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Entrevista
Em uma conversa realizada em Matera, o médico sanitarista Emerson Merhy e o jornalista Victor Barone refletem sobre amizade, tecnologia e intolerância
Publicado em 06/07/2026 7:50 - Victor Barone
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Há lugares que parecem guardar a memória da humanidade. Onde o tempo não apenas passou, mas deixou marcas de tudo aquilo que somos capazes de construir — e também de destruir. Caminhar por elas é lembrar que a história humana nunca foi feita apenas de monumentos. Foi feita de encontros e rupturas, de solidariedade e violência, de esperança e medo, de gestos que aproximam e ideias que separam.
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Foi em Matera, no sul da Itália — uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo — que o jornalista Victor Barone se encontrou com Emerson Elias Merhy para uma conversa sobre um dos temas mais decisivos do nosso tempo: o destino das relações humanas em uma sociedade atravessada pela polarização, pelo avanço das tecnologias digitais e pela crescente dificuldade de reconhecer a humanidade do outro.
Médico sanitarista e um dos participantes da construção do Movimento da Reforma Sanitária que contribuiu para o nascimento do Sistema Único de Saúde, Merhy construiu sua trajetória refletindo sobre a vida coletiva, os processos de cuidado e as formas de convivência.
Professor emérito da UFRJ, professor sênior da Unicamp, Honoris Causa da Universidade Nacional de Rosário (Argentina), possuidor da Comenda Zilda Arns e companheiro de Ermínia Silva-Multidão, Merhy é um pesquisador comprometido com uma perspectiva antifascista.
Ele defende que a potência da existência humana reside nas multiplicidades, nas redes vivas que conectam pessoas, territórios e todas as formas de vida. Sua reflexão aposta na micropolítica do desejo, na democratização das relações cotidianas e na recusa de qualquer projeto que divida o mundo entre aqueles considerados dignos de existir e aqueles tratados como descartáveis.
Ao longo desta entrevista, Barone e Merhy percorrem questões que atravessam o presente: a amizade como experiência política, a empatia em tempos de intolerância, o impacto das tecnologias sobre nossos vínculos, os mecanismos que alimentam o ódio e as possibilidades de construir formas mais generosas de convivência em uma época marcada por disputas de narrativas e crises democráticas.
No Semana ON, entendemos que o jornalismo não existe apenas para registrar acontecimentos. Existe também para criar espaços onde diferentes experiências possam ser escutadas com profundidade, porque compreender a realidade continua sendo um exercício de diálogo, reflexão crítica e compromisso com aquilo que nos torna, afinal, profundamente humanos.
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