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Extremista de direita foi morto a tiros durante evento em universidade de Utah
Publicado em 11/09/2025 10:29 - Semana On
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O ativista de extrema direita Charlie Kirk foi assassinado na quarta-feira (10) durante um evento na Utah Valley University, acentuando ainda mais a espiral de radicalização política que ameaça empurrar os Estados Unidos para o abismo de uma guerra civil ideológica. Kirk, que tinha 31 anos e era um dos principais mobilizadores da juventude conservadora pró-Trump, levou um tiro no pescoço enquanto palestrava. Foi levado ao hospital e passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos.
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Segundo autoridades locais, os disparos partiram de um edifício a cerca de 180 metros do auditório. A polícia chegou a deter suspeitos, mas todos foram liberados após depoimento. O governador de Utah, Spencer Cox, afirmou que o crime foi intencional e político. “Quero deixar bem claro que este é um assassinato político”, declarou.
A reação do presidente Donald Trump foi imediata. Em sua rede Truth Social, lamentou a morte do “lendário” Kirk e decretou luto oficial de cinco dias. Horas depois, usou o episódio para atacar a esquerda americana: “O monstro que o atacou estava atacando todo o nosso país”, disse em vídeo, culpando a “retórica odiosa da esquerda radical” pelo atentado.
Kirk era uma das figuras mais controversas da ultradireita nos EUA. Cofundador da organização Turning Point USA, ganhou notoriedade pela retórica agressiva contra minorias, imigrantes, feministas, ativistas LGBTQIA+ e defensores do controle de armas. Tinha 5,2 milhões de seguidores no X (antigo Twitter) e conduzia o podcast “The Charlie Kirk Show”, plataforma onde defendia abertamente teses conspiratórias e intolerantes. Em 2023, chegou a afirmar que mortes por armas de fogo são um “preço aceitável” para preservar a Segunda Emenda da Constituição americana.
No momento em que foi baleado, Kirk respondia a um questionamento sobre violência armada: ele defendia o armamento civil irrestrito.
Congresso dividido
A tentativa de realizar um minuto de silêncio em sua homenagem na Câmara dos Representantes resultou em gritos e insultos entre parlamentares. “Aprove uma lei sobre armas!”, gritou um democrata. “Vocês querem politizar tudo!”, retrucaram republicanos.
Enquanto líderes conservadores clamavam por represálias, figuras da direita radical como a influenciadora Laura Loomer pediam “repressão total” contra a esquerda. Elon Musk, dono da plataforma X e crítico recente de Trump, também inflamou o debate: “A esquerda é o partido do assassinato”, declarou.
Do outro lado, democratas adotaram tom mais cauteloso. Barack Obama afirmou: “Ainda não sabemos o que motivou a pessoa que atirou e matou Charlie Kirk, mas esse tipo de violência desprezível não tem lugar em nossa democracia.”
O país em ebulição
O assassinato de Kirk se soma a uma série de episódios de violência política que têm marcado os Estados Unidos desde a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Segundo levantamento da Reuters, já são mais de 300 incidentes de motivação política registrados desde então, entre eles:
– O ataque incendiário contra o governador democrata da Pensilvânia, Josh Shapiro;
– Um plano de sequestro contra Gretchen Whitmer, governadora de Michigan;
– A invasão da casa de Nancy Pelosi e agressão ao seu marido com um martelo;
– O assassinato de uma deputada estadual de Minnesota e seu marido;
– E duas tentativas de assassinato contra o próprio Donald Trump, uma delas em julho de 2024, quando o ex-presidente foi atingido de raspão na orelha durante um comício.
Em todas essas ocorrências, a violência se sobrepôs ao debate político, consolidando um cenário de ruptura institucional e descrença generalizada.
“O atentado contra Kirk pode inflamar ainda mais um ambiente onde a temperatura política já está perigosamente alta”, alertou a socióloga Ruth Braunstein, da Universidade Johns Hopkins, à agência Reuters. “Essa é uma possibilidade real e um risco real.”
Guerra civil ideológica?
Para muitos analistas, o país caminha para uma confrontação aberta entre dois blocos antagônicos: de um lado, os extremistas de direita, apoiados por grupos racistas, fundamentalistas religiosos e militantes armamentistas; do outro, setores da sociedade civil que defendem a pluralidade, o Estado laico e os princípios democráticos.
A eleição presidencial de 2024 já indicava essa divisão, mas os recentes episódios de violência – especialmente envolvendo figuras polarizadoras como Trump e Kirk – transformaram o embate político em ameaça existencial.
Steve Scalise, líder republicano da Câmara e sobrevivente de um tiroteio político em 2017, fez um apelo ao fim da escalada: “Não há desculpa para a violência política em nosso país, isso tem que acabar.”
Mas, ao que tudo indica, os apelos moderados são abafados pelo coro dos extremistas que gritam mais alto. A democracia americana, outrora símbolo de estabilidade no mundo, parece agora vacilar sobre uma linha tênue entre o dissenso democrático e o colapso institucional.
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