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Mato Grosso do Sul
Além de encurtar distâncias, reduzir custos logísticos e abrir mercados, integração vai beneficiar trabalhadores e pequenos negócios
Publicado em 07/07/2026 3:41 - Semana On
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A integração entre Mato Grosso do Sul e o Chile ganhou novo impulso em Campo Grande com a realização do Tarapacá Day, encontro que reuniu representantes dos dois países para discutir comércio, logística, turismo, investimentos e as oportunidades abertas pela Rota Bioceânica.
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Mais do que um evento diplomático ou empresarial, a agenda marca uma etapa concreta na construção de um novo mapa econômico para o Estado. A ligação com o Pacífico, articulada por meio do Corredor Bioceânico, é vista pelo Governo de Mato Grosso do Sul como uma possibilidade de encurtar distâncias, reduzir custos logísticos, abrir mercados e criar novas frentes de desenvolvimento para empresas, trabalhadores e pequenos negócios.
O desafio, agora, é transformar a grande obra de integração internacional em oportunidades reais para quem produz, transporta, empreende, hospeda, serve refeições, vende, recebe turistas e depende da circulação econômica no território sul-mato-grossense.
O governador Eduardo Riedel, presente ao evento, apresentou pontos de investimento e parceria entre Brasil e Chile e destacou a Rota Bioceânica como uma porta de entrada para ampliar a exportação de produtos brasileiros para países da América Latina e da Ásia.
“Com o avanço do Corredor Bioceânico, seguimos construindo uma rota estratégica para conectar nosso Estado aos mercados do Pacífico, gerando desenvolvimento, competitividade e mais oportunidades para quem vive e empreende em Mato Grosso do Sul”, afirmou Riedel.
Tarapacá em Campo Grande
O encontro também celebrou os três anos de funcionamento do escritório da Corporação de Desenvolvimento de Tarapacá em Campo Grande. A presença institucional chilena na capital sul-mato-grossense é considerada uma peça importante na aproximação entre governos, empresas e entidades dos dois territórios.
Segundo Oscar Jair Tapia, coordenador do escritório do Governo de Tarapacá em Campo Grande, a estrutura funciona como ponte para a circulação de negócios nos dois sentidos.
“Esse evento comemora o marco de três anos de abertura do nosso escritório. Para nós, é importante estreitar os laços entre os dois países. Esse escritório é uma porta de entrada de empresas chilenas no Brasil, aqui em Mato Grosso do Sul, como também para empresas que têm interesse na nossa região de Tarapacá”, explicou Tapia.
Para Riedel, a iniciativa do governo chileno em instalar uma representação em Mato Grosso do Sul consolidou uma relação que deixou de ser apenas institucional e passou a produzir intercâmbio de informações, planejamento comercial e identificação de novas oportunidades.
“Tarapacá tomou uma iniciativa muito importante quando, há três anos, foi aberto o escritório aqui. A cada encontro eles nos atualizam sobre a evolução, seja ela de inteligência comercial, do próprio porto, das políticas públicas chilenas, em específico de exportação, aos empresários e ao Estado de Mato Grosso do Sul. É um momento de atualização das informações, estreitamento de laços e captação de novas oportunidades e possibilidades em relação a esse fluxo comercial e cultural”, disse o governador.
A fala indica o sentido político e administrativo da agenda: a Rota Bioceânica não depende apenas de infraestrutura física. Ela exige inteligência comercial, articulação pública, preparação institucional, diálogo com o setor produtivo e capacidade de antecipar gargalos.
Uma rota que precisa chegar aos pequenos negócios
A diretora técnica do Sebrae-MS, Sandra Amarilha, destacou que a integração com Tarapacá já vem sendo trabalhada com foco no setor empresarial. Segundo ela, desde 2024 a corporação chilena identificou Campo Grande como um hub logístico estratégico e passou a atuar em parceria com instituições locais.
“Desde 2024, a corporação de Tarapacá, uma região do Chile, identificou que Campo Grande seria um hub logístico importante e instalou aqui um escritório e assinou algumas parcerias. Desde então, o Sebrae-MS organiza missões empresariais, sessões de negócios, visando à integração dos empresários desses países em busca de novas oportunidades na Rota Bioceânica”, explicou Sandra.
A preparação dos pequenos negócios aparece como uma das dimensões centrais do processo. Se a rota internacional se limitar ao transporte de grandes cargas, parte importante do potencial econômico poderá ficar concentrada. Para gerar impacto mais amplo, o corredor precisa ativar restaurantes, hotéis, serviços, comércio, turismo, postos de parada, agências, produtores locais e empreendedores instalados nas cidades atravessadas ou influenciadas pela nova dinâmica logística.
Sandra Amarilha chamou atenção justamente para esse ponto. Segundo ela, os empresários precisam se organizar desde agora para ocupar espaço no novo fluxo econômico.
“É importante que os empresários percebam que há oportunidades na Rota, principalmente pro turismo. Não há barreiras alfandegárias; em princípio, com a ponte ligada e o tráfego liberado, é necessário que os pequenos negócios estejam engajados nessas oportunidades, desde as paradas na estrada, os restaurantes, os hotéis, todos os negócios que estão nesse corredor precisam estar conectados com as oportunidades que virão”, afirmou.
Logística, turismo e nova posição no mapa
A Rota Bioceânica reposiciona Mato Grosso do Sul em uma disputa que é econômica, logística e territorial. O Estado, historicamente associado à produção agropecuária e à condição de corredor interno, passa a buscar papel mais estratégico na conexão entre o Brasil, os países vizinhos e o Oceano Pacífico.
Esse movimento interessa à exportação, mas não apenas a ela. Também pode abrir caminho para intercâmbio turístico, circulação cultural, atração de investimentos, formação de parcerias empresariais e fortalecimento de cidades que, até pouco tempo atrás, ficavam à margem das grandes rotas internacionais.
O papel do governo estadual, nesse contexto, é o de articular atores diferentes: municípios, setor produtivo, instituições de apoio, governos estrangeiros, empresários e organismos públicos. A presença de Riedel no Tarapacá Day reforça a tentativa de tratar a integração como política de Estado, não como ação isolada de uma agenda externa.
A estratégia, contudo, ainda depende de etapas concretas. O avanço da rota precisa ser acompanhado por preparação empresarial, qualificação, infraestrutura, serviços, segurança, informação comercial e capacidade de transformar circulação em renda local.
Campo Grande como ponto de articulação
A escolha de Campo Grande como base do escritório de Tarapacá e como sede do encontro também revela a centralidade da capital na articulação regional. A cidade funciona como ponto de conexão política, institucional e logística entre o interior produtivo de Mato Grosso do Sul, os mercados brasileiros e os parceiros chilenos.
A agenda terá continuidade nesta quarta-feira, dia 8 de julho, às 10 horas, com reunião entre lideranças chilenas e a Prefeitura de Campo Grande, acompanhada pela Gerência de Integração e Parcerias da Semades. Na ocasião, o Parktec CG deverá firmar um compromisso voltado à integração regional e institucional.
A iniciativa busca fortalecer ações capazes de atrair investimentos, estimular novas atividades produtivas e ampliar negócios entre os territórios. Trata-se de uma etapa complementar à discussão do Tarapacá Day: depois da aproximação institucional, o desafio passa a ser organizar instrumentos práticos para que empresas, governos e instituições transformem intenção em projetos.
O caminho entre a obra e a oportunidade
A Rota Bioceânica é uma obra de infraestrutura, mas seu efeito real será medido pela capacidade de gerar oportunidades fora das planilhas e dos discursos oficiais. A estrada, a ponte, os portos e os acordos internacionais são meios. O resultado esperado precisa aparecer no custo menor para produzir e exportar, no negócio que ganha novo mercado, no hotel que recebe mais hóspedes, no restaurante que amplia movimento, no jovem que encontra emprego qualificado e no empreendedor que passa a vender para além da fronteira local.
É essa a travessia que o governo de Mato Grosso do Sul tenta organizar. O Estado já avançou na construção de relações institucionais com Tarapacá e no diálogo com o setor produtivo. Ainda há, porém, etapas a cumprir: preparar empresas, detalhar oportunidades, fortalecer serviços, garantir infraestrutura de apoio e fazer com que a nova rota seja compreendida também por quem vive do comércio, do turismo e dos pequenos negócios.
Para Riedel, a integração pelo Pacífico faz parte de uma agenda de futuro concreto. Não se trata apenas de colocar Mato Grosso do Sul no mapa internacional, mas de fazer com que essa nova posição produza desenvolvimento, competitividade e oportunidade para quem vive e empreende no Estado.
A próxima etapa será transformar a aproximação com Tarapacá em projetos, parcerias e negócios capazes de dar conteúdo econômico e social à Rota Bioceânica. Porque uma rota internacional só se torna desenvolvimento quando deixa de ser linha no mapa e passa a mudar a vida nos territórios por onde passa.
O que está em jogo
A Rota Bioceânica pode alterar a posição estratégica de Mato Grosso do Sul ao conectar o Estado aos mercados do Pacífico. O potencial envolve exportações, turismo, logística, investimentos e novos negócios. Mas o impacto dependerá da capacidade de preparar empresas, organizar serviços, atrair investimentos e integrar pequenos empreendedores ao novo fluxo econômico.
Em jogo estão três dimensões centrais:
Competitividade — reduzir distâncias e ampliar o acesso a mercados internacionais.
Desenvolvimento regional — fazer com que cidades, serviços e pequenos negócios se beneficiem da circulação econômica.
Planejamento de futuro — transformar integração física em oportunidades reais de renda, emprego, turismo e investimento.
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