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Mortes de crianças no Irã e no Líbano expõem a face mais dura deste conflito
Publicado em 11/03/2026 12:31 - Semana On
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A guerra no Oriente Médio chegou ao 12º dia nesta quarta-feira (11) com uma nova escalada militar no Golfo Pérsico e crescente preocupação internacional sobre a segurança do fornecimento global de energia. O Irã realizou ataques com drones contra ao menos três navios mercantes que navegavam na região, reforçando a pressão sobre o estreito de Ormuz — corredor marítimo por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito comercializado no planeta.
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Um dos cargueiros atingidos, que navegava sob bandeira da Tailândia, sofreu um incêndio a bordo nas proximidades de Omã e precisou ser evacuado. Os outros dois navios tiveram danos considerados menores e foram conduzidos a portos nos Emirados Árabes Unidos. O episódio intensifica a sensação de vulnerabilidade em uma das rotas comerciais mais estratégicas do mundo.
Petróleo sob pressão e ameaça de choque de preços
Em meio ao aumento das tensões, autoridades iranianas passaram a sinalizar que o conflito pode atingir diretamente o mercado energético global. O porta-voz militar do país, Ebrahim Zolfaqari, afirmou que o preço do petróleo pode disparar caso a segurança regional continue deteriorando. “Preparem-se para o barril a US$ 200, porque o preço depende da estabilidade que vocês desestabilizaram”, declarou.
O barril do petróleo Brent opera atualmente acima de US$ 90. No início da semana, as cotações chegaram a se aproximar de US$ 120, refletindo a volatilidade provocada pelo avanço da guerra.
A reação americana contribuiu para elevar o nível de confronto no Golfo. Na terça-feira (10), o Pentágono anunciou que forças dos Estados Unidos afundaram 16 embarcações iranianas utilizadas para o lançamento de minas marítimas. Segundo Washington, a operação buscou impedir novas ações contra a navegação comercial, especialmente após parte significativa da Marinha iraniana ter sido neutralizada.
Estreito de Ormuz torna-se epicentro estratégico
O estreito de Ormuz consolidou-se como um dos principais focos da guerra. O Irã reforçou sua presença militar na região, instalando pelo menos 16 bases ao longo da costa norte e em ilhas estratégicas. Imagens de satélite indicam que forças americanas já atacaram cerca de dez dessas posições.
A instabilidade também se espalha para países vizinhos. Nos Emirados Árabes Unidos, um ataque com drones nas proximidades do aeroporto de Dubai deixou quatro feridos e afetou parcialmente as operações do terminal. No Bahrein — sede da Quinta Frota dos Estados Unidos — o aeroporto internacional voltou a ser alvo de ofensivas iranianas. No início do conflito, em 28 de fevereiro, um radar avaliado em cerca de US$ 1,1 bilhão havia sido destruído em uma base naval americana no país.
Pressão econômica como estratégia de guerra
Sob forte pressão militar de Estados Unidos e Israel, Teerã tem apostado na instabilidade do mercado energético como instrumento estratégico. Mesmo sem capacidade de enfrentar diretamente seus adversários em escala convencional, o país mantém meios capazes de afetar profundamente o fluxo global de petróleo.
As declarações políticas reforçam a perspectiva de um conflito prolongado. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que as operações militares seguirão “sem qualquer limite de tempo”. Já a Guarda Revolucionária iraniana declarou que continuará lutando “até que a sombra da guerra seja removida”.
Arábia Saudita busca alternativas para exportações
A Arábia Saudita acompanha a crise com preocupação crescente. Cerca de 90% da produção petrolífera do país depende da rota que atravessa o estreito de Ormuz. Após sofrer ataques na noite de terça-feira, Riad avalia ampliar o uso de oleodutos que conectam os campos petrolíferos ao mar Vermelho, reduzindo a dependência da passagem pelo Golfo.
A estatal Saudi Aramco alertou que um prolongamento do conflito pode provocar uma “tragédia” para o mercado energético mundial.
Alvos estratégicos ainda preservados
Apesar da intensidade das operações militares, analistas observam que Estados Unidos e Israel ainda evitam atacar diretamente a ilha iraniana de Kargh, principal terminal de exportação de petróleo do país. A instalação responde por cerca de 80% a 90% das vendas iranianas da commodity pelo Golfo.
