Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Especial

MENOS DESIGUAIS

Brasil reduz pobreza ao nível mais baixo em mais de uma década

Publicado em 05/12/2025 12:29 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou na quarta-feira (03) dados percentuais de brasileiros que vivem na linha da pobreza (23,1%) ou da extrema pobreza (3,5%). Esses dados conseguiram manter a trajetória de queda que foi registrada após o final da pandemia e conseguiram encerrar o ano de 2024 no menor patamar desde 2012, ano que marca o início da série histórica do indicador.

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

A nova edição da Síntese de Indicadores Sociais mostra que o Brasil registrou uma queda expressiva nos níveis de pobreza e extrema pobreza entre 2023 e 2024. No período, a proporção de brasileiros vivendo em situação de extrema privação recuou de 4,4% para 3,5%, uma redução de 0,9 ponto percentual. Já o contingente considerado pobre encolheu de 27,3% para 23,1%, retração de 4,2 pontos percentuais. Em números absolutos, a pobreza atingia 48,9 milhões de pessoas no ano passado, o equivalente a quase um quarto da população estimada em 211,8 milhões, mas cerca de 10,1 milhões conseguiram sair dessa condição ao longo de um ano.

As estatísticas seguem os critérios internacionais definidos pelo Banco Mundial, que considera o rendimento diário individual em dólares para definir o nível socioeconômico. Segundo essa metodologia, é classificado como extremamente pobre quem vive com até 2,15 dólares por dia, aproximadamente 11,50 reais, enquanto é considerado pobre quem dispõe de até 6,85 dólares diários, cerca de 36,65, reais. Trata-se de parâmetros que permitem comparar o desempenho brasileiro com outras economias e medir com mais precisão a evolução da desigualdade.

Ainda assim, o retrato do país mostra grandes disparidades territoriais. Nas áreas rurais, a vulnerabilidade é significativamente maior: 7,2% dos moradores do campo se encontram em extrema pobreza, mais que o dobro do índice verificado nas cidades (3%). Quando se analisam os dados de pobreza ampla, o contraste é ainda mais evidente, 43% dos domicílios rurais convivem com restrições severas de renda, ante 20,4% nos centros urbanos.

O estudo também destaca a persistência da desigualdade de renda no país. Entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres, a diferença de rendimento chega a 11,2 vezes. Esse abismo coloca o Brasil acima de outras economias latino-americanas, como Chile (10,1 vezes) e México (7,8 vezes), e também supera índices de países europeus, como Portugal e Espanha (5,5 vezes), Itália (5,4 vezes), França (4,5 vezes) e Suécia (4,3 vezes), todos próximos da média da OCDE, de 5,3 vezes. Entre as nações analisadas pelo levantamento, apenas a Costa Rica apresenta desigualdade superior, com razão de 12,3 vezes.

O cenário mostra que, apesar dos avanços no último ano, a desigualdade segue como um dos maiores desafios estruturais do país, especialmente fora dos centros urbanos, onde a exclusão social ainda avança em ritmo mais intenso.

Pretos, pardos e mulheres têm as maiores proporções de pessoas na pobreza

Proporcionalmente, a pobreza atinge mais às mulheres (24,0%) do que aos homens (22,2%). As taxas de pobreza e extrema pobreza chegaram, respectivamente, a 4,5% e 30,4%, entre as mulheres pretas ou pardas, enquanto entre os homens brancos os percentuais foram de 2,2% e 14,7%.

As pessoas pretas e pardas, juntas, representavam 56,8% do total da população e 71,3% dos pobres do país. Entre as pessoas pretas, 25,8% eram pobres e, entre as pessoas pardas, 29,8% estavam nessa condição, enquanto a prevalência da pobreza entre as pessoas brancas era de 15,1%. Cerca de 3,9% das pessoas de cor ou raça preta e 4,5% das pardas eram extremamente pobres em 2024 (contra 2,2% entre brancos).

Metade dos aposentados e pensionistas idosos estariam na pobreza sem a previdência social

Entre as crianças e adolescentes de 0 a 14 anos de idade, 5,6% eram extremamente pobres e 39,7% eram pobres, proporções superiores às da população com 60 anos ou mais de idade:1,9% e 8,3%, respectivamente.

A menor taxa de pobreza entre a população idosa beneficiária da previdência social está relacionada, principalmente, ao recebimento de aposentadorias e pensões, cujos valores são periodicamente corrigidos pelo salário mínimo. Na hipótese da não existência desses benefícios previdenciários, a extrema pobreza (US$ 2,15) nesse grupo etário passaria de 1,9% para 35,2% e a pobreza (US$ 6,85) passaria de 8,3% para 52,2%.

Em 2024, o índice de Gini do rendimento domiciliar per capita para o Brasil seria 7,5% maior sem os benefícios de programas sociais, passando de 0,504 para 0,542. Os impactos da ausência de benefícios seriam maiores no Norte e no Nordeste, com o Gini crescendo, respectivamente, 14,2% e 16,4%, e passando de 0,488 para 0,557 no Norte e de 0,499 para 0,582 no Nordeste. No Sudeste e no Sul, a ausência dos programas sociais teria menos impacto, chegando, respectivamente, a 3,7% e 4,7%, com o Gini passando de 0,490 para 0,513, no Sudeste, e de 0,457 para 0,474, no Sul.

O índice de Gini é um dos principais indicadores da desigualdade na distribuição de rendimentos. Este índice varia de 0 a 1, sendo 0 a situação de perfeita igualdade e 1, de perfeita desigualdade, onde todo o rendimento estaria concentrado em uma única pessoa.

Brasil é o segundo país com maior desigualdade de renda

Em 2022, no Brasil, o rendimento dos 20% da população com os maiores rendimentos era cerca de 11 vezes o rendimento dos 20% com os menores rendimentos. Entre os quarenta países selecionados pela OCDE para esta comparação, o Brasil tem a segunda maior desigualdade de rendimento, ficando atrás apenas da Costa Rica (12,3 vezes) e superando Chile (10,1 vezes) e México (7,8 vezes), além de Portugal e Espanha (5,5 vezes, ambos), Itália (5,4 vezes) França (4,5 vezes) e Suécia (4,3 vezes), mais próximos da média da OCDE (5,3 vezes).

Brasil tem a maior proporção de trabalhadores pobres na comparação da OCDE

A Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) considera pobres aqueles trabalhadores que vivem em domicílios cujo responsável está em idade de trabalhar e onde há pelo menos um membro ocupado, estando a renda domiciliar per capita deste domicílio abaixo de uma linha específica de pobreza (50% da mediana da renda).

Dos 40 países analisados, o Brasil apresentou a maior proporção de trabalhadores pobres (16,7%), seguido por Costa Rica (15,1%) e México (14,2%). Países como Estados Unidos (12,4%), Chile (12,9%), Espanha (11,5%), Japão (10,4%), Itália (9,3%) e Canadá (9,6%) também apresentaram proporção superior à média da OCDE (8,2%). Por outro lado, República Checa (3,6%), Bélgica (4,0%) e Irlanda (4,4%), apareceram com as menores proporções de trabalhadores pobres.

País tem 12 milhões de trabalhadores na pobreza

A metodologia do Banco Mundial considera como trabalhadores extremamente pobres e pobres aquelas pessoas ocupadas, mas que vivem em domicílios com rendimento domiciliar per capita abaixo das medidas monetárias de, respectivamente, US$ 2,15 e US$ 6,85 PPC de 2017.

A proporção de pessoas ocupadas que estavam na pobreza foi de 11,9% (ou 12,0 milhões), enquanto 47,6% (ou 3,4 milhões) dos desocupados e 27,8% (ou 17,9 milhões) daqueles fora da força de trabalho estavam nessa condição. Cerca de 0,6% (ou 585 mil) das pessoas ocupadas foram consideradas extremamente pobres em 2024, enquanto entre os desocupados a proporção chegou a 13,7% (ou 987,2 mil) e a 5,6% (ou 3,590 milhões) entre aqueles fora da força de trabalho.

