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Tentativa de influenciar eleição de 2026 leva parlamentares brasileiros a agirem contra os interesses do país
Publicado em 27/02/2025 11:37 - Semana On
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A recente escalada de tensões entre Brasil e Estados Unidos não é um episódio isolado, mas sim um sintoma de um fenômeno político global: a ascensão de uma “Internacional da Extrema Direita”, que tem como principais articuladores Donald Trump, Steve Bannon, Elon Musk e uma rede de financiadores e influenciadores que disseminam teorias conspiratórias, minam instituições democráticas e buscam controlar a narrativa pública por meio das plataformas digitais.
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No epicentro dessa disputa está a regulação das redes sociais e a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na repressão de discursos de ódio e campanhas de desinformação. Para Trump e seus aliados, qualquer controle sobre as big techs representa uma ameaça direta à sua estratégia de mobilização digital. No Brasil, isso se traduz em um ataque sistemático ao Judiciário, sob a justificativa de que há uma suposta censura contra vozes conservadoras. O que está em jogo, no entanto, não é a liberdade de expressão, mas sim a instrumentalização do espaço digital como arma política.
O Departamento de Estado norte-americano e parlamentares republicanos têm intensificado pressões sobre o Brasil, ameaçando sanções contra autoridades nacionais que “violaram” liberdades civis. Essa movimentação não ocorre em um vácuo: trata-se de uma tentativa de influenciar a eleição de 2026, garantindo um ambiente mais favorável à disseminação de conteúdos bolsonaristas e à radicalização política. Se bem-sucedida, essa ofensiva pode reconfigurar o cenário político brasileiro e enfraquecer instituições democráticas já fragilizadas pelos ataques de janeiro de 2023.
Uma estratégia global de desestabilização
A aliança entre setores da extrema direita brasileira e os republicanos trumpistas insere-se em um movimento mais amplo, que busca consolidar governos ultraconservadores em diferentes partes do mundo. A vitória de Javier Milei na Argentina, o fortalecimento da direita nacionalista na Europa e a possível volta de Trump ao poder em 2024 indicam um cenário de retrocesso democrático que pode impactar o Brasil de maneira decisiva.
O modus operandi dessa rede global é claro: descredibilizar instituições democráticas, espalhar desinformação e enfraquecer o papel do Estado na regulação das grandes plataformas digitais. Steve Bannon, um dos estrategistas desse movimento, já declarou que a guerra política do século XXI será travada nas redes sociais. No Brasil, o bolsonarismo seguiu essa cartilha com precisão, transformando aplicativos como WhatsApp, Telegram e X (antigo Twitter) em campos de batalha ideológicos.
A influência externa sobre o Brasil já se manifestou de maneira concreta. O Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA aprovou recentemente o projeto de lei “No Censors on Our Shores Act”, que prevê sanções contra autoridades de países que regularem plataformas digitais norte-americanas. Essa legislação tem como alvos implícitos países como Brasil e União Europeia, que buscam impor regras mais rígidas para combater fake news e discursos de ódio online.
Nesse sentido, figuras como Eduardo Bolsonaro atuam como verdadeiros agentes dessa “Internacional da Extrema Direita”. Em suas visitas frequentes aos Estados Unidos, Eduardo tem feito lobby para que parlamentares republicanos pressionem o governo Lula e enfraqueçam o STF. O próprio Steve Bannon já reconheceu o filho de Jair Bolsonaro como um dos “principais articuladores da nova direita global”, evidenciando seu papel na ofensiva contra o regime democrático brasileiro.
O papel das big techs e a batalha pelo controle da informação
A ofensiva contra a regulação digital no Brasil tem um elemento crucial: a proteção dos interesses financeiros das big techs norte-americanas. Empresas como Meta, Google e X operam sob o princípio da autorregulação, evitando a todo custo qualquer tipo de interferência estatal que limite sua capacidade de lucrar com conteúdos virais – mesmo que esses conteúdos incluam desinformação, discursos de ódio ou incitação à violência.
