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Judiciário
Indicação de Lula sofre resistência de bolsonaristas, Alcolumbre e Alexandre de Moraes
Publicado em 27/11/2025 12:06 - Semana On
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O nome de Jorge Messias, advogado-geral da União e indicado por Luiz Inácio Lula da Silva à vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), entrou no centro de uma disputa política em que adversários históricos se unem com um objetivo comum: derrotar o escolhido do presidente. A articulação reúne o ministro Alexandre de Moraes, figuras-chave do bolsonarismo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que atua abertamente para inviabilizar a nomeação.
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Messias, conhecido por sua discrição e trajetória técnica – tendo ocupado cargos de confiança nos governos Dilma Rousseff e Lula – tornou-se alvo de um movimento que transcende suas credenciais. A oposição bolsonarista vê nele mais um nome ligado ao petismo em uma corte que já abriga Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e Flávio Dino, ex-ministro da Justiça. A presença de Messias, alegam, acentuaria um suposto “desequilíbrio” ideológico no STF.
Mas não é apenas a oposição que se movimenta. Davi Alcolumbre, presidente do Senado – onde a sabatina está marcada para 10 de dezembro –, articula contra Messias desde que o nome foi ventilado. Alcolumbre teria ficado contrariado com Lula por ter preterido Rodrigo Pacheco (PSD-MG) como sucessor de Barroso.
A insatisfação de Alcolumbre se transformou em ação política. Diferente de sua conduta no caso de André Mendonça – cuja sabatina segurou por quatro meses –, o senador agiu com agilidade para acelerar o trâmite de Messias. Segundo o jornalista Josias de Souza, trata-se de uma “mudança estratégica” para impor uma derrota simbólica ao Planalto. A documentação do indicado sequer havia chegado ao Senado quando a data da sabatina foi anunciada.
Alexandre de Moraes também entrou no jogo. Embora geralmente alinhado a pautas progressistas, Moraes tem razões pessoais para preferir Rodrigo Pacheco. Foi ele, como presidente do Senado, quem engavetou diversos pedidos de impeachment contra ministros do STF, inclusive contra o próprio Moraes, que à época acumulava o maior número de requerimentos. A proteção, agora, parece ter criado uma dívida política. Moraes, segundo fontes da corte, manifesta preferência por Pacheco e não esconde seu incômodo com a escolha de Messias.
Enquanto isso, os ministros André Mendonça e Nunes Marques – ambos indicados por Jair Bolsonaro – telefonam para senadores tentando angariar votos a favor de Messias. O paradoxo político é evidente: bolsonaristas no Congresso reagem com hostilidade, enquanto ministros nomeados por Bolsonaro tentam salvar a indicação de Lula.
Internamente, o bolsonarismo se divide. Caciques do PL negociam com o centrão e com Alcolumbre, mas parlamentares da ala mais radical temem estarem sendo usados como moeda de troca para que o presidente do Senado obtenha vantagens do governo. “Eles acreditam que Alcolumbre pode estar capitalizando a crise para barganhar mais cargos ou liberar emendas”, resume um assessor próximo à oposição.
A animosidade entre Alcolumbre e o governo já transbordou. Aprovou-se recentemente uma pauta-bomba no Senado e rompeu-se o diálogo com Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo na Casa. Alcolumbre também se ausentou da cerimônia de sanção da isenção do Imposto de Renda, interpretada por aliados de Lula como um gesto deliberado de afastamento.
Lula, por sua vez, já indicou que não cederá à pressão. Segundo o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), o presidente está disposto a entrar em campo pessoalmente para garantir os votos de Messias. Mais do que uma nomeação, trata-se de uma “prioridade central do governo”. Lula também sinalizou que, caso Messias seja rejeitado, não indicará Rodrigo Pacheco como substituto, tentando evitar que a recusa seja usada como ferramenta de barganha.
Enquanto isso, a data da sabatina se aproxima e o clima em Brasília é de tensão e imprevisibilidade. O tabuleiro está montado, e nele se alinham velhos adversários com novos interesses. O que está em jogo não é apenas o nome de Messias, mas o equilíbrio de forças entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Lula não recua, mesmo sem plano B para o STF
O presidente Lula não trabalha com alternativa à indicação de Jorge Messias. Segundo um dos principais conselheiros do Planalto, em entrevista à jornalista Daniela Lima (UOL), a escolha foi feita para ser levada até o fim, mesmo sob risco de derrota no Senado. “Ou é Messias, ou é Messias” — a frase, repetida nos bastidores por auxiliares próximos, resume a estratégia do governo: insistir até o limite, sem abrir espaço para especulações ou recuos.
No núcleo político do Planalto, o recado vindo do Senado foi claro. A articulação em torno do nome de Rodrigo Pacheco, frustrada por Lula, gerou uma reação em cadeia. Em apenas alguns dias, senadores aprovaram uma pauta que amplia gastos da União, agendaram a sabatina de Messias para 10 de dezembro e convocaram uma sessão do Congresso destinada a derrubar vetos presidenciais, incluindo um que protege a legislação ambiental.
Mesmo diante desse cenário adverso, o discurso oficial do governo permanece inalterado. O presidente, garantem aliados, entrará em campo no momento certo para garantir apoio ao seu indicado. Não há conversas sobre substituições, nem nomes alternativos cogitados. “Nunca se falou em outro nome dentro do gabinete presidencial”, afirmou um ministro à reportagem.
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