Agropecuária e Serviços domésticos têm as maiores proporções de trabalhadores pobres

Entre a população ocupada, a baixa proporção de extremamente pobres (US$ 2,15) não permite que se faça uma diferenciação clara entre os grupos tratados, o que é possível fazer no caso da pobreza (US$ 6,85). As informações mais desagregadas mostram que o Norte e o Nordeste do país tinham as maiores proporções de trabalhadores pobres, abrangendo, respectivamente, 22,2% e 24,0% da sua população ocupada, em 2024. Em seguida, vinham Sudeste (7,4%), Centro Oeste (6,9%) e Sul (5,0%), as três últimas regiões com proporções abaixo do da média nacional (11,9%).

Em 2024, a pobreza foi maior entre os trabalhadores sem carteira de trabalho assinada (20,4%) e por conta própria (16,0%), e menor entre os trabalhadores com carteira assinada (6,7%). Da mesma forma, a pobreza foi mais intensa entre os trabalhadores na agropecuária (29,3%) e nos serviços domésticos (22,9%) e menos intensa na administração pública, saúde e serviços sociais (4,6%).

8,6 milhões de brasileiros

Mais de 8,6 milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza em 2024. Esse desempenho socioeconômico fez a proporção da população na pobreza cair de 27,3% em 2023 para 23,1%. É o menor nível já registrado desde 2012, quando começa a série histórica do IBGE.

Em 2024, o Brasil tinha 48,9 milhões de pessoas que viviam com menos de US$ 6,85 por dia, o que equivale a cerca de R$ 694, em valores corrigidos para o ano. Esse é o limite que o Banco Mundial define como linha da pobreza. Em 2023, o contingente na pobreza era de 57,6 milhões de brasileiros.

Os indicadores mostram o terceiro ano seguido com redução no número e na proporção de pobres, marcando uma recuperação pós-pandemia de covid-19, desencadeada em 2020.

Confira o comportamento da pobreza no país:

2012: 68,4 milhões

2019: 67,5 milhões (último ano antes da pandemia)

2020: 64,7 milhões

2021: 77 milhões

2022: 66,4 milhões

2023: 57,6 milhões

2024: 48,9 milhões

Em 2012, a proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza era de 34,7%. Em 2019 chegou a 32,6%. No primeiro ano da pandemia (2020) foi reduzida a 31,1% e chegou ao ponto mais alto da série em 2021, com 36,8%. Desde então, apresentou anos de queda, indo de 31,6% em 2022, para 23,1% no ano passado.

Trabalho e transferência de renda

O pesquisador do IBGE André Geraldo de Moraes Simões, responsável pelo estudo, explica que em 2020, ano de eclosão da pandemia, a pobreza chegou a ser reduzida por causa dos programas assistenciais emergenciais, como o Auxílio Emergencial, pago pelo governo federal.

“Esses benefícios voltaram em abril de 2021, mas com valores menores e restrição de acesso pelo público, e o mercado de trabalho ainda estava fragilizado, então a pobreza subiu”, afirma.

Simões acrescenta que, a partir de 2022, o mercado de trabalho voltou a aquecer, acompanhado por programas assistências com valores maiores, fatores que permitiram o avanço socioeconômico.

“Tanto o mercado de trabalho aquecido, quanto os benefícios de transferência de renda, principalmente o Bolsa Família e o Auxílio Brasil, que ganharam maiores valores e ampliaram o grupo da população que recebia”, assinala.

No segundo semestre de 2022, o programa Auxílio Brasil passou a pagar R$ 600. Em 2023, o programa foi rebatizado de Bolsa Família.

Extrema pobreza

No último ano, o Brasil vivenciou também redução da extrema pobreza, pessoas que viviam com renda de até US$ 2,15 por dia, cerca de R$ 218 mensais em valores corrigidos para o ano passado.

De 2023 para 2024, esse contingente passou de 9,3 milhões para 7,4 milhões, ou seja, 1,9 milhões de pessoas deixaram a condição. Essa evolução fez com que a proporção da população na extrema pobreza recuasse de 4,4% para 3,5%, a menor já registrada.

