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Especial
Esquerda cresce diante de um adversário engolido pelo bolsonarismo
Publicado em 26/09/2025 5:25 - Semana On
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A direita brasileira vive uma crise de identidade e de viabilidade política. A constatação é visível: após o bolsonarismo, não sobrou uma direita institucionalizada, programática ou minimamente coerente. O fenômeno é semelhante à fagocitose aprendida nas aulas de ciências, ilustrou o jornalista Reinaldo Azevedo, em artigo no UOL: o bolsonarismo engoliu todo o campo conservador, anulando qualquer tentativa de se afirmar como uma força democrática e autônoma.
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Esse cenário, que hoje se desdobra em disputas internas, hesitações estratégicas e afetações de protagonismo, tem nome e forma. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, surge como o herdeiro natural do capital eleitoral bolsonarista. Porém, não controla o grupo que lhe deu origem. Oscilando entre o tom profético e o recuo tático, ora ensaia uma candidatura presidencial, ora alega preferir ficar onde está. Nos bastidores, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) articula para unir o que chama de “Direita”, mas a unidade é ilusória: o bolsonarismo não cede espaço — fagocita.
Tarcísio, outrora símbolo da eficiência técnica e da lealdade a Jair Bolsonaro, agora é apontado como plano B de setores do centrão e de empresários em busca de uma direita “civilizada”. Seu momento “Tigrão”, em que batia no peito e enfrentava o Supremo Tribunal Federal (STF) com retórica inflamada, foi substituído por um tom vacilante, quase melancólico. “Não quero mais saber desse negócio de Presidência”, teria confidenciado, segundo aliados.
Em Brasília, Ciro Nogueira tenta reagrupar as peças. Em uma mensagem enviada a seus contatos, escreveu: “Já está passando de todos os limites a falta de bom senso da Direita, digo aqui a centro-direita, a própria direita e seu extremo. Ou nos unificamos ou vamos jogar fora uma eleição ganha outra vez.”
O problema é que essa “Direita” unificada nunca existiu como força coesa. Desde 2018, o bolsonarismo absorveu não apenas os votos, mas também os discursos, estratégias e lideranças conservadoras — inclusive o próprio Ciro, que agora tenta se apresentar como estrategista de uma recomposição.
A PEC da Blindagem e o revisionismo golpista
Ciro carrega contradições evidentes. É um dos padrinhos da PEC da Blindagem, apelidada nas ruas de “PEC da Bandidagem”, que visava dificultar a prisão de parlamentares e proteger figuras aliadas dos inquéritos em curso. A proposta fracassou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas revelou o grau de comprometimento da cúpula do centrão com pautas de autodefesa legislativa.
A tentativa de anistiar os golpistas do 8 de janeiro — inicialmente tratada como prioridade por aliados de Bolsonaro — foi sendo reembalada como “dosimetria”, um revisionismo de conveniência. Ciro, embora crítico da proposta, age como articulador de um bloco que flerta com o autoritarismo quando julga necessário.
Paradoxalmente, uma eventual vitória de Tarcísio em 2026 pode representar o fim do bolsonarismo tal como o conhecemos. Fora do controle direto de Jair Bolsonaro e seus filhos, o movimento corre o risco de ser desidratado por um gestor com discurso mais palatável ao centro. Eduardo Bolsonaro, ciente disso, resiste: prefere perder para o PT e manter o controle do capital simbólico do bolsonarismo do que vencê-lo abrindo mão da liderança.
A lógica, embora cínica, tem consistência histórica. O PT, por exemplo, nunca abriu mão da hegemonia nos acordos de coalizão, mesmo quando governou com o apoio de partidos do centrão. Como observa o cientista político Jairo Nicolau, da FGV: “Desde 1989, o PT construiu uma base eleitoral sólida e manteve sua identidade mesmo quando precisou fazer alianças amplas. É um caso raro de partido que sobreviveu à crise da representação sem diluir seu programa.”
A direita nunca esteve tão dividida
A fala de Ciro Nogueira sugere que há uma eleição “ganha” a ser desperdiçada, mas os dados históricos desmentem essa premissa. Desde a redemocratização, o PT venceu cinco das nove eleições presidenciais diretas. Perdeu duas para Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1994 e 1998, foi derrotado por Collor em 1989 e por Bolsonaro em 2018 — ambos candidatos de apelo personalista e conservador. Nunca existiu uma direita democrática e unificada que “perdeu eleições ganhas”.
O bolsonarismo venceu porque criou um novo tipo de vínculo com o eleitorado: baseado em ressentimento, escatologia política e culto à personalidade. É por isso que nomes como Tarcísio enfrentam resistência entre os radicais. Sua defesa da privatização da Sabesp, sua aliança com o agronegócio, seu apoio às escolas cívico-militares e sua política de segurança pública podem agradar ao mercado, mas não mobilizam a base bolsonarista com a mesma eficácia dos discursos de ruptura institucional.
Tarcísio, por vezes, se comporta como uma promessa política que hesita em se cumprir. Ora é o líder messiânico da direita tecnocrática, ora se retrai diante dos desafios, temendo desagradar Bolsonaro e seus fiéis. Reinaldo Azevedo, autor do artigo que inspira esta análise, comparou-o ao personagem Bell’Antonio, do filme de Mauro Bolognini: desejado por todos, mas impotente na hora da ação.
A metáfora é precisa. A direita, hoje, parece um corpo sem nervo: perdeu sua organicidade e depende da vitalidade de um organismo que a fagocitou. Enquanto isso, o bolsonarismo permanece como única força política à direita com lastro popular e capacidade de mobilização, mesmo que à custa da institucionalidade democrática.
A direita brasileira enfrenta um impasse de grandes proporções. Sem projeto, sem unidade e sem liderança incontestável, tornou-se um campo de disputa entre a radicalidade bolsonarista e a tecnocracia hesitante. A dúvida não é apenas se Tarcísio será candidato, mas se ainda há uma direita capaz de existir fora da ameba política que a devorou.
Lula ganha fôlego político e moral em meio à crise da oposição
A guerra surda dentro da direita e a hesitação estratégica de Tarcísio de Freitas não apenas revelam um vácuo de liderança no campo conservador, como criam as condições para um reposicionamento político do governo Lula. O que antes parecia um impasse entre extremos ideológicos começa a ganhar novos contornos: à medida que a oposição se divide e fragiliza, a imagem do Executivo se fortalece — não por marketing, mas pelo acúmulo de dados econômicos favoráveis, pela defesa da legalidade democrática e, paradoxalmente, pelas investidas desastradas de seus adversários. É esse novo cenário que a mais recente edição da pesquisa Pulso Brasil, conduzida pelo instituto Ipespe nos dias 19 e 20 de setembro de 2025, começa a revelar.
Os números sugerem uma mudança significativa no humor do eleitorado brasileiro. O levantamento mostra que 50% dos entrevistados aprovam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra 48% que desaprovam. Com margem de erro de dois pontos percentuais, os dados indicam um ponto de inflexão: é a primeira vez desde dezembro de 2024 que a taxa de aprovação supera a de reprovação.
Mais do que um simples ajuste estatístico, trata-se de uma reconexão entre a percepção pública e os dados concretos da realidade, especialmente no que diz respeito a emprego, renda, inflação e estabilidade institucional. Em comparação com julho, o governo Lula registrou um salto de sete pontos na aprovação (de 43% para 50%) e uma queda de três pontos na reprovação (de 51% para 48%). A virada líquida de dez pontos sugere que a opinião pública começa a corrigir distorções alimentadas por uma cobertura midiática muitas vezes guiada mais por interesses de mercado do que pela análise objetiva.
Economia real x narrativa de colapso
A contradição entre os indicadores econômicos positivos e a avaliação negativa do governo vinha sendo motivo de perplexidade para analistas e comunicadores. A taxa de desemprego em queda, o crescimento do PIB acima das previsões e a inflação sob controle — dados amplamente divulgados por fontes como IBGE, Ipea e Banco Central — não se refletiam nas pesquisas até aqui. Um dos motivos parece ser a pressão exercida pelo jornalismo econômico, que tem reiteradamente dramatizado a questão fiscal, apresentando o país como à beira do abismo.
“Não faz tempo, havia dois nichos em que se tinha a impressão de que o Brasil caminhava para o caos: as pesquisas e o jornalismo econômico”, disse Reinaldo Azevedo em sua coluna no UOL.
Embora a discussão sobre a dívida pública seja legítima, a maneira como tem sido tratada por parte da mídia financeira distorce a realidade, priorizando o alarme ao invés da explicação. A recuperação dos índices de aprovação, portanto, pode indicar um amadurecimento do olhar popular sobre os desafios econômicos — e também um desgaste da retórica catastrofista.
Ideologia, classe e informação
A divisão ideológica segue sendo um fator central para entender a polarização das avaliações. Entre os que se declaram de esquerda, 95% aprovam o governo, enquanto 88% dos direitistas o reprovam. O dado mais revelador, contudo, vem do centro político: 49% de aprovação contra 45% de reprovação, sinalizando uma disputa real e ainda aberta por esse eleitorado.
No corte por classe social, os pobres (40% da amostra) aprovam Lula por 52% a 45%, a classe média (55%) por 51% a 46%, e os ricos (2%) rejeitam em massa: 84% a 16%. Chama atenção o fato de que não há indicadores econômicos objetivos que sustentem essa insatisfação entre os mais ricos, sugerindo que a rejeição tem motivação predominantemente ideológica — ou, em alguns casos, patrimonialista.
Essa conclusão ecoa análises de estudiosos como Jessé Souza, sociólogo e ex-presidente do Ipea, que já havia apontado em seu livro A Elite do Atraso (2017) que as camadas mais abastadas do Brasil tendem a rejeitar qualquer projeto redistributivo, mesmo que isso contrarie seus interesses econômicos de longo prazo.
A influência da imprensa e os “inimigos úteis”
Segundo o Ipespe, o chamado “tarifaço” ainda era o assunto mais lembrado no momento da pesquisa, assim como a aprovação da PEC da Anistia na Câmara dos Deputados. Ainda assim, a percepção de que o noticiário é favorável ao governo subiu de 31% para 38% entre julho e setembro, enquanto a de que é desfavorável caiu de 41% para 35%. Desde maio, essa percepção se inverteu completamente: o saldo negativo de 26 pontos virou um positivo de 3 — uma virada de 29 pontos em quatro meses.
Tal mudança de percepção coincide com uma série de eventos favoráveis ao governo: as manifestações populares contra a anistia de golpistas, o discurso de Lula na ONU e até a estranha piscadela de Donald Trump ao presidente brasileiro. Como ironizou Rui Barbosa em sua célebre Oração aos Moços, “o melhor que me aconteceu veio das maquinações dos malévolos”. O mesmo pode ser dito do atual cenário político.
As tentativas de setores da oposição de emplacar pautas regressivas — como a anistia para golpistas e a blindagem parlamentar — acabaram oferecendo ao governo a chance de se reposicionar como defensor da legalidade, da justiça social e da soberania nacional. Nesse embate, os adversários acabaram contribuindo involuntariamente para a recuperação da imagem presidencial.
Um governo que sobe pela força dos fatos
A nova rodada da pesquisa Ipespe aponta para um governo que começa a colher os frutos não apenas de suas políticas públicas, mas também de um ambiente político em que as contradições da oposição se tornam cada vez mais evidentes. Ao defender impunidade, atacar instituições e flertar com o golpismo, setores da direita empurram parte do eleitorado para o campo do governo — não por adesão cega, mas por falta de alternativa institucional viável.
O saldo, até aqui, é que o governo Lula vai sendo reavaliado com base em dados objetivos e não apenas em narrativas políticas. E embora o caminho ainda seja instável, os sinais indicam que a democracia brasileira, com todas as suas falhas, continua sendo capaz de corrigir distorções — inclusive as da percepção pública.
A Nova Geografia Política do Brasil
A fragmentação da direita, seu alinhamento progressivo com pautas autoritárias e a hesitação de figuras como Tarcísio de Freitas em assumir protagonismo não ocorrem no vácuo: elas se refletem na percepção que a sociedade tem do sistema político como um todo. Se a elite conservadora disputa internamente os rumos da oposição, as pesquisas mostram que a opinião pública já estabeleceu um novo mapa simbólico da política brasileira — um cenário em que a esquerda passa a ser identificada com a legalidade institucional, enquanto a direita bolsonarista, antes hegemônica, aparece cada vez mais associada ao golpismo e à ruptura. A pesquisa Pulso Brasil revela como essa nova geografia política está sendo percebida por diferentes classes sociais e orientações ideológicas.
Os resultados oferecem um retrato contundente e revelador das percepções políticas da sociedade brasileira. Em meio ao julgamento de golpistas pelo Supremo Tribunal Federal e às articulações legislativas que buscam atenuar as punições dos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, o levantamento aponta para uma reconfiguração simbólica e ideológica do país: a esquerda, historicamente acusada de “antissistema”, aparece hoje como defensora da legalidade institucional, enquanto a direita — em especial os setores vinculados ao bolsonarismo — é identificada como promotora da desordem e da ruptura.
Câmara dos Deputados: rejeição quase unânime
A Câmara dos Deputados registra um dos piores índices de avaliação negativa já captados pelo Ipespe. Sete em cada dez brasileiros (70%) desaprovam o trabalho da Casa, contra apenas 18% que aprovam. Trata-se de um agravamento significativo desde julho, quando a desaprovação era de 63%. Para o cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe: “Ao motim do plenário em agosto, somou-se a PEC das Prerrogativas, produzindo um desgaste significativo na imagem da Câmara.”
A desaprovação atinge todos os espectros ideológicos. Entre os entrevistados de esquerda, 83% reprovam a Câmara, contra apenas 12% de aprovação. Entre os direitistas, a reprovação chega a 58%, com aprovação de 28%. O centro também mostra forte rejeição: 73% contra 16%.
No corte por classe social, os dados surpreendem: os brasileiros que se dizem ricos (2% da amostra) são os mais críticos, com 78% de desaprovação, enquanto entre os pobres (50% da amostra), o índice é de 64%. A classe média (55% dos entrevistados) segue a tendência, com 74% de rejeição à Câmara.
Esses números ajudam a explicar a reação popular à chamada PEC da Dosimetria — apelidada por manifestantes como “PEC da Ladroagem” ou “PEC da Anistia” — que tenta reduzir penas para envolvidos nos atos golpistas. A declaração do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ao condicionar a votação da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil à aprovação da anistia, foi vista como um gesto político descolado da realidade social. Mesmo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), precisou intervir para negar a barganha.
Senado: menos exposto, mas ainda reprovado
O Senado, menos visado que a Câmara, também registra má avaliação. 61% dos entrevistados desaprovam o trabalho dos senadores, um leve aumento em relação aos 59% de julho. A aprovação é de apenas 26%.
Curiosamente, a rejeição entre os autodeclarados direitistas (68%) é maior que entre os esquerdistas (49%), refletindo o descontentamento da base bolsonarista com a atuação da Casa, especialmente após o arquivamento da chamada PEC da Bandidagem pela Comissão de Constituição e Justiça.
Entre os ricos, a reprovação ao Senado atinge 75%, enquanto entre os pobres é de 57%. Na classe média, 60% desaprovam.
Supremo Tribunal Federal: da rejeição à âncora da democracia
Em contrapartida, o Supremo Tribunal Federal apresentou melhora em sua imagem pública. A aprovação do STF subiu de 43% para 46% desde julho, enquanto a desaprovação caiu de 49% para 44%. A virada nos números coincide com as condenações dos envolvidos nos ataques às instituições democráticas.
No recorte ideológico, a polarização é intensa: 93% dos entrevistados de esquerda aprovam o STF, enquanto 86% dos direitistas o desaprovam. Entre os centristas, há um empate exato: 44% de aprovação e 44% de reprovação.
Mas um dado se destaca: os 2% de entrevistados que se declaram ricos são os mais críticos ao Supremo — 54% de desaprovação, contra apenas 3% de aprovação; os demais (43%) preferem não opinar. Já entre os mais pobres, o STF aparece com saldo positivo: 47% de aprovação contra 42%. Na classe média, a aprovação também supera a reprovação por 49% a 44%.
O contraste é simbólico. Os setores mais humildes da população, tradicionalmente apontados como vulneráveis à retórica populista, mostram maior alinhamento com a legalidade constitucional. Os setores mais ricos, por sua vez, revelam um desencanto que flerta com a desestabilização institucional.
Um país dividido, mas não como se pensa
O que os dados revelam, portanto, é um país em que a clivagem ideológica se reorganiza, não apenas entre esquerda e direita, mas entre legalidade e ruptura. O Supremo, com todos os seus limites, aparece como a principal âncora da democracia brasileira, diante de um Congresso cada vez mais desacreditado. A pesquisa sugere uma inversão histórica: a esquerda, antes vista como contestadora da ordem, tornou-se a principal defensora da Constituição, enquanto a direita tradicional parece ter sido absorvida por uma cultura de exceção.
A elite econômica — presumivelmente mais informada — demonstra ser também a mais desconectada da realidade democrática. Como ironizou o colunista Reinaldo Azevedo em artigo que inspira esta análise, “há coincidência entre o dinheiro e a burrice”, ao apontar a discrepância entre o nível de informação presumido e a leitura da institucionalidade revelada nas respostas dos mais ricos.
A pesquisa do Ipespe revela, com números robustos, um novo mapa político do Brasil:
– A esquerda se identifica com a legalidade institucional, e aprova amplamente o Supremo.
– A direita bolsonarista permanece em rota de colisão com as instituições, inclusive com o Senado.
– Os ricos se mostram os mais insatisfeitos com a democracia representativa e judicial.
– A Câmara dos Deputados perdeu credibilidade em todas as classes e espectros ideológicos.
– O STF emerge como esteio da ordem democrática, num país onde o Congresso é percebido como epicentro da crise institucional.
Em um momento de transição e incerteza, os dados sugerem que a estabilidade do Brasil tem vindo, paradoxalmente, dos pobres e da classe média, e não das elites supostamente esclarecidas. A democracia brasileira, pressionada por todos os lados, resiste — com apoio popular e sob a guarda vigilante da Constituição.
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