Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Mundo
Receita ultraliberal de Milei agrada ao “mercado” mas joga argentinos na penúria
Publicado em 17/02/2025 2:34 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
A Argentina registrou em janeiro de 2025 uma inflação de 2,2%, a menor taxa mensal desde julho de 2020, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). Além disso, pela primeira vez em 12 anos, o país alcançou superávit fiscal, resultado das medidas de ajuste econômico promovidas pelo governo de Javier Milei. No entanto, enquanto os números macroeconômicos indicam uma estabilização, os impactos sociais da política de austeridade se tornam cada vez mais evidentes: a pobreza atinge 52,9% da população, o desemprego cresce e serviços essenciais como saúde e educação enfrentam cortes severos, levando milhões de argentinos a uma situação de vulnerabilidade extrema.
CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP
Desde a posse do presidente ultraliberal em dezembro de 2023, a Argentina tem sido palco de uma série de reformas econômicas drásticas, com o objetivo declarado de estabilizar a economia e controlar a inflação. Embora algumas métricas econômicas tenham mostrado sinais de melhora, as políticas de austeridade implementadas têm aprofundado as desigualdades sociais e impactado severamente as camadas mais vulneráveis da população.
As reformas de Milei incluíram cortes significativos nos gastos públicos, paralisação de obras federais, interrupção de repasses financeiros para os estados e eliminação de subsídios em serviços essenciais como água, gás, eletricidade e transporte público. Essas medidas resultaram no primeiro superávit orçamentário em 12 anos, mas ao custo de uma recessão profunda e aumento da pobreza. Dados do Observatório da Dívida Social Argentina da Universidade Católica Argentina (UCA) indicam que a taxa de pobreza atingiu 52,9% no primeiro semestre de 2024, um aumento significativo em relação aos 41,7% registrados no segundo semestre de 2023
Inflação e Desemprego
A inflação anual, que alcançou 211% em dezembro de 2023, apresentou uma desaceleração, registrando 2,7% em outubro de 2024, a menor taxa mensal em três anos
No entanto, essa redução não se traduziu em alívio para a população de baixa renda. A retirada de subsídios elevou os custos dos serviços básicos, tornando-os inacessíveis para muitos. Além disso, o desemprego ultrapassou os 7% nos dois primeiros trimestres de 2024, afetando mais de um milhão de argentinos.
Setores Mais Afetados
Os aposentados foram particularmente impactados. Com pensões mínimas que não acompanham a inflação, muitos enfrentam dificuldades para cobrir despesas básicas. Relatos indicam que, após pagar contas essenciais, alguns aposentados ficam sem recursos para alimentação
Além disso, cortes nos programas sociais e na saúde pública resultaram em falta de medicamentos e equipamentos, comprometendo o atendimento médico.
Beneficiados pelas Reformas
Enquanto as classes mais baixas sofrem, setores como o energético e o financeiro têm colhido benefícios. Empresas desses segmentos registraram aumentos significativos em seus lucros e valor de mercado, impulsionadas pela desregulamentação e incentivos fiscais. A indústria de hidrocarbonetos, especialmente na região de Vaca Muerta, contribuiu para um superávit energético, beneficiando grandes corporações.
Perspectivas Futuras
Embora alguns indicadores econômicos apontem para uma estabilização, o custo social das políticas de austeridade levanta questões sobre a sustentabilidade desse modelo. A crescente desigualdade, o aumento da pobreza e a deterioração dos serviços públicos sugerem que os benefícios econômicos podem estar sendo alcançados às custas do bem-estar da maioria da população. A continuidade dessas políticas pode aprofundar ainda mais as divisões sociais e econômicas no país.
Crise e Escândalo Financeiro na Argentina
A Argentina, mergulhada em uma crise econômica profunda, agora se vê no epicentro de um escândalo político-financeiro que atinge diretamente a credibilidade do presidente Javier Milei. O caso da criptomoeda $LIBRA, promovida pelo próprio chefe de Estado e que resultou em perdas massivas para milhares de investidores, revelou não apenas um esquema duvidoso de especulação, mas também os vínculos obscuros entre o governo e empresários do setor financeiro digital.
A oposição já fala em impeachment, enquanto a Agência Anticorrupção abriu investigações para apurar as responsabilidades. No entanto, o episódio não pode ser reduzido a uma simples fraude no mundo das criptomoedas; ele expõe a lógica do projeto ultraliberal de Milei, no qual o Estado é desmontado, mas as elites financeiras se fortalecem à custa do povo argentino.