Em 2012, quando começou a série histórica, eram 6,6%. Em 2021, o patamar alcançou 9% (18,9 milhões de pessoas).

Desigualdade regional

Os números do IBGE deixam clara a desigualdade regional. Tanto a pobreza quanto a extrema pobreza no Norte e Nordeste superam a taxa nacional.

Pobreza

Nordeste: 39,4%

Norte: 35,9%

Brasil: 23,1%

Sudeste: 15,6%

Centro-Oeste: 15,4%

Sul: 11,2%

Extrema pobreza

Nordeste: 6,5%

Norte: 4,6%

Brasil: 3,5%

Sudeste: 2,3%

Centro-Oeste: 1,6%

Sul: 1,5%

“São as regiões mais vulneráveis do país, isso acaba se refletindo também no mercado de trabalho”, diz André Simões.

Outra desigualdade demonstrada é a racial. Na população branca, 15,1% eram pobres, enquanto 2,2% estavam na extrema pobreza.

Entre os pretos, a pobreza chegava a 25,8%, e a extrema pobreza a 3,9%. Na população parda, as parcelas eram 29,8% e 4,5%, respectivamente.

Menor Gini desde 2012

A Síntese de Indicadores Sociais atualizou o chamado Índice de Gini, que avalia a desigualdade de renda. O índice vai de 0 a 1 – quanto maior, pior a desigualdade.

Em 2024, o Índice de Gini atingiu 0,504, o menor valor da série iniciada em 2012. Em 2023, era 0,517.

Para medir o impacto de programas sociais na redução da desigualdade, o IBGE apresentou um cálculo do Gini caso não houvesse essa política assistencial.

O estudo constatou que o indicador seria 0,542 se não existissem programas de transferência de renda, como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC – um salário mínimo por mês ao idoso com idade igual ou superior a 65 anos ou à pessoa com deficiência de qualquer idade).

Outro exercício hipotético realizado pelos pesquisadores foi sobre a condição de pessoas com 60 anos ou mais se não houvesse benefícios previdenciários

A extrema pobreza entre os idosos passaria de 1,9% para 35,4%, projeta o instituto. Já a pobreza subiria de 8,3% para 52,3%.

O levantamento mostra também que a pobreza foi maior entre os trabalhadores informais. Entre os ocupados sem carteira assinada, era um em cada cinco (20,4%). Entre os empregados com carteira assinada, a proporção era de 6,7%.

Em outubro, o Boletim Desigualdade nas Metrópoles, produzido em parceria entre o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Observatório das Metrópoles, o Laboratório de Desigualdades, Pobreza e Mercado de Trabalho da Pontífice Universidade Católica do Rio Grande do Sul e a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina já mostrava avançoes no Gini. De acordo com um dos coordenadores do estudo, o professor da PUCRS André Salata, dois fatores contribuíram de forma mais expressiva para o resultado: o aumento da renda obtida com o trabalho e a valorização do salário mínimo.

“Nos últimos anos, a gente teve um mercado de trabalho mais aquecido, em grande medida se recuperando da pandemia, com baixa desocupação. E também o retorno da política de valorização real do salário mínimo, que a gente sabe que faz diferença principalmente nas camadas mais baixas”, diz o pesquisador.

“E o país está conseguindo aliar esses dois fatores com o controle da inflação. Pra todo mundo está melhorando, mas está melhorando proporcionalmente mais para quem está na base da pirâmide”, completa.

Como resultado, o aumento da renda foi maior entre os 40% mais pobres, saindo de R$ 474 por pessoa em 2021, para R$ 670 em 2024, o que também é um recorde da série histórica. Isso ajudou a diminuir também a taxa de pobreza nessas regiões, de 31,1% em 2021 para 23,4% em 2023, chegando a 19,4% no ano passado, o que significa que 9,5 milhões de pessoas deixaram a linha da pobreza entre 2021 e 2024.

Por outro lado, apesar de também ter caído, a diferença entre os dois extremos da pirâmide continua bastante expressiva. No ano passado, os 10% mais ricos tiveram rendimentos 15,5 vezes maiores do que os 40% mais pobres.

