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Judiciário

Lula decide sustentar indicação de Jorge Messias ao STF

Presidente avalia que eventual recuo fragilizaria prerrogativa constitucional

Publicado em 01/04/2026 10:42 - Semana On

Divulgação Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, firmaram há semanas um entendimento estratégico: levar até as últimas consequências a indicação ao Supremo Tribunal Federal, ainda que o desfecho seja desfavorável no Senado.

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Segundo relatos de integrantes do Palácio do Planalto a parlamentares e membros de tribunais superiores, a decisão foi construída em uma conversa direta entre os dois. Nela, Messias afirmou encarar a possível nomeação não apenas como reconhecimento pessoal, mas como uma tarefa institucional — comprometendo-se a cumprir todas as etapas do processo, independentemente do resultado final.

Nos bastidores, o episódio passou a ser tratado como mais do que uma simples disputa por uma cadeira na Corte. A orientação do governo é reativar, com intensidade, a articulação política para viabilizar a aprovação no Senado, sinalizando que o Planalto não pretende recuar diante das resistências.

Messias, por sua vez, tem reiterado a disposição de dialogar amplamente em busca de apoio, sem distinção de alinhamento político. Em declarações a interlocutores, sustenta que pretende percorrer todas as frentes possíveis em busca de votos, insistindo em uma narrativa de compromisso institucional.

A avaliação no núcleo do governo é que desistir da indicação após sua formalização representaria um gesto de fraqueza com efeitos imprevisíveis. O receio é amplificado pelo contexto atual, marcado por movimentações no Congresso que questionam o papel e a composição do STF, incluindo propostas que alteram tanto os critérios de indicação quanto o desenho das cortes superiores.

Nesse cenário, a candidatura de Messias passou a ser enquadrada pelo Planalto como um teste de força entre Poderes. Mais do que defender um nome específico, Lula e seus aliados passaram a enfatizar a defesa de uma prerrogativa constitucional: a competência do presidente da República para indicar ministros ao Supremo.

A decisão final, no entanto, permanece nas mãos do Senado. Caberá aos parlamentares, avaliam interlocutores do governo, optar entre chancelar a indicação ou rejeitá-la de forma explícita — assumindo, assim, o ônus político de encerrar a disputa.

Quem é Jorge Messias?

Nascido no Recife em 1980, Jorge Messias é graduado em direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre e doutor em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília (UnB).

Messias ingressou na Advocacia Geral da União, na carreira de procurador da Fazenda Nacional, em 2007.

Nos anos seguintes, também atuou como procurador do Banco Central e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), consultor jurídico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, entre outros cargos.

Durante o governo Dilma Rousseff (2011-2016), Messias ainda atuou como subchefe para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Presidência. Nos últimos meses da administração de Dilma, ele se tornou conhecido pelo apelido “Bessias”, ao ser citado num notório grampo telefônico da Operação Lava Jato que foi vazado para a imprensa pelo então juiz federal Sergio Moro.

Na ligação, Dilma era ouvida conversando com Lula sobre a indicação deste último para o posto de ministro da Casa Civil e avisando que havia incumbido “Bessias” de levar os papéis necessários. À época, o conteúdo grampo foi interpretado por adversários do governo como um sinal de que Dilma estava supostamente tentando blindar Lula da Lava Jato com a nomeação, que acabou sendo bloqueada pelo STF.

Após o fim do governo Dilma, Messias passou a atuar como chefe de gabinete do petista Jaques Wagner no Senado.

Ministro da AGU

No final de 2022, com a vitória de Lula nas eleições presidenciais, integrou a equipe de transição do petista, e, em janeiro de 2023, assumiu a chefia da AGU, instituição que tem papel central na assessoria jurídica da Presidência e na representação da União junto ao STF.

No cargo, passou a ser visto como uma figura próxima de Lula, com que antes não compartilhava muita proximidade pessoal. A influência de Messias como consultor jurídico do governo ganhou mais força após a saída de Dino do governo, no início de 2024, quando este assumiu uma vaga no STF.

Em setembro de 2025, Messias, junto com outros membros do governo Lula e ministros do STF, teve seu visto para os EUA revogado pelo governo Donald Trump, em meio à ofensiva da Casa Branca na esteira do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Evangélico que espera quebrar resistência da bancada da bíblia

Jorge Messias é evangélico, membro de uma denominação batista e diácono de uma congregação em Brasília.

Esse aspecto pessoal é visto como estratégico por membros do governo Lula para garantir que Messias consiga reunir votos no Senado entre a bancada evangélica, que nos últimos anos tem se alinhado mais com o bolsonarismo.

Em outubro, Messias chegou a participar de uma reunião com Lula e lideranças evangélicas no Palácio do Planalto. Messias já foi descrito por um pastor da sua denominação como um “evangélico raiz” ligado à “esquerda conservadora”.

No momento, o STF só conta com um evangélico, o ministro André Mendonça, que é presbiteriano e foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Não filiado ao PT, mas de esquerda

Messias, apesar da carreira ligada a administrações petistas, não é filiado ao PT. Mas ele é considerado progressista ou de esquerda por aliados, apesar de se apresentar como religiosamente mais conservador.

Em sua tese de doutorado, defendida em 2024 na Universidade de Brasília (UnB), Messias se posicionou de maneira crítica ao que chamou de “ultraliberalismo” que, segundo ele, caracterizou o período entre 2016 e 2022.

No mesmo texto, ele citou o que chamou de “conservadorismo e autoritarismo do STF”, que teria atuado de “maneira partidarizada em detrimento dos interesses do Partido dos Trabalhadores e dos próprios trabalhadores e movimentos sociais” durante o julgamento do Mensalão e da Operação Lava Jato.

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