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Mundo
Russos enviam Petróleo, Mexicanos donativos e China condena embargo de Trump
Publicado em 19/03/2026 6:22 - Semana On
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O Brasil enviou 20 mil toneladas de arroz, outros alimentos e medicamentos para Cuba. O objetivo é atenuar a crise na ilha, causada pelo bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos. O envio acontece pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), segundo o Ministério das Relações Exteriores.
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O carregamento inclui 20 mil toneladas de arroz em casca, outras 150 toneladas de arroz descascado, 150 toneladas de feijão preto e 500 toneladas de leite em pó. Medicamentos já chegaram por via aérea.
“Esta é uma preocupação constante do Brasil, ao ver que a população está realmente sofrendo, por isso estamos realizando várias doações, quer de medicamentos quer de alimentos”, afirmou a diplomata Gisela Padovan.
No início do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a falta de ajuda internacional para Cuba, falando em “perseguição ideológica”.
“Não vamos ajudar Cuba porque Cuba é um país comunista?”, questionou. “Cuba está passando fome porque não querem que Cuba tenha certas coisas que todo mundo deveria ter direito.”
A primeira delegação de um comboio chamado “Nossa América” chegou a Cuba na quarta-feira (19/03), com cinco toneladas de material médico provenientes da Itália. O grupo é composto por 120 representantes de 19 países, 50 associações e coletivos, 13 movimentos políticos ou sindicatos, além de quatro eurodeputados.
Cuba encontra-se no meio de uma profunda crise econômica e social há seis anos, que se agravou desde janeiro.
A pressão energética começou em 03 de janeiro, quando a ilha caribenha deixou de receber petróleo da Venezuela. A mudança logo ocorreu após os Estados Unidos capturarem Nicolás Maduro, levando-o do Palácio de Miraflores a uma prisão em território americano.
Petroleiro russo segue para Cuba com 730 mil barris de petróleo
O petroleiro russo Anatoly Kolodkin está a caminho de Cuba, com cerca de 730 mil barris de petróleo bruto, para ajudar no abastecimento energético da ilha caribenha.
Segundo rastreamento da empresa marítima Kpler, divulgado nesta terça-feira (18/03), a embarcação partiu do porto russo de Primorsk, no último dia 8, e deve chegar ao terminal de Matanzas por volta de 23 de março.
Além do Anatoly Kolodkin, outro navio, o Sea Horse, com bandeira de Hong Kong, também foi rastreado transportando cerca de 200 mil barris de diesel, procedentes de outro navio, em direção ao Caribe.
Segundo a análise marítima, a embarcação saiu do Mediterrâneo em 13 de fevereiro, seguindo uma rota errática e, agora, encontra-se a 1.500 km da costa cubana, podendo chegar em cinco dias na ilha.
Ambas as embarcações estão sujeitas às sanções impostas pelos Estados Unidos contra qualquer país que comercializar com a ilha. No caso do petroleiro russo, pesam sanções Washington, da União Europeia e do Reino Unido.
O envio do combustível visa socorrer Cuba em meio à grave crise, marcada por apagões e escassez de combustível, desde o início do bloqueio energético imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 9 de janeiro.
Ajuda humanitária
Enquanto isso, a primeira operação do Comboio Nossa América levando ajuda humanitária chegou a Cuba na quarta-feira (18), com suprimentos, medicamentos e equipamentos estratégicos, como painéis solares e sistemas fotovoltaicos. A iniciativa é da Internacional Progressista e reúne delegados de 19 países europeus, entre ativistas, organizações sociais e cidadãos.
No próximo sábado (23) nova leva de suprimentos chegará ao país, com participação da delegação brasileira. O objetivo é entregar à ilha 20 toneladas de suprimentos. Também se soma ao esforço outra flotilha com donativos do México.
A ação é inspirada na Flotilha Global de Sumud, que tentou romper o bloqueio israelense em Gaza, em 2025.
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel agradeceu pela “ternura dos povos”, como qualificou o apoio internacional. “A solidariedade sempre retorna àqueles que a praticam com nenhum outro interesse além do bem-estar humano”, declarou.
China rechaça endurecimento do bloqueio
A China reafirmou na segunda-feira (16) seu firme apoio ao governo cubano diante do endurecimento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos e condenou as medidas coercitivas que violam a soberania e o direito à sobrevivência do povo cubano.
Durante uma conferência de imprensa realizada em Havana, o embaixador da China em Cuba, Hua Xin, opôs-se à pressão e coerção externas sobre a ilha e denunciou as restrições ilegais impostas pelos Estados Unidos a Cuba há mais de 60 anos, que causaram imenso sofrimento ao povo cubano.
Ele também enfatizou que o recente bloqueio às importações de petróleo viola gravemente o direito do povo cubano à sobrevivência e ao desenvolvimento. “A China se opõe firmemente a isso e o condena veementemente”, afirmou o diplomata.
Em relação ao diálogo bilateral entre Havana e Washington, Hua Xin observou que a China compreende e respeita essas conversas. Além disso, apoia a posição de Cuba de promover o diálogo com base na igualdade. Essa postura respeita os sistemas políticos, a soberania e a autodeterminação. “A China está disposta a continuar cooperando com Cuba na defesa de sua soberania nacional e apoia firmemente a ilha no caminho do desenvolvimento socialista, de acordo com suas condições nacionais”, enfatizou.
“A China sempre defendeu que a América Latina e o Caribe formam uma grande família de nações soberanas e independentes”, afirmou. Ele acrescentou que, de forma alguma, são quintal de qualquer outro país.
Ele criticou os Estados Unidos por se apegarem à obsoleta Doutrina Monroe e por generalizarem excessivamente a segurança nacional . Ele acredita que, por meio de táticas de pressão, os EUA estão dificultando a cooperação normal entre a China e a região. “Na arena internacional do século XXI, os velhos roteiros do século XIX não devem ser repetidos “, declarou.
Trump diz que fará o que quiser com Cuba
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira (16), na Casa Branca, respondendo a perguntas de repórteres: “Toda a minha vida ouvi falar de Cuba e dos EUA. Quando os EUA iriam fazer isso? Acho que terei… a honra de tomar Cuba. Seja libertando-os, tomando-os — acho que poderei fazer o que quiser com eles, para dizer a verdade. Eles são uma nação muito fragilizada agora”.
Trump já havia mencionado, na semana passada, que os Estados Unidos estão em diálogo com o país caribenho e que um possível acordo dependeria da concordância da liderança cubana. Segundo uma autoridade da Casa Branca, o presidente avalia que esse entendimento poderia ser alcançado com facilidade.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou na sexta-feira (13) que seu governo iniciou conversas com Washington. As negociações ocorrem em meio ao bloqueio de petróleo imposto pelos EUA, medida que tem agravado a crise econômica no país.
De acordo com a autoridade americana, as tratativas continuam, e a expectativa do governo dos EUA é de que a liderança cubana aceite um acordo considerado viável pela administração Trump.
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