O professor explica que o coeficiente de Gini acima de 0,5 já é um nível de desigualdade muito alto, e ressalta que a taxa de pobreza nas metrópoles é de quase 20%.

“Tudo isso indica uma situação social que não é nada desejável. Então, se a gente olhar só a foto não há nada a se comemorar. Agora, quando você olha o movimento dos últimos anos, ou seja, o filme dos últimos anos, aí a gente tem motivos para se alegrar um pouco mais, e ser um pouco mais otimista, porque é um movimento de melhoria, de redução da pobreza, de aumento da renda média.” pondera.

O boletim congrega dados das 20 Regiões Metropolitanas do país (Manaus, Belém, Macapá, Grande São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Grande Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá e Goiânia) e também de Brasília e da Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina.

“Mais de 40% da população brasileira está nas metrópoles, o que significa mais de 80 milhões de pessoas. E dentro das nossas regiões metropolitanas, a gente encontra alguns dos maiores desafios para consolidar a cidadania no Brasil, em especial para as camadas mais pobres. E quando a gente analisa a desigualdade dentro dessas regiões, a gente tá falando daquela desigualdade que o morador encara diariamente” enfatiza Salata.

Lula: queda da pobreza está ligada à menor inflação e maiores salários

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que há mais dinheiro circulando entre os trabalhadores por causa da redução geral dos preços e crescimento dos salários.

“Nós temos hoje a menor inflação acumulada em quatro anos. Hoje, nós temos o maior crescimento do salário mínimo, o maior crescimento da massa salarial deste país. Hoje, nós temos o menor desemprego da história deste país. E hoje, nós temos o menor índice de pobreza de todos os 525 anos de história desse país. Por uma razão muito simples, o dinheiro está chegando na mão do povo”, afirmou.

O presidente também lembrou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil de salário, que entra em vigor a partir de janeiro, e os sucessivos crescimentos da economia acima de 3% desde 2023.

“É esse país que nós temos que fazer acontecer, todo mundo tem que participar da riqueza produzida. É por isso que nós fizemos o desconto do Imposto de Renda, porque, no Brasil, o rico paga proporcionalmente menos do que o pobre”, observou.

Número dos que procuram emprego há mais de 2 anos cai 17,8%, diz IBGE

O contingente de trabalhadores que procuravam emprego há dois anos ou mais recuou 17,8% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024. Além disso, o número dos que buscam ocupação há mais de um mês e menos de um ano é o menor já registrado desde 2012.

O recorde de baixa no número de desempregados vale também para quem está à procura de emprego por um período que varia de um a menos dois anos.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada em novembro pelo IBGE.

O levantamento mostra também que o número de brasileiros que estão há menos de um mês à procura de trabalho caiu 14,2% em relação ao terceiro trimestre de 2024.

Dessa forma, todas as faixas de tempo de procura apresentaram redução no número de desocupados. A constatação acontece em um cenário em que o país atingiu a taxa de desocupação de 5,6%, a menor já registrada pela série histórica da pesquisa, iniciada em 2012, conforme anunciado no fim de outubro.

Pesquisa sobre emprego

O Pnad apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo. Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

A pesquisa do IBGE detalhou o contingente de desocupados em quatro faixas de tempo de procura:

Menos de um mês: 1,1 milhão de pessoas, redução de 14,2% na comparação anual. Menos contingente desde o terceiro trimestre de 2015.

Um mês a menos de um ano: 3 milhões de desocupados, redução de 12,2% e o menor contingente já registrado.

Um na a menos de dois anos: 666 mil pessoas, redução de 11,1% e menor número já registrado.

Dois anos ou mais: 1,2 milhão de pessoas, redução de 17,8% e menor contingente desde 2014.

No terceiro trimestre de 2025, o Brasil tinha metade dos desocupados (50,8%) na faixa de um mês a menos de um ano de procura. No extremo da segmentação temporal, 19,5% dos desocupados procuravam emprego há dois anos ou mais, menor parcela desde 2015.

Conservadores radicais querem mais CLT que progressistas, diz pesquisa

A maioria dos brasileiros (63%) prefere a segurança de um emprego CLT, incluindo direitos e proteções como aviso prévio, férias e 13º salários, mesmo que tenha que cumprir horário e receber ordens de um chefe. E há mais defensores das proteções da leis trabalhistas entre conservadores radicais do que entre progressistas.

O resultado está na pesquisa “O Brasil Invisível”, realizada pela ONG More in Common em parceria com a Quaest, coordenada por Pablo Ortellado, professor de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo, e lançada ontem em São Paulo. Foram ouvidas mais de 10 mil pessoas em todo o país, com margem de erro geral de um ponto, para entender como está dividida a sociedade brasileira e o que pensa cada segmento.

A pesquisa dividiu a sociedade em seis grupos. À esquerda, os Progressistas Militantes representam cerca de 5% da população. À direita, os Patriotas Indignados somam aproximadamente 6%. São esses os grupos mais engajados e ruidosos. Eles, inclusive, puxam consigo dois outros grupos de apoio, mais numerosos e menos engajados: a Esquerda Tradicional (14%) e os Conservadores Tradicionais (21%). Por fim, Desengajados (27%) e Cautelosos (27%) são a maioria silenciosa, o primeiro, mais progressista, o segundo, mais conservador, mas fora do debate político — mais sobre eles ao final deste texto.

A opção por um emprego CLT, com direitos, mesmo que tenha que bater cartão e ter chefe, é endossada por 51% dos Progressistas Militantes, 68% da Esquerda Tradicional, 65% dos Desengajados, 64% dos Cautelosos, 49% dos Conservadores Tradicionais e 71% dos Patriotas Indignados. Ou seja, mais Patriotas Indignados do que Progressistas Militantes.

Estamos acostumados a associar a defesa e o desejo das proteções sociais ao trabalho mais às identidades de esquerda e menos às identidades de direita. Mas, para Ortellado, isso é verdade para quem tem identidade de ser de esquerda ou direita e é verdade também para quem votou em Lula ou Bolsonaro. “Agora quando olhamos para a distinção progressista e conservador, tanto do ponto de vista da opinião quanto do ponto de vista da identidade, descobrimos que os conservadores mais radicais preferem mais dos que os progressistas as proteções sociais do trabalho”, analisou ao UOL.

O coordenador do estudo afirma que, embora pareça surpreendente, precisamos lembrar que o espectro político hoje é organizado em dois eixos: um que vai do social ao liberal, outro que vai do progressista ao conservador nos costumes. E nesse eixo de costumes, o conservadorismo quer proteção ao trabalho.

“É um achado que tem implicações importantes para os políticos que mobilizam os conservadores e que pressupõem erroneamente que sua base seria também economicamente mais liberal”, afirma.

Trabalhadores querem proteção CLT, mas também autonomia

O grupo dos Conservadores Tradicionais, segundo a pesquisa, se divide com alguma vantagem para a valorização de trabalhar sem patrão e com o próprio horário, mesmo sem direitos.

Todos os grupos também concordam que seja descontada de sua remuneração a contribuição para o INSS para garantir aposentadoria, salário-maternidade, auxílio-doença e pensão por morte. Isso é chancelado por 71% dos Progressistas Militantes, 66% da Esquerda Tradicional, 63% dos Desengajados, 62% dos Cautelosos, 56% dos Conservadores Tradicionais e 62% dos Patriotas Indignados.

Mas a pesquisa também aponta que apesar de desejarem a segurança da CLT, os brasileiros também valorizam a flexibilidade de ser autônomo e não empregado de alguém, inclusive entre os seguimentos mais à esquerda no espectro ideológico. O estudo aponta que as razões para isso ainda precisam ser aprofundadas.

Gostariam de ser autônomos 58% dos Progressistas Militantes, 60% da Esquerda Tradicional, 66% dos Desengajados, 70% dos Cautelosos, 75% dos Conservadores Tradicionais e 75% dos Patriotas Indignados.

Uma análise possível dos dados é que a maioria dos brasileiros conhece e quer as proteções da CLT, e aceita os deveres de um contrato de trabalho, mas estão cansados de empregos ruins que pagam pouco, chefes assediadores e incompetentes e jornadas longas e extenuantes.

Nesse contexto, enquadra-se a discussão da mudança da jornada 6 por 1 para um padrão 5 por 2. O tema, que voltou à tona através do vereador carioca Rick Azevedo e da deputada federal Erika Hilton, ambos do PSOL, atualizou a demanda sindical da redução de 44 para 40 horas semanais.

Segundo a pesquisa, mesmo entre o grupo dos patriotas indignados, os que mais querem ser autônomos, melhorar emprego e renda deve ser prioridade do governo, apenas atrás da saúde.

‘Invisíveis’ serão os fiéis da balança eleitoral

O senso comum, amplificado pelas caixas de ressonância das redes sociais e pelo calor do debate político, tem nos convencido de que o Brasil está irremediavelmente polarizado. Mas a pesquisa desmonta essa interpretação e revela um panorama mais complexo e cheio de nuances. E a forma como o trabalho é visto é uma delas, com grupos ideologicamente diferentes concordando na importância de direitos, por exemplo.

A chave para entender o resultado das eleições está nos chamados Desengajados e Cautelosos, que forma 54% da população.

“O que define esses segmentos intermediários é que eles estão sob um efeito bem mais suave da ação dos grupos polarizados. Se o que move o grupo mais conservador é a questão da moral, da ordem, dos valores familiares e o que move o grupo mais progressista é a justiça social, os grupos do meio assimilam as duas coisas a mesmo tempo, em nuances”, explicou Ortellado.

Esses dois segmentos são chamados pela pesquisa de os “invisíveis” porque não estão polarizados na maioria das questões investigadas e preferem se afastar da política ruidosa. Mas decidem eleições.

Destaques

Entre 2023 e 2024, a proporção da população do país na pobreza (linha US$ 6,85 PPC ou R$ 694 por mês) recuou de 27,3% em 2023 para 23,1%. Foi uma redução de 4,2 pontos percentuais ou menos 8,6 milhões de pessoas na pobreza. Já a proporção de pessoas na extrema pobreza (linha US$ 2,15 PPC ou R$ 218 por mês) recuou de 4,4% para 3,5%, uma redução de 0,9 ponto percentual, ou menos 1,9 milhão de pessoas nessa situação.

– Sem os benefícios de programas sociais, a proporção de pessoas na extrema pobreza subiria de 3,5% para 10,0% da população, enquanto a proporção da pobreza aumentaria de 23,1% para 28,7% em 2024.

– Cerca de 25,8% das pessoas de cor ou raça preta e 29,8% das pessoas pardas eram pobres, enquanto entre a população branca essa proporção era de 15,1%.

– Se a população idosa (60 anos ou mais de idade), que recebem aposentadorias e pensões, não tivesse acesso a esses benefícios previdenciários, a extrema pobreza nesse grupo passaria de 1,9% para 35,2% e a pobreza, de 8,3% para 52,2%.

– Em 2022, no Brasil, o rendimento dos 20% da população melhor remunerada era cerca de 11 vezes o dos 20% com os menores rendimentos. Entre quarenta países selecionados pela OCDE, o Brasil tem a segunda maior desigualdade nesta comparação, ficando atrás apenas da Costa Rica (12,3 vezes).

– Na população ocupada do país, a proporção de pobres foi de 11,9%. Entre os desocupados, a pobreza atingia 47,6%. Além disso, menos de 0,6% das pessoas ocupadas foram consideradas extremamente pobres, enquanto entre os desocupados a extrema pobreza chegou a 13,7%.

– Em 2024, a pobreza foi maior entre os trabalhadores sem carteira assinada (20,4%) e por conta própria (16,0%), e menor para os trabalhadores com carteira assinada (6,7%).

– A pobreza foi superior entre os trabalhadores da agropecuária (29,3%) e dos serviços domésticos (22,9%) e inferior no setor de administração pública, saúde e serviços sociais (4,6%).

NATUREZA MORTA


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *