02/03/2024 - Edição 525

Mato Grosso do Sul

Desafio da rota não é a Cordilheira dos Andes, mas a alfandegária, aponta Marcelo Miglioli

Publicado em 01/09/2017 12:00 -

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Depois de percorrer cerca de três mil quilômetros entre Campo Grande e Antofagasta (Chile) e no caminho visitar as Cordilheiras dos Andes, um dos desafios para levar os produtos de Mato Grosso do Sul aos portos do Pacífico por rodovias, o secretário de Estado de Infraestrutura, Marcelo Miglioli, concluiu que a rota bioceânica a partir de Porto Murtinho é, seguramente, a mais viável para tornar Mato Grosso do Sul competitivo no mercado internacional.

Miglioli disse ter ficado muito satisfeito com a infraestrutura dos portos do Chile, o ritmo acelerado das obras em fase de conclusão do último trecho a ser asfaltado na Argentina e com o interesse demonstrado por paraguaios, argentinos e chilenos com o projeto do novo corredor. “Voltamos para casa convictos de que o nosso governo está no caminho certo ao priorizar um projeto que transformará as nossas riquezas e vai expandir o turismo”, disse.

Cordilheira não é obstáculo

Segundo o secretário, a parte de infraestrutura do trecho está muito bem alinhada, lembrando que o Paraguai já licitou um trecho de sua estrada, a partir da fronteira com Porto Murtinho, cuja obra deve ser executada no início de 2018, e já prepara a contratação do segundo trecho. Ele ficou surpreso com o ritmo com que a Argentina pavimenta os últimos 24 km da rota em seu território e acredita que a ponte sobre o rio Paraguai, em Murtinho, será licitada no início do próximo ano.

“A Cordilheira dos Andes, no Paso Jama, a nossa grande dúvida, deixou de ser uma preocupação porque os empresários do setor de transportes que viajam conosco nesta caravana até os portos do Chile, asseguram que os caminhões de três eixos sobem aquela rodovia ingrime sem problemas”, falou Miglioli.

Outro desafio, na sua avaliação, é a questão aduaneira, cujo assunto já tratou com o coordenador-geral de Assuntos Econômicos do Ministério das Relaões Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro, também acompanhando a expedição realizada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística ao Paraguai, Argentina e Chile para conhecer a infraestrutura e os trâmites na parte da burocracia fiscal e migratória.

Empenho do governador

“A questão das fronteiras tem que avançar muito e rápido, não podem funcionar da maneira como se encontram hoje”, alertou. “Não podemos pensar em turismo e produção da forma como funcionam a aduana, desde a nossa fronteira com o Paraguai, e para isso o nosso governo vai pedir o apoio da bancada federal para que a burocracia não seja um empecilho para o sucesso da rota da integração, que hoje é uma realidade concreta”.

Marcelo Miglioli destacou, ainda, que os gestores públicos precisam acompanhar o ritmo da iniciativa privada, que é muito rápido, para unificar as questões fiscais e sanitárias com os países parceiros para evitar embaraços alfandegários. “Os empresários que viajam conosco já estão vendo oportunidades de negócios antes mesmo da concretização das obras da rota, e o governo está fazendo a sua parte, com o empenho pessoal do governador Reinaldo Azambuja.

Assunção: última agenda

A caravana de Mato Grosso do Sul chegou na Capital paraguaia no final da tarde de quinta-feira (31), concluindo uma das viagens mais longa da expedição: foram 1100 quilômetros desde Salta, na Argentina, por rodovias movimentadas, algumas em obras, outras com deficiências na pista. No caminho, dificuldades para abastecer os veículos porque a maioria dos postos de combustíveis não aceitava cartões de crédito.

Assunção conclui esta segunda etapa da Rota de Integração Latino-Americana (Rila) com uma solenidade às 11h no prédio do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, com a presença dos ministros do país Eladio Loizaga (Relações Exteriores) e Ramon Jimenes Gaona (Obras Públicas e Comunicação). No encontro, está prevista uma explanação do presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística, Claudio Cavol, sobre a rota bioceânica.

Mais que exportações

A visita de representantes dos governos federal e estadual e empresários do setor de transporte de cargas ao Paraguai, Argentina e Chile, iniciada no dia 25 de agosto, foi extremamente positiva e não deixou dúvidas quanto ao compromisso do Brasil na construção da ponte sobre o rio Paraguai e o empenho de Mato Grosso do Sul em criar a nova rota do corredor bioceânico.

A avaliação é do coordenador-geral de Assuntos Econômicos do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Campo. Ele integra a caravana formada por mais de 80 pessoas, as quais completaram a viagem até a costa do Pacífico na sexta-feira (1º), em Assunção, percorrendo cerca de seis mil quilômetros em 29 caminhonetes.

A viagem, segundo ele, confirmou a ótima infraestrutura rodoviária e portuária do Chile e a rapidez com que a Argentina executa à pavimentação dos últimos 24 km do trecho do corredor em seu território, na fronteira com o Paraguai. Também destacou o esforço do Paraguai em asfaltar 600 km da rodovia do Chaco, cujo primeiro trecho, de 277 km, já foi licitado.

“Além disso, percebemos, pela receptividade dos nossos irmãos latino-americanos, que existe uma expectativa não só da iniciativa privada, como das autoridades, mas também da população, na efetivação desse corredor, um desejo cultivado há muitos anos”, comentou o representante do Ministério das Relações Exteriores.

Ele enfatizou, ainda, as articulações políticas de Mato Grosso do Sul para efetivar esta rota, citando o empenho do governador Reinaldo Azambuja e da bancada federal para que a construção da ponte tenha início o mais rápido possível. No entanto, alertou para o fato de que o sucesso comercial da rota não depende apenas de infraestrutura, mas de ordenamento aduaneiro.

“É preciso medidas para definir regras aduaneiras para assegurar o livre tráfego de cargas, maior controle de bens e pessoas, que precisam, necessariamente, ser empreendidas nos próximos meses, comentou. O fortalecimento dos laços entre população, autoridades e setor privado é outro ponto fundamental, ainda há muito desconhecimento das potencialidades do projeto”.

Ao realçar que a construção da ponte e o fácil acesso à costa do Pacífico representam uma mudança de paradigmas, João Parkinson disse que as transformações que vão ocorrer devem ser desenvolvidas pelas autoridades locais e não pelo governo central.

“Os agentes locais devem assumir a liderança desse processo e levar adiante as modificações necessárias, como criar um ambiente para fomentar o turismo e incentivar outras áreas, como a produtiva”, pontuou.

Sal de Salta, Argentina

A rota da integração, na sua opinião, não alavancará apenas a economia de Mato Grosso do Sul, do Centro-Oeste, e dos três países que integram o corredor com exportações, mas abrirá perspectivas de crescimento para novas correntes comerciais. Ele lembrou que Salta, na Argentina, é grande produtora de sal e pode atender a demanda do Estado.

“Na visita que fizemos a Salta, descobriu-se que é possível exportar sal para atender a grande demanda de Mato Grosso do Sul, que traz o produto de Mossoró (RN), numa distância de três mil quilômetros, quando poderia ser suprido pela Argentina em um tempo de 14 horas”, frisou.

Neste aspecto, segundo ele, o novo corredor não servirá unicamente aos países exportadores de commodities e terá apenas um caminho, o dos portos chilenos. “É um projeto mais complexo, servirá as importações e exportações em todos os sentidos, será abrangente, atendendo demandas e acordos localizados, como a questão do sal”, finalizou.


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