Elon Musk, proprietário da X, tem sido um dos principais atores nessa disputa. Desde que assumiu o controle da plataforma, Musk adotou um discurso radical contra qualquer tipo de regulação e permitiu o retorno de contas que haviam sido suspensas por violar políticas de moderação. No Brasil, isso se traduziu na reativação de perfis bolsonaristas que fomentaram ataques ao STF e ao governo Lula.
O interesse de Musk na manutenção de um ambiente digital sem controle vai além do Brasil. Nos Estados Unidos, ele tem se posicionado abertamente a favor de Trump e contra qualquer tentativa de impor regras mais rígidas às redes sociais. A estratégia é clara: garantir que as plataformas digitais continuem sendo espaços propícios à radicalização política e à propagação de discursos extremistas.
A hipocrisia da liberdade de expressão no discurso de Trump
A narrativa de que há uma “censura” no Brasil esconde uma contradição flagrante: os mesmos setores que defendem a liberdade de expressão nas redes sociais apoiam a repressão à imprensa tradicional e ao pensamento crítico. Donald Trump, que se apresenta como um defensor da liberdade, já ameaçou processar veículos de comunicação que utilizam fontes anônimas e prometeu reprimir jornalistas caso retorne ao poder.
O caso de Jeff Bezos, proprietário do The Washington Post, ilustra bem essa hipocrisia. Durante a administração Trump, o jornal foi alvo de ataques sistemáticos por publicar reportagens investigativas que expunham escândalos da Casa Branca. Enquanto isso, plataformas digitais que lucram com desinformação são protegidas em nome da liberdade de expressão.
No Brasil, a Constituição assegura o sigilo da fonte e garante a liberdade de imprensa de maneira mais robusta do que nos Estados Unidos. O discurso de Trump e seus aliados, portanto, não visa proteger liberdades individuais, mas sim garantir que um determinado grupo político tenha total controle sobre a informação.
A soberania brasileira em risco
O conceito de soberania nacional é um dos pilares fundamentais do direito internacional e da governança democrática. Ele garante que um Estado tenha autoridade suprema sobre seu território, sua legislação e suas decisões políticas, sem interferência externa indevida. No entanto, no Brasil contemporâneo, esse princípio está sob ataque – não por forças externas convencionais, mas por atores internos que agem em conluio com interesses estrangeiros.
Eduardo Bolsonaro e Marcos do Val têm protagonizado ações que colocam em risco a soberania nacional, operando como intermediários de uma agenda ultraconservadora transnacional liderada pelos Estados Unidos. Enquanto Eduardo Bolsonaro atua como um agente do bolsonarismo global, fazendo lobby para que congressistas republicanos pressionem o governo brasileiro e enfraqueçam o STF, Marcos do Val foi além: chegou ao ponto de sugerir publicamente uma intervenção militar estrangeira no Brasil. Esses atos não são apenas retóricos – eles têm consequências políticas e diplomáticas profundas, que podem comprometer a autonomia do Brasil no cenário internacional.
Desde a ascensão de Jair Bolsonaro ao poder em 2018, Eduardo Bolsonaro consolidou sua posição como principal articulador da extrema direita global dentro do Brasil. Membro da “Internacional da Extrema Direita”, um movimento coordenado por figuras como Donald Trump, Steve Bannon e Viktor Orbán, Eduardo desempenha um papel estratégico na exportação da ideologia bolsonarista e na importação de táticas políticas autoritárias.
Um dos principais focos de sua atuação é o lobby junto a parlamentares republicanos nos Estados Unidos. Desde 2023, Eduardo tem feito viagens frequentes a Washington, onde se reúne com congressistas alinhados ao trumpismo, buscando apoio para pressionar o governo Lula. Essas articulações culminaram na aprovação, no Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA, do projeto de lei “No Censors on Our Shores Act”, que prevê sanções contra autoridades estrangeiras que regularem plataformas digitais norte-americanas.
Essa iniciativa atende diretamente aos interesses das big techs e da extrema direita digital, que se beneficiam de um ambiente sem regulação para espalhar desinformação e radicalizar o debate político. Ao trabalhar para que os Estados Unidos interfiram na política interna brasileira, Eduardo não apenas viola o princípio da autodeterminação nacional, mas também colabora ativamente para enfraquecer as instituições democráticas do Brasil.