Um ataque contra essa infraestrutura poderia provocar efeitos econômicos ainda mais amplos, especialmente pelo impacto sobre a China — principal compradora de petróleo iraniano com desconto. Em 2025, Pequim importou quase 15% de seu consumo da commodity de Teerã.
Conflito se espalha pela região
Os confrontos continuam em diversas frentes. Bombardeios americanos atingiram instalações ligadas ao programa iraniano de mísseis balísticos, inclusive com aeronaves que partiram de bases anteriormente restritas no Reino Unido.
Segundo o governo iraniano, mais de 1.300 pessoas morreram no país desde o início da guerra. O Crescente Vermelho informou que 19.734 edifícios civis foram danificados, incluindo 77 unidades de saúde e 65 escolas.
Israel, por sua vez, anunciou novos ataques contra alvos em Teerã e posições do Hezbollah em Beirute. O grupo libanês, aliado do Irã, respondeu com lançamentos de foguetes contra regiões do norte e do centro de Israel.
No Líbano, os confrontos já provocaram ao menos 570 mortes. O governo libanês chegou a tentar intermediar negociações entre Irã e Israel, mas as tratativas fracassaram diante da rápida escalada militar.
Com a ampliação dos ataques e a ameaça crescente ao estreito de Ormuz, o conflito passa a ter impactos que vão além do campo militar — atingindo diretamente a estabilidade energética e econômica global.
Resistência iraniana expõe limites da estratégia americana
A continuidade dos confrontos e a capacidade do Irã de sustentar ações militares e econômicas têm aumentado a pressão internacional sobre os Estados Unidos para buscar uma saída negociada para o conflito. Avaliações de especialistas indicam que, diante do custo estratégico e das repercussões sobre o mercado energético, a Casa Branca enfrenta dificuldades para atingir um dos objetivos implícitos da ofensiva — uma eventual mudança de regime em Teerã.
O cientista político e analista de geopolítica Ali Ramos afirma que a estratégia militar norte-americana encontrou obstáculos relevantes, tanto no terreno quanto no plano logístico. Segundo ele, operações iranianas teriam comprometido parte da rede regional de radares utilizada pelos Estados Unidos para monitorar lançamentos de mísseis no Oriente Médio.
Relatos baseados em análises de imagens de satélite e vídeos indicam que sistemas instalados em países como Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos teriam sido afetados por ataques iranianos. Esses equipamentos integram a estrutura de alerta antecipado que auxilia a interceptação de mísseis direcionados a Israel e a bases militares na região.
De acordo com Ramos, a degradação desse sistema de vigilância pode reduzir o tempo de reação das defesas aéreas e ampliar a vulnerabilidade de aliados de Washington. “Com parte dessa rede comprometida, aumenta o risco de ataques bem-sucedidos e diminui o tempo de alerta para interceptação”, afirma.
Pressão diplomática cresce entre aliados do Golfo
O prolongamento das hostilidades também provoca inquietação entre países do Golfo Pérsico, que temem o agravamento da instabilidade regional e seus efeitos econômicos. Autoridades de governos aliados dos Estados Unidos passaram a defender publicamente uma solução diplomática.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, afirmou que uma interrupção dos ataques e a retomada das negociações seriam medidas essenciais para preservar a estabilidade regional e internacional. Segundo ele, a retomada do diálogo atenderia “aos interesses dos povos da região e da segurança econômica global”.
Expectativas frustradas sobre mudança política em Teerã
Especialistas também apontam que parte da estratégia inicial de Washington apostava em um rápido enfraquecimento da liderança iraniana. O professor de relações internacionais do Ibmec São Paulo, Alexandre Pires, avalia que havia expectativa de desestabilização política após ataques direcionados à estrutura de comando do regime.
Segundo ele, no entanto, o governo iraniano demonstrou maior capacidade de adaptação do que o previsto. A rápida reorganização da liderança política e militar do país sinaliza continuidade institucional, mesmo diante da pressão externa.
“A resiliência do sistema político iraniano surpreendeu parte dos analistas. O regime conseguiu manter sua estrutura de comando e transmitir a mensagem de continuidade”, explica Pires.
Impacto do petróleo amplia custos políticos
Além do campo militar, o conflito também passou a produzir efeitos internos e externos para os Estados Unidos por meio da volatilidade no mercado de energia. A elevação dos preços do petróleo pressionou governos aliados e também repercute na política doméstica americana, onde o aumento do preço dos combustíveis se tornou tema sensível.
Segundo Pires, esse cenário contribuiu para ajustes táticos na política externa de Washington, incluindo a flexibilização de algumas restrições ao petróleo russo como forma de aliviar a pressão sobre o mercado global.
“A expectativa inicial era de um conflito mais curto. À medida que o tempo passa e os impactos econômicos crescem, aumenta o incentivo para redirecionar a estratégia”, afirma.
Divergências sutis entre Washington e Tel Aviv
Analistas também observam sinais de possíveis diferenças de ritmo entre Estados Unidos e Israel quanto à duração da campanha militar. Enquanto Washington enfrenta pressões diplomáticas e econômicas crescentes, o governo israelense indica interesse em prolongar as operações para reduzir a capacidade militar iraniana.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, declarou recentemente que o país não busca um conflito indefinido, mas ressaltou que qualquer decisão sobre encerramento das operações será discutida com os Estados Unidos.
Declarações de Trump indicam tentativa de encerrar conflito
Em meio ao debate estratégico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista ao site Axios que a guerra pode terminar “em breve”, alegando que grande parte das capacidades militares iranianas já teria sido neutralizada.
“Quando eu quiser que isso acabe, vai acabar”, disse o presidente americano.
Trump também reiterou a narrativa de que a infraestrutura militar iraniana teria sido amplamente destruída, incluindo forças navais, sistemas de comunicação e fábricas de drones.
Autoridades iranianas contestaram as declarações. O porta-voz da Guarda Revolucionária, Ali Mohammad Naini, afirmou que Washington estaria utilizando “pressão psicológica” ao minimizar a capacidade militar do país e garantiu que as forças iranianas continuarão combatendo.
Conflito ainda sem desfecho claro
Mesmo diante das declarações sobre um possível encerramento próximo da guerra, líderes israelenses sinalizam que a campanha militar ainda está em curso. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as operações continuarão enquanto houver capacidade de enfraquecer a liderança iraniana.
Para analistas, o resultado do conflito poderá alterar significativamente o equilíbrio estratégico no Oriente Médio. Caso o governo iraniano sobreviva à ofensiva mantendo capacidade de resposta, a percepção de segurança garantida pelos Estados Unidos na região poderá ser colocada em xeque.
Segundo Ali Ramos, esse cenário já começa a influenciar a política de defesa de países do Golfo, alguns dos quais passaram a buscar novas parcerias militares fora do eixo tradicional liderado por Washington.
“O desfecho dessa guerra pode redesenhar a arquitetura de segurança regional”, conclui.
Ações de Israel no Líbano deslocam 667 mil pessoas
Os ataques e as ordens de evacuação em massa de Israel no Líbano forçaram o deslocamento de 667 mil pessoas de suas residências em apenas uma semana do conflito, que envolve também o grupo xiita Hezbollah.
A estimativa da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) é baseada nos registros de deslocados em plataforma online do governo libanês. A representante da Acnur no Líbano, Karolina Lindholm, disse que houve “um aumento de mais de 100 mil em apenas um dia – e os números continuam a subir”.
A organização não governamental (ONG) Human Rights Watch acusa Israel de usar fósforo branco em áreas residenciais do sul do Líbano, na cidade de Yohmor. A substância tóxica é usada militarmente pra criar cortinas de fumaça ou iluminar alvos. O uso em áreas civis é proibido pelo direito internacional por causar ferimentos graves e incêndios difíceis de controlar.
Autoridades israelenses informaram à Reuters que desconheciam as acusações da Human Rights Watch e não confirmaram o uso do fósforo branco em áreas civis.
Violação do Direito Internacional
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos afirma que mais de 100 cidades e vilarejos – onde viviam dezenas de milhares de pessoas – receberam ordens de evacuação de Israel, o que pode configurar deslocamento forçado proibido pelo direito internacional.
