma mudança irreversível na ocupação da Cisjordânia e o abandono da solução de dois Estados, apoiada pela comunidade internacional há décadas.
O plano Trump e a rejeição árabe
A postura de Trump em relação à questão palestina tem sido marcada pelo desprezo às negociações diplomáticas e pela defesa incondicional dos interesses israelenses. Sua mais recente proposta – deslocar mais de 2 milhões de habitantes de Gaza e transformar a região em um empreendimento turístico ocidental – causou indignação global, sobretudo no mundo árabe.
O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, não deixou dúvidas sobre a rejeição ao plano: “Nós, árabes, lutamos contra essa ideia durante 100 anos e não estamos prontos para nos render agora.” A resistência ao deslocamento forçado de palestinos é uma questão histórica. Desde a Nakba, em 1948, quando cerca de 750 mil palestinos foram expulsos ou fugiram de suas terras após a criação do Estado de Israel, a memória do exílio forçado permanece um dos pilares do sentimento nacional palestino. A possibilidade de uma nova expulsão em massa, agora patrocinada pelos EUA, reacende os traumas do passado e fortalece a unidade árabe contra a proposta de Trump.
O anúncio de uma reunião emergencial da Liga Árabe no Egito, marcada para 27 de fevereiro, sinaliza uma tentativa de construir uma frente diplomática comum contra os desdobramentos da ocupação israelense e o apoio explícito de Washington. Para além da retórica política, a principal preocupação é que, caso o deslocamento forçado avance, os países vizinhos, como Egito e Jordânia, sejam forçados a absorver milhões de refugiados, desestabilizando toda a região.
O cerco ao Tribunal Penal Internacional
A resposta de Trump às acusações de crimes de guerra contra Netanyahu não se limitou a declarações de apoio. O presidente norte-americano sancionou diretamente o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, numa retaliação inédita contra a corte de Haia. A ordem executiva bloqueia os bens do procurador, impede sua entrada nos EUA e restringe qualquer relação financeira de empresas americanas com o TPI.
O motivo da sanção? O indiciamento de Netanyahu e do ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos em Gaza. Em sua acusação, o TPI sustentou que Israel promoveu “um ataque generalizado e sistemático contra a população civil palestina”, incluindo restrições ao fornecimento de água, alimentos e medicamentos, além de ataques a civis e trabalhadores humanitários. O cerco militar imposto a Gaza desde 8 de outubro de 2023 é, segundo a acusação, uma violação flagrante do direito internacional.
A retaliação de Trump ao TPI segue a lógica de seu primeiro mandato, quando já havia declarado que o tribunal não possuía legitimidade para julgar os EUA ou seus aliados. Desta vez, porém, a ofensiva vai além: ao sancionar diretamente um procurador da corte, Washington inaugura um perigoso precedente de pressão econômica e política sobre organismos internacionais de justiça.
O que está em jogo?
Os últimos acontecimentos indicam uma escalada sem precedentes na questão palestina. A anexação da Cisjordânia, o deslocamento forçado de milhões de palestinos e o cerco a instituições internacionais de justiça colocam em xeque os princípios do direito internacional e da autodeterminação dos povos. Enquanto Israel fortalece sua posição com o apoio irrestrito dos EUA, a comunidade internacional enfrenta um dilema: aceitar passivamente a destruição da causa palestina ou enfrentar o custo político e diplomático de um posicionamento mais firme contra Tel Aviv e Washington.
A história já demonstrou que soluções unilaterais, baseadas no uso da força e na ocupação prolongada, não resultam em estabilidade duradoura. A crise atual não é apenas um conflito entre dois povos, mas um teste decisivo para os princípios que regem a ordem global. O que está em jogo não é apenas o futuro da Palestina, mas a credibilidade do direito internacional e da própria ideia de justiça global.
A pergunta que permanece é: até onde o mundo permitirá que a história continue a se repetir?
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