O escândalo estourou quando o empresário norte-americano Hayden Mark Davis, criador da $LIBRA e CEO da Kelsier Ventures, publicou um vídeo admitindo que era assessor do presidente Milei. Davis afirmou que estava “trabalhando com Milei e sua equipe num projeto de tokenização muito maior”, contradizendo as tentativas do governo de se distanciar do caso. A crise se intensificou porque o próprio presidente promoveu a criptomoeda em suas redes sociais, incentivando seus seguidores a investirem no ativo digital.
A estratégia era clássica: a divulgação por uma figura de alta influência fez o preço do token disparar rapidamente, atraindo investidores de varejo. No entanto, em seguida, o valor despencou, deixando milhares de pessoas no prejuízo. O efeito foi imediato: indignação popular, ações judiciais e um pedido de impeachment articulado pela oposição. Para muitos, Milei não apenas permitiu, mas participou ativamente do golpe.
“Javier ‘Cositorto’ Milei foi um participante necessário em um grande golpe contra dezenas de milhares de argentinos”, afirmou o advogado e líder social Juan Grabois, referindo-se ao famoso golpista Leonardo Cositorto, que enganou milhares de argentinos com um esquema de pirâmide financeira.
Criptomoeda e ultraliberalismo
O escândalo da $LIBRA não é um acidente isolado, mas um sintoma de um projeto econômico que desmonta regulações estatais em prol da especulação financeira desenfreada. Milei, defensor ferrenho do anarcocapitalismo e da dolarização da economia argentina, aposta na financeirização extrema como saída para a crise – um modelo que historicamente beneficia uma minoria e prejudica a maioria.
A privatização da moeda nacional, a destruição de políticas públicas e a retirada do Estado da economia criam um terreno fértil para esquemas especulativos. O caso da $LIBRA exemplifica isso: em um ambiente econômico onde a incerteza reina e as ferramentas de proteção ao consumidor são enfraquecidas, os mais vulneráveis são facilmente enganados.
A desregulação proposta por Milei não é uma “revolução” contra o establishment, como ele prega, mas sim uma redistribuição brutal de riqueza para os que já detêm poder financeiro. A Argentina, que sofre com uma inflação devastadora e altos índices de pobreza, agora vê seu próprio presidente envolvido em um escândalo que evidencia a perversa lógica do ultraliberalismo.
Oposição pede impeachment
O bloco União pela Pátria, principal força de oposição ao governo, anunciou que levará adiante um pedido de impeachment contra Milei. Para os parlamentares opositores, o envolvimento direto do presidente em uma fraude financeira justifica sua destituição. Ainda que a base governista tente minimizar o caso, as evidências de que Milei utilizou seu cargo para promover um ativo financeiro de alto risco tornam a situação insustentável.
Além do impeachment, o caso agora está nas mãos da Agência Anticorrupção, que investigará se houve crime por parte de membros do governo. O Executivo, por sua vez, busca se desvincular da polêmica e anunciou uma investigação própria, o que muitos veem como uma manobra para tentar acalmar os ânimos.
O futuro de Milei e da economia argentina
A crise do $LIBRA se soma à instabilidade econômica causada pelas políticas de Milei. Desde que assumiu o cargo, o presidente argentino adotou medidas drásticas que aprofundaram o sofrimento da população: demissões em massa no setor público, aumento exponencial dos preços de serviços essenciais e um corte brutal nos programas sociais. Enquanto isso, o governo prioriza a abertura indiscriminada da economia, favorecendo especuladores e o setor financeiro.
Agora, diante do escândalo, Milei enfrenta seu primeiro grande teste político. Se conseguirá se manter no poder dependerá não apenas da oposição, mas da capacidade de mobilização popular contra um projeto econômico que empobrece a maioria e enriquece uma elite financeira. O caso $LIBRA expôs, com clareza, que o governo não está a serviço do povo argentino – mas sim de um sistema que lucra com sua miséria.
A Argentina já passou por muitas crises e golpes financeiros, mas desta vez, a fraude vem de dentro da Casa Rosada. Milei prometeu um país novo, mas sua “revolução libertária” está se tornando um pesadelo para os trabalhadores e um paraíso para especuladores.
Deixe um comentário