“Centenas de milhares de pessoas já foram afetadas por essas ordens de deslocamento israelenses. Seu alcance torna muito difícil o cumprimento por parte da população e, portanto, coloca em questão sua eficácia, uma exigência do direito internacional humanitário, além de correr o risco de configurar deslocamento forçado proibido”, diz o comunicado.
O governo israelense também recomendou a evacuação completa de quase toda periferia sul de Beirute, a capital do país, bem como do Vale do Bekaa, no leste do Líbano. Estima-se que 100 mil pessoas estejam abrigadas em 469 centros de abrigo pelo país.
A Acnur calcula ainda que cerca de 78 mil sírios, que estavam no Líbano, voltaram para Síria fugindo da guerra.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) acrescentou que 43 centros de atenção primária a saúde e dois hospitais foram fechados devido a ordens de evacuação em suas áreas
Israel alega que as ordens de evacuação seriam necessárias para mitigar os efeitos dos ataques contra civis.
“Ao longo dessas operações, as Forças de Defesa de Israel (FDI) mantiveram o compromisso com a precisão e a mitigação de danos a civis, emitindo alertas de evacuação para áreas próximas à infraestrutura do Hezbollah”, diz o comunicado da FDI.
O Hezbollah afirma que a ação do grupo contra Israel é uma retaliação legítima e de autodefesa contra os ataques dos últimos 15 meses, que não cessaram durante a vigência do cessar-fogo costurado em novembro de 2024.
Uma onda de ataques do Hezbollah teria atingido a cidade de Khian, em Israel, na terça-feira (10), “em resposta à criminosa agressão israelense que teve como alvo dezenas de cidades e vilas libanesas e os subúrbios do sul de Beirute”, informou o grupo libanês.
Escalada no Líbano
A escalada do conflito no Líbano foi intensificada após o grupo político-militar Hezbollah voltar a atacar posições de Israel em resposta ao assassinato do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, e também como retaliação pelas violações o cessar-fogo fechado em novembro de 2024.
Apesar do acordo, Israel tem feito ataques e incursões militares contra o território do Líbano. O governo israelense vinha justificando os ataques contra o Líbano, nos últimos meses, com objetivo de atingir alvos do Hezbollah para evitar sua recuperação militar.
A atual fase do conflito entre o Hezbollah e Israel teve início com a guerra na Faixa de Gaza, quando o grupo libanês começou a lançar ataques contra o norte israelense em solidariedade ao povo palestino.
Crianças mortas no Irã e no Líbano
Um inquérito conduzido por investigadores militares dos Estados Unidos aponta que forças americanas podem ter sido responsáveis pelo ataque contra uma escola de meninas no sul do Irã, nos primeiros dias da atual guerra no Oriente Médio. O bombardeio deixou mais de 150 mortos, entre estudantes e outras pessoas que estavam no local.
A informação foi revelada pela agência Reuters, que teve acesso a conclusões preliminares da investigação conduzida pelo próprio governo americano. O relatório ainda não foi finalizado, mas o caso já mobiliza organismos internacionais e é tratado na ONU como um possível crime de guerra.
Desde que o ataque veio a público, autoridades de Washington passaram a ser pressionadas por explicações. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, confirmou na quarta-feira que os militares investigam o episódio, embora tenha evitado fornecer detalhes sobre o andamento das apurações. O governo de Israel, por sua vez, afirmou que “desconhecia” o ataque.
Na ONU, o episódio intensificou as preocupações com o respeito às normas do direito humanitário internacional. Durante coletiva em Genebra, o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, defendeu que os responsáveis pelo bombardeio sejam identificados e punidos, além de exigir compensações às famílias das vítimas.
Türk ressaltou que instalações educacionais não devem ser alvo de operações militares. “Existem preocupações sobre o respeito ao direito humanitário internacional”, afirmou. “Uma escola é um local que nunca deveria ser atacado.” O chefe de direitos humanos da ONU também chamou atenção para o momento do ataque, ocorrido justamente quando as estudantes estavam na escola.
Ele ainda apelou por uma redução da escalada militar na região, alertando que não há soluções duradouras baseadas apenas em ações militares. “É uma lição trágica”, declarou.
Escalada do conflito amplia vítimas e pressão humanitária
O episódio ocorre em meio a um agravamento generalizado da crise humanitária no Oriente Médio. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o conflito já deixou mais de 1.000 mortos e cerca de 7.000 feridos em diferentes países da região.
Segundo a organização, mais de 50 pedidos de suprimentos emergenciais estão em andamento em 25 países, com potencial para beneficiar mais de 1,5 milhão de pessoas. Entre os envios planejados estão medicamentos e equipamentos destinados a regiões afetadas como Líbano, Gaza, Iêmen e Somália, além de materiais para programas internacionais de vigilância e erradicação da poliomielite.
No Irã, autoridades locais contabilizam ao menos 925 mortos e mais de 6.100 feridos desde o início dos confrontos. O sistema de saúde também tem sido atingido: ao menos 14 ataques contra instalações médicas foram registrados desde 28 de fevereiro, resultando na morte de quatro profissionais de saúde.
A situação humanitária também se deteriora rapidamente no Líbano. De acordo com a OMS, desde 2 de março foram registrados pelo menos 123 mortos e 683 feridos no país. A intensificação da violência provocou um grande deslocamento populacional: cerca de 96 mil pessoas estão atualmente abrigadas em mais de 440 centros de acolhimento.
O impacto regional também se reflete no fluxo de refugiados. Levantamentos indicam que mais de 33 mil sírios que viviam no Líbano retornaram ao território sírio após a intensificação dos combates.
Crianças entre as principais vítimas no Líbano
O avanço da ofensiva israelense no Líbano também tem provocado um alto número de vítimas civis. Dados apresentados pela OMS indicam que, até 9 de março, ao menos 84 crianças haviam sido mortas e mais de 250 ficaram feridas.
Segundo a organização, o total de mortos no país chegou a 486 pessoas em pouco mais de uma semana de combates.
O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sustenta que as operações têm como alvo a infraestrutura do Hezbollah no território libanês. O grupo, aliado ao Irã, passou a lançar ataques contra cidades no norte de Israel.
Mesmo assim, a OMS destaca que cerca de 20% das mortes registradas no Líbano foram de crianças. Além disso, pelo menos 44 mulheres estão entre as vítimas fatais. Para a organização, o elevado número de civis mortos está relacionado ao caráter urbano do conflito e à alta densidade populacional das áreas atingidas.
O país registra ainda cerca de 1.300 feridos desde o início da escalada militar.
Deslocamento em massa e crise de refugiados
A intensificação dos ataques provocou uma onda de deslocamento interno no Líbano. Segundo Karolina Lindholm Billing, representante do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) no país, a nova escalada começou em 2 de março, quando alertas de evacuação israelenses foram emitidos para moradores de mais de 53 vilarejos e áreas densamente povoadas.
“Famílias em todo o país foram forçadas a fugir em questão de minutos. Vidas foram drasticamente afetadas”, afirmou.
De acordo com dados do governo libanês, mais de 667 mil pessoas já se registraram na plataforma oficial de deslocados — um aumento superior a 100 mil pessoas em apenas um dia. Aproximadamente 120 mil estão alojadas em abrigos coletivos organizados pelo governo, enquanto outras buscam refúgio com parentes ou amigos.
Muitas dessas famílias enfrentam deslocamentos sucessivos desde o início das hostilidades em 2024. “Frequentemente deslocadas pela segunda vez, fugiram praticamente sem nada, buscando segurança em Beirute, no Monte Líbano, no norte do país e no Vale do Bekaa”, explicou Billing.
Durante visita recente a um abrigo na capital libanesa, ela relatou o encontro com uma mulher de 90 anos que perdeu 11 familiares em ataques ocorridos em 2024 e que agora voltou a se deslocar.
“Histórias como a dela ilustram o medo, a incerteza e o trauma repetido que as famílias enfrentam”, disse.
A ONU também registra novos fluxos de refugiados para a Síria. Segundo a organização, mais de 78 mil sírios retornaram ao país vindos do Líbano desde a intensificação do conflito, além de cerca de 7.700 cidadãos libaneses que também cruzaram a fronteira.
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