Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Mundo

Brasileiros sequestrados por Israel são recebidos em SP

Nova flotilha é interceptada em águas internacionais: Turquia denuncia pirataria

Publicado em 09/10/2025 2:10 - Semana On

Divulgação Caroline Oliveira/Brasil de Fato

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Treze brasileiros, entre eles a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), desembarcaram nesta quinta-feira (9) no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, após serem sequestrados por Israel durante participação na Flotilha Global Sumud, que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Eles foram presos por seis dias em um presídio de segurança máxima sob acusações de violar o bloqueio naval imposto por Tel Aviv ao território palestino. A deputada e outros ativistas denunciaram casos de tortura física e psicológica, más condições de detenção e confisco de pertences.

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

O grupo, que incluía o ativista Thiago Ávila e a vereadora de Campinas (SP) Mariana Conti (PSOL), foi recebido por familiares, militantes e parlamentares no saguão do aeroporto, com gritos de “Free Palestina” e bandeiras do território ocupado. A delegação brasileira havia sido deportada por Israel via Jordânia, segundo o Ministério das Relações Exteriores, após negociações com as embaixadas brasileiras em Tel Aviv e Amã.

A parlamentar relatou que os detidos foram forçados a permanecer ajoelhados, com as mãos no chão e a cabeça abaixada por mais de uma hora, enquanto o exército israelense cercava a embarcação. “Foi uma situação que caracteriza tortura”, afirmou Luizianne, que mostrou ferimentos no joelho e detalhou episódios de privação de sono, ausência de água potável e celas superlotadas. Segundo ela, mulheres detidas foram agredidas e uma das presas segue em solitária até hoje, após resistir fisicamente à abordagem violenta de um soldado.

“A gente passou por muitas dificuldades, mas temos certeza de que essas dificuldades não chegam nem perto do que o povo palestino sofre todos os dias”, declarou Luizianne Lins, ao desembarcar. Em sua avaliação, a ação israelense se configura como um sequestro, dado que a flotilha navegava com fins humanitários e não portava armamentos.

A Flotilha Global Sumud zarpou de Barcelona no início de setembro com alimentos, medicamentos e ativistas de diferentes nacionalidades, incluindo representantes da América Latina e da Europa, entre eles Mandla Mandela (neto de Nelson Mandela), a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau, e a ativista sueca Greta Thunberg. A missão visava romper simbolicamente o cerco imposto à Faixa de Gaza, classificado como ilegal por diversos órgãos internacionais. A interceptação aconteceu nas imediações da costa palestina, já em águas disputadas, segundo os organizadores.

Apesar da apreensão das embarcações, os ativistas afirmam que parte da carga humanitária chegou aos palestinos. “Enquanto o povo palestino não gerir suas próprias fronteiras, ainda vai precisar de ajuda humanitária. O cerco não acabou, o sofrimento continua”, disse o brasileiro Thiago Ávila. “A Flotilha Sumud vai continuar se mobilizando”, garantiu o ativista, conhecido por ações internacionais de solidariedade.

O médico Mohamad el Kadri, coordenador do Fórum Latino Palestino e um dos detidos, foi ainda mais direto: “Na prisão que estávamos, palestinos foram torturados até a morte. Eles queriam fazer isso conosco também. Mas a corrente internacional nos deu força. O povo palestino precisa dessa força”. O caso lança luz sobre a repressão sistemática a iniciativas de solidariedade internacional e sobre o endurecimento da resposta israelense mesmo a ações civis e desarmadas.

Desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.219 pessoas, o país intensificou sua ofensiva sobre Gaza. A resposta militar israelense já deixou ao menos 66.225 mortos no enclave palestino — a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, cujos números são considerados confiáveis pela ONU. A região vive sob bloqueio naval, terrestre e aéreo imposto por Israel desde 2007, prática condenada por diversas resoluções das Nações Unidas.

De acordo com o relator especial da ONU para os territórios palestinos, Michael Lynk, o bloqueio constitui uma forma de punição coletiva, proibida pelo direito internacional. Em relatório de 2021, Lynk escreveu: “O bloqueio é uma violação clara e direta da Quarta Convenção de Genebra. Nenhuma segurança é obtida à custa da dignidade humana”. A fonte é o relatório oficial da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados.

O Itamaraty ainda não se pronunciou oficialmente sobre as denúncias de tortura. A Embaixada de Israel no Brasil também não respondeu aos pedidos de esclarecimento enviados pela imprensa. Caso se manifeste, este texto será atualizado.

O episódio reacende o debate sobre o papel do Brasil na crise humanitária em Gaza e evidencia os riscos enfrentados por ativistas internacionais que desafiam o cerco israelense — cada vez mais agressivo e respaldado pela aliança geopolítica com os Estados Unidos e pela inação de organismos multilaterais. Até o momento, não há indícios de que o bloqueio de Gaza será revisto no curto prazo, mesmo com os frequentes apelos de agências como a ONU, Cruz Vermelha e Human Rights Watch.

https://youtu.be/3YonwkdqiNM

Nova flotilha é interceptada em águas internacionais: Turquia denuncia pirataria

Outra flotilha humanitária com destino à Faixa de Gaza foi interceptada pela Marinha israelense em águas internacionais, a aproximadamente 110 milhas náuticas (204 km) da costa palestina. A operação, confirmada pelo governo de Israel e pela organização Road to Gaza, resultou no sequestro de 140 ativistas, incluindo jornalistas, médicos e parlamentares de diferentes países, entre eles a espanhola Jimena González, do partido Más Madrid.

Os nove navios da chamada “Flotilha da Liberdade”, que zarpou da Itália no final de setembro, buscavam romper simbolicamente o bloqueio naval imposto por Israel desde 2007 — classificado como ilegal por juristas internacionais e por diversas resoluções da ONU. A organização denunciou a detenção de tripulações desarmadas e a apreensão de ajuda humanitária avaliada em mais de 95 mil euros, incluindo medicamentos, equipamentos respiratórios e suprimentos destinados a hospitais da Faixa de Gaza, hoje em colapso estrutural.

Segundo a Road to Gaza, os primeiros veleiros — “Thousand Madleens” e “Conscience” — foram abordados a cerca de 120 milhas náuticas da costa de Gaza, sendo seguidos pelos demais navios logo depois. Apesar de o governo israelense ter declarado que os passageiros “estão seguros e com boa saúde”, não há garantias sobre a devolução da carga humanitária nem acesso das vítimas a representação legal internacional.

A reação mais contundente partiu do governo da Turquia, que classificou a ação como um “ato de pirataria”. Em nota oficial, o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco denunciou a violação do direito internacional e lembrou que parlamentares turcos estavam entre os detidos. “A intervenção em águas internacionais é uma afronta ao direito marítimo e aos princípios humanitários básicos”, declarou o governo de Ancara, que já havia rompido relações diplomáticas com Israel após o ataque à flotilha Mavi Marmara, em 2010 — episódio que deixou nove ativistas mortos.

A repetição do padrão de detenções sem processo legal, somada à destruição da carga de ajuda humanitária, intensifica as denúncias internacionais de que Israel vem tratando ações civis e humanitárias como ameaças militares.

A nova interceptação acontece em um momento em que a crise humanitária em Gaza se agrava rapidamente. Desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que matou 1.219 pessoas, segundo dados oficiais israelenses, a resposta militar de Israel já provocou mais de 66 mil mortes na Faixa de Gaza, majoritariamente civis, conforme o Ministério da Saúde local, com dados considerados confiáveis pela ONU. Mas os números de vítimas pode passar de 300 mil.

Além das mortes, a ofensiva israelense devastou a infraestrutura civil de Gaza — hospitais, escolas, sistemas de água e energia foram destruídos em ataques aéreos sistemáticos. A população enfrenta escassez total de alimentos, água potável, medicamentos e eletricidade, como já alertaram o Programa Mundial de Alimentos, a Unicef e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Em relatório de maio de 2024, a Human Rights Watch afirmou que o bloqueio e os ataques configuram “punição coletiva”, prática proibida pelas Convenções de Genebra. A organização também cobrou a responsabilização de autoridades israelenses por possíveis crimes de guerra.

A política de repressão a flotilhas humanitárias, mesmo quando realizadas por civis desarmados com respaldo internacional, reforça o isolamento imposto a Gaza e aprofunda a marginalização de esforços de solidariedade global. Ativistas e parlamentares que participaram da missão voltam aos seus países denunciando abusos sistemáticos, tortura, condições desumanas de cárcere e violação de princípios básicos do direito internacional.

Trump empurra os EUA para o abismo autoritário


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *