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Mundo

Aliados recusam pedido de Trump para escoltar petroleiros em Hormuz

Reino Unido, Alemanha, Itália, Grécia e Austrália rejeitam envio de navios de guerra

Publicado em 16/03/2026 12:21 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

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A tentativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de mobilizar aliados para proteger o tráfego de petroleiros no estreito de Hormuz encontrou resistência internacional. Até agora, o apelo — que mesclou pedidos diplomáticos e advertências políticas — não resultou no envio de escoltas militares por parte das principais potências ocidentais.

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Nesta segunda-feira (16), Reino Unido, Alemanha, Itália, Grécia e Austrália descartaram participar de uma missão naval destinada a garantir a passagem de navios pela estratégica via marítima. Japão e Coreia do Sul, por sua vez, afirmaram que ainda analisam a possibilidade de enviar embarcações.

A pressão partiu de uma mensagem publicada por Trump no sábado (14) em sua rede social, Truth. No texto, o presidente argumentou que países como China, França, Japão e Coreia do Sul teriam interesse direto em manter aberto o estreito por onde transita cerca de 20% da produção global de petróleo e gás natural liquefeito.

O pedido ocorre em meio ao conflito iniciado pouco mais de duas semanas atrás pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Até o momento, a principal vitória estratégica de Teerã tem sido provocar turbulência no mercado energético internacional. A instabilidade nas rotas de exportação obrigou diversos países a recorrerem a reservas estratégicas de petróleo para conter a volatilidade dos preços.

A lógica iraniana parece ser a de ampliar o custo econômico da guerra para a comunidade internacional. Ao pressionar o fluxo global de energia, Teerã busca estimular pressões externas por um cessar-fogo que preserve a sobrevivência do regime. O resultado dessa estratégia, entretanto, permanece incerto diante da campanha aérea conduzida por Washington e Tel Aviv.

Sem obter respostas imediatas ao apelo inicial, Trump elevou o tom. Em entrevista publicada no domingo (15) pelo jornal Financial Times, o presidente afirmou que a falta de apoio europeu poderia ser “muito ruim para o futuro da Otan”.

Criada em 1949 para conter a influência soviética, a aliança militar liderada pelos Estados Unidos reúne Canadá e cerca de 30 países europeus. Desde seu primeiro mandato (2017-2021), Trump tem adotado uma postura crítica em relação aos aliados, frequentemente acusando-os de depender excessivamente da proteção militar americana.

No ano passado, o governo americano já havia transferido aos europeus grande parte do ônus financeiro do apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia. Washington suspendeu o envio direto de recursos e armamentos para Kiev, passando a operar por meio de um mecanismo no qual a Otan compra equipamentos dos estoques americanos e os repassa às forças ucranianas.

No atual conflito com o Irã, contudo, os Estados Unidos se encontram praticamente alinhados apenas com o governo do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu. Diversos países europeus criticaram a ofensiva militar, argumentando que a via diplomática seria mais adequada para lidar com Teerã.

Ao mesmo tempo, o cenário energético global pressiona as capitais ocidentais. Para evitar uma disparada abrupta nos preços do petróleo, Washington flexibilizou parcialmente o embargo ao petróleo russo — medida que, na prática, reduz o impacto econômico sobre Moscou em meio à guerra liderada por Vladimir Putin na Ucrânia.

Trump também tentou envolver a China no jogo geopolítico. Pequim é hoje o principal comprador do petróleo iraniano. Na sexta-feira (13), forças americanas atingiram a ilha de Kharg, principal centro de produção petrolífera do Irã, mas aparentemente pouparam os terminais de embarque. Posteriormente, o presidente afirmou que poderia destruí-los “só por diversão”.

Na entrevista ao Financial Times, Trump insinuou que poderia adiar uma visita planejada para o próximo mês ao presidente chinês Xi Jinping caso Pequim não colabore. Nesta segunda-feira, porém, o Ministério das Relações Exteriores da China indicou que a viagem permanece no calendário.

Enquanto as potências disputam influência diplomática, o Irã intensifica movimentos militares e simbólicos no Golfo. Logo após o início da guerra, Teerã declarou o estreito de Hormuz fechado e iniciou ataques contra navios e infraestrutura energética de países árabes vizinhos. Mais recentemente, autoridades iranianas passaram a afirmar que a passagem permanece aberta — exceto para embarcações ligadas aos Estados Unidos, a Israel e a seus aliados.

“Do nosso ponto de vista, o estreito está aberto”, afirmou nesta segunda-feira o chanceler iraniano Abbas Araghchi.

Como demonstração desse posicionamento, Teerã permitiu sem incidentes a travessia de um petroleiro paquistanês transportando petróleo dos Emirados Árabes Unidos. Segundo dados do sistema de monitoramento MarineTraffic, o navio Karachi concluiu a travessia no domingo (15) e chegou nesta segunda-feira à costa de Omã.

A rota adotada pela embarcação, entretanto, chamou atenção de analistas. O navio navegou entre ilhas iranianas e próximo às águas territoriais de Teerã — indício de que o trajeto tradicional pelo estreito pode ter sido minado.

Apesar do gesto diplomático, o Irã mantém a pressão militar na região. Nesta segunda-feira, mísseis e drones atingiram o terminal petrolífero de Fujairah, um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos.

O porto tem relevância estratégica por ser o ponto final do único oleoduto do país que contorna o estreito de Hormuz. A infraestrutura transporta petróleo dos campos de Habshan, em Abu Dhabi, diretamente para o Golfo de Omã. Após o ataque, as operações de embarque foram suspensas.

Os Emirados tornaram-se o principal alvo das retaliações iranianas desde o início do conflito — superando inclusive Israel em número de ataques registrados. Também nesta segunda-feira, o aeroporto de Dubai, um dos mais movimentados do mundo em tempos de normalidade, foi fechado após um drone iraniano atingir um tanque de combustível nas proximidades do terminal.

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