Outro ponto central da atuação de Eduardo é a instrumentalização do discurso da liberdade de expressão como pretexto para minar o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele tem se empenhado em convencer políticos republicanos e líderes conservadores internacionais de que há uma suposta “censura” no Brasil, omitindo o fato de que as ações do Judiciário visam combater fake news, discursos de ódio e tentativas de golpe de Estado – como as que ocorreram nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Essa estratégia é idêntica à utilizada por Donald Trump nos Estados Unidos, onde o ex-presidente alega que há perseguição política contra seus apoiadores enquanto, ao mesmo tempo, defende medidas que cerceiam a liberdade de imprensa e criminalizam opositores.
Marcos Do Val: o apelo à intervenção estrangeira
Se Eduardo Bolsonaro atua como um diplomata informal da extrema direita, Marcos do Val optou por um caminho ainda mais radical e escandaloso: sugeriu abertamente que os Estados Unidos deveriam intervir militarmente no Brasil para “resgatar a democracia”.
Essa declaração, feita por um senador da República, é uma afronta direta à soberania nacional e um ato que, em muitos países, poderia ser classificado como traição. O pedido de intervenção estrangeira não é apenas uma manifestação de ignorância geopolítica – é um gesto deliberado de submissão a uma potência estrangeira, algo que contraria princípios básicos da Constituição Federal de 1988.
Historicamente, o Brasil tem uma tradição de independência diplomática, marcada pelo princípio da não intervenção em assuntos internos de outros países e pela defesa do multilateralismo. O pedido de Marcos do Val rompe com essa tradição e ecoa um passado sombrio em que setores das Forças Armadas e da elite política recorreram aos Estados Unidos para minar governos democraticamente eleitos, como ocorreu no golpe de 1964.
A sugestão de uma intervenção estrangeira no Brasil não pode ser vista apenas como um ato isolado de um parlamentar descontrolado. Ela reflete um movimento mais amplo de desestabilização institucional promovido pela extrema direita, que, diante da impossibilidade de retomar o poder por vias democráticas, busca apoio externo para sabotar o governo vigente.
As consequências diplomáticas e jurídicas
A tentativa de Eduardo Bolsonaro e Marcos do Val de envolver os Estados Unidos em disputas políticas internas pode ter graves repercussões diplomáticas. O governo Lula já sinalizou que não aceitará pressões externas e que buscará reforçar sua posição de liderança regional, especialmente no âmbito do Mercosul e dos BRICS.
No entanto, essas ações também podem resultar em consequências jurídicas para os envolvidos. Deputados como Guilherme Boulos (PSOL) e Rogério Correia (PT) já acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar Eduardo Bolsonaro por crime contra a soberania nacional. Se considerado culpado, ele pode enfrentar sanções severas, incluindo a cassação do mandato e até mesmo processos criminais por atentar contra a integridade do país.
Além disso, Marcos do Val pode ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional, que prevê punições para atos que ameacem a independência do Brasil ou atentem contra suas instituições democráticas. Em qualquer país democrático, um pedido de intervenção militar estrangeira seria tratado como um escândalo de proporções inimagináveis. No Brasil, no entanto, a radicalização política tornou normal aquilo que deveria ser inaceitável.
O que está em jogo?
A ofensiva de setores da direita contra a soberania brasileira não é um episódio isolado. Trata-se de um movimento articulado que visa transformar o Brasil em um satélite da extrema direita global, subordinando sua política externa e sua governança digital aos interesses de Washington e do trumpismo.
O que está em jogo é muito mais do que a eleição de 2026. O Brasil precisa decidir se seguirá um caminho de independência política e fortalecimento institucional ou se permitirá que sua soberania seja corroída por forças externas e por agentes internos que agem como cúmplices de interesses estrangeiros.
Diante desse cenário, a defesa da democracia e da autonomia nacional deve ser uma prioridade absoluta. A soberania não se protege apenas com discursos – ela exige ação. E essa ação deve vir não apenas das instituições, mas também da sociedade civil, que precisa estar atenta para impedir que o país se torne refém de um projeto autoritário global.
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