28/02/2024 - Edição 525

Entrevista

Marquinhos Trad fala de suas propostas para Campo Grande

Publicado em 02/09/2016 12:00 -

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Marquinhos Trad, tem 52 anos, é casado e pai de quatro filhas. Formou-se em Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi secretário municipal de Assuntos Fundiários, vereador por Campo Grande e está no terceiro mandato como deputado estadual. Na Assembleia, se destacou pelo perfil combativo, comprou briga com governador e até com a Enersul para garantir, respectivamente, um IPVA mais justo e a redução da conta de luz. Ele é candidato a prefeito porque acredita que chegou a sua vez de contribuir e tirar a cidade do estado que se encontra.

 

Tradicionalmente a Saúde no país tem sido tratada sob a ótica "hospitalocêntrica", com foco nos hospitais, na remediação da doença já instalada, ao invés do modelo que foca a prevenção. Que modelo de Saúde pretende adotar em Campo Grande?

Temos como meta reorganizar o setor. Isso inclui a motivação dos funcionários públicos, com elaboração de um plano de cargos e carreiras. Não vamos terceirizar a gestão da saúde e vamos investir na atenção básica. Precisamos cuidar das pessoas antes que fiquem doentes ou agravem o seu estado, atacar a causa.

Os problemas da saúde começam justamente na prevenção. É preciso equipar melhor as unidades de saúde; agilizar a marcação de consultas e exames; aumentar as especialidades médica; diminuir e acabar com as filas para cirurgias eletivas; cuidar da saúde das gestantes, crianças e idosos. Quem tem dor não pode esperar. Saúde será prioridade na nossa gestão.

Vamos criar, dentro das unidades básicas, chamadas de postinhos, a Clínica da Família, para que a gente tenha condição de dar um primeiro atendimento de excelência e desafogar os hospitais e as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).

Que mudança fundamental pretende adotar na Rede Municipal de Ensino para oferecer uma Educação de qualidade aos jovens da capital?

Campo Grande cresceu e a estrutura educacional não. Vejam o déficit por vagas nos Centros de Educação Infantis (Ceinfs). Até no ensino fundamental, as pessoas já apontam os problemas. Vamos investir em merenda de qualidade, material escolar e uniforme no primeiro dia de aula, na capacitação de professores, reforma e ampliação de escolas, construção de novas unidades e na valorização dos profissionais da educação, com condições dignas de trabalho e boa remuneração. Queremos as escolas por tempo semi e integral para aumentar o tempo de estudo dos alunos e prepará-los melhor para os desafios do futuro.

Também vamos priorizar o pagamento do piso salarial e cumprir a carga horária dos professores. Vamos implantar eleições diretas para escolha de diretores e diretoras adjuntas das escolas e Ceinfs. Diretor e diretor-adjunto não podem ser mais indicação de cupinchas políticos. Isso já virou cabide de emprego. A partir do momento que nós colocarmos gestores técnicos dentro da Secretaria de Educação, Campo Grande vai deixar de fazer política na Educação e passar a fazer política de educação.

O Transporte começa a ser um ponto de estrangulamento em Campo Grande. Que medidas pretende tomar para fazer frente a este desafio?

Olha, esse problema é muito grave. Só nos primeiros sete meses deste ano, 50 pessoas morreram nas ruas da Capital. Temos que começar a planejar o transporte antes que se torne impossível transitar pela cidade. Especialistas afirmam que se algo não for feito, isso vai acontecer em dez anos. Vamos revisar a hierarquização viária de Campo Grande, recapear e restaurar as ruas asfaltadas, mas primeiro temos que fazer um mutirão para fechar os buracos. Também é meta resgatar recursos para construir a Central de Controle de Operações de modo a agilizar o monitoramento e a supervisão do trânsito em Campo Grande. Temos ao menos 13 pontos de estrangulamento da cidade, precisamos resolver isso com bons projetos. Com ideias executáveis, vamos conseguir recursos e solucionar os gargalos.

Que ações serão efetivadas para a geração de emprego e renda em Campo Grande?

Campo Grande cresceu economicamente e o poder público não acompanhou este crescimento. A Prefeitura tem que ser parceira de quem empreende porque são os empreendedores que fazem girar a roda da economia da cidade.  Vamos implantar o maior programa de capacitação de mão de obra de Campo Grande. Junto com a Associação Comercial e o Conselho de Diretores Lojistas, vamos planejar e executar ações para fortalecer o comércio e gerar empregos.

Vamos fortalecer o Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico, visando atrair novos empreendimentos com vocação para a cidade. Criar um ambiente favorável para a economia criativa e o empreendedorismo, promovendo estudos voltados à identificação de novos mercados produtivos, para maior desenvolvimento do processo agrícola, industrial e comercial de Campo Grande.

Tenho como meta investir em programas de capacitação dos micro, pequenos e médios empresários em todas as áreas. Pensando nesta capacitação, vamos fortalecