21/02/2024 - Edição 525

Entrevista

Rose Modesto fala de suas propostas para Campo Grande

Publicado em 10/09/2016 12:00 -

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Rose Modesto, candidata à Prefeitura pela coligação Juntos Por Campo Grande (PSDB-PR-PDT-PSB-PRB-PSL-SD) vem de uma família simples de Culturama, distrito de Fátima do Sul, e é a caçula de cinco irmãos. Mudou-se para a Capital em 1984. Foi aluna bolsista na UCDB e aos 21 anos se formou em História. Lecionou em regiões carentes, como no Bairro Dom Antônio Barbosa. Criou os projetos "Aprendendo com música" e o "Tocando em Frente", para jovens da Capital. Em 2008, foi eleita vereadora pela primeira vez. Em 2012, reelegeu-se como a segunda mais votada. Apresentou 75 projetos de lei. Em 2014, foi eleita vice-governadora de MS ao lado de Reinaldo Azambuja. Assumiu a Secretaria de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast), cargo que ocupou até o início das Eleições 2016.

 

Tradicionalmente a Saúde no país tem sido tratada sob a ótica "hospitalocêntrica", com foco nos hospitais, na remediação da doença já instalada, ao invés do modelo que foca a prevenção. Que modelo de Saúde pretende adotar em Campo Grande?

A mudança que estamos propondo para a saúde começa exatamente aí: na prevenção. Vamos atender prontamente quem precisa realizar consultas e exames, garantir a presença de médicos nos postos de saúde e disponibilizar remédios e vacinas para quem precisa. O atendimento básico faz toda a diferença. O paciente quando procura o posto de saúde e não consegue ser atendido, ou não recebe um bom atendimento, vai acabar dentro de um hospital. A saúde será prioridade do nosso governo. Por meio de uma gestão eficiente, vamos fazer muito mais com menos. A Caravana da Saúde, do Governo do Estado, mostrou que é possível garantir atendimento de qualidade com os recursos existentes, e nós teremos a nossa Caravana da Saúde para atender de forma emergencial a demanda reprimida.

Que mudança fundamental pretende adotar na Rede Municipal de Ensino para oferecer uma Educação de qualidade aos jovens da capital?

Há muito a ser feito. Vamos pagar o piso nacional para os professores, para que eles trabalhem motivados, realizaremos eleições diretas para os diretores e vamos aumentar o número de escolas em tempo integral – teremos pelo menos uma unidade em cada região – oferecendo ensino de qualidade para os alunos da rede municipal.

Precisamos também cuidar das crianças menores. Uma lei de minha autoria, de 2013, determina divulgação da lista de espera por vagas nos Centros de Educação Infantil (Ceinfs) da nossa cidade, para evitar qualquer favorecimento e garantir igualdade a todos que desejam uma vaga nas unidades educacionais disponíveis. Esse é um instrumento importante de transparência que defendi e uma conquista para a população, pois a situação é desesperadora para quem procura uma vaga para o filho em um Ceinf, mas não consegue.

Vamos universalizar as matrículas para crianças de 4 a 5 anos. Hoje, temos 27 Centros de Educação Infantil inacabados, sendo 18 com obras paradas e nove que estão apenas no papel. Então, vamos finalizar as 27 que deveriam ter sido entregues e que irão receber mais de 5 mil crianças.

Sem essas creches, muitas dessas crianças encontram-se em situação de vulnerabilidade. As mães precisam trabalhar e não têm com quem deixar essas crianças, que acabam sujeitas a abusos e acidentes domésticos.  

E não basta garantir as vagas. Vamos transformar as creches em verdadeiras salas de aula para a Educação Infantil, com brinquedoteca e livros adequados à faixa etária. Os professores das creches e pré-escolares vão ter formação em pedagogia e os trabalhadores auxiliares terão Ensino Médio Completo.

O Transporte começa a ser um ponto de estrangulamento em Campo Grande. Que medidas pretende tomar para fazer frente a este desafio?

O dia a dia da população já começa com ônibus lotados e trânsito parado em várias ruas e avenidas. São as consequências de um crescimento desordenado, sem planejamento. A frota da Capital tem aumentado muito e já ultrapassou a marca de meio milhão (500 mil) de automóveis. Quem pode, usa veículo particular porque o transporte público é ineficiente. Faltam linhas e os ônibus atrasam. Vamos repensar nosso sistema de trânsito, melhorar e modernizar a sinalização vertical e horizontal, identificar os pontos críticos de acidentes e readequar as vias, modernizar o sistema de controle de tráfego na cidade e modernizar e incentivar o uso do transporte público. Vamos renegociar a tarifa e implantar os corredores de ônibus.

Que ações serão efetivadas para a geração de emprego e renda em Campo Grande?

Se eu for eleita, vamos atrair novos empreendimentos para Campo Grande na área da indústria, comércio e serviços, simplificar o processo para a abertura de empresas, e fortalecer e modernizar o comércio nos bairros. Reduziremos o tempo de concessão e renovação de alvarás e licenciamento ambiental para pequenos negócios e vamos implantar programas de qualificação e consultoria. São medidas que vão estimular a geração de empregos.

Tenho visitado muitas empresas da nossa cidade, ao lado do candidato a vice, Cláudio Mendonça. Campo Grande precisa voltar a crescer e eu conto com a experiência do Cláudio, que esteve à frente do Sebrae durante 9 anos como diretor-superintendente, é empresário e entende que gestão pública eficaz é feita por meio do diálogo.

O setor produtivo de Campo Grande já tem nos apoiado porque sabe que vamos reverter a situação atual, em que a cidade não recebe nenhum investimento e o desemprego só aumenta. Hoje não há incentivos para atrair novos investimentos, novas empresas e nem ao menos se consegue manter a competitividade das que ainda conseguem sobreviver.

Vamos rever e aplicar uma nova política de desenvolvimento na nossa cidade para fomentar a geração de emprego e renda: revitalização dos polos industriais, consolidação de Campo Grande como um centro distribuidor de bens e serviços, qualificação profissional para atender uma economia diversificada, entre tantas outras medidas a serem adotadas com urgência.

Em uma cidade de quase um milhão de habitantes é natural que a questão da segurança pública necessite de atenção redobrada. Que medidas pretende tomar nesta área?

O Município tem sua responsabilidade na segurança pública. Vamos trabalhar com a prevenção. Vamos fazer funcionar de forma eficaz o videomonitoramento. Ruas escuras são um prato cheio para os bandidos. Integraremos as ações da Guarda Municipal com as policiais Civil e Militar para melhorar a segurança pública no centro e nos bairros e criar um sistema de troca de informações e compartilhamento de inteligência. Investiremos em equipamentos, armamento, viaturas e modernização das bases operacionais da Guarda Municipal. Vamos capacitar esses homens e mulheres. Desta forma, buscaremos alternativas para que a Guarda Municipal possa priorizar a atuação em escolas, postos de saúde, parques e praças, pontos de ônibus e, principalmente, no apoio às ações de segurança das policiais. Acreditamos que a prevenção também é fundamental para a melhoria da segurança pública, através de ações simples, mas eficazes, como iluminação de ruas, bem como oferecer cursos de esportes e artes para ocupar o tempo dos nossos jovens de forma saudável – longe da criminalidade.

Uma das principais preocupações dos brasileiros na atualidade é a Transparência na gestão e o combate a Corrupção. Como pretende encarar estes aspectos vitais para a administração pública?

Primeiro, vamos governar com gente séria, responsável e ficha limpa. E governo sério não tem medo de ser transparente e de mostrar como e onde gasta cada centavo do dinheiro dos impostos, que todos pagamos. Quando assumimos o Governo, o Estado ocupava a 27ª posição no ranking nacional de transparência, divulgado pelo Ministério Público Federal. Com nossas medidas, saltamos para a quinta posição. Mato Grosso do Sul foi o que mais cresceu, com 550% no nível de transparência. Em contrapartida, Campo Grande está em último lugar entre as capitais do país – aliás, caiu de 2015 para cá: de 5,20 foi para 4,10. Vamos implementar ferramentas para uma gestão transparente e que respeita o dinheiro dos contribuintes.

Que peso tem em sua concepção de governo a participação popular na gestão? Que mecanismos práticos pretende adotar para facilitar a participação popular na gestão?

É impossível governar sozinho e a falta de diálogo resulta em muitos prejuízos para a população. Político que não ouve as demandas das pessoas erra. Vamos implantar um modelo de gestão com foco nas prioridades da população e adequar a estrutura organizacional da Prefeitura ao atendimento das necessidades prioritárias da população.

Nosso plano de governo foi construído ouvindo a população nos bairros da Capital. Por meio do "Pensando Campo Grande", desde 2012, já ouvimos mais de 4 mil pessoas de diversos segmentos, que colaboraram muito com sugestões, demandas e prioridades para cada região.

Acredito que ouvir as pessoas deve ser uma atividade permanente. Por isso, o Plano de Governo continuará sempre em aberto, para que as pessoas continuem colaborando ao apontar suas necessidades e sugerindo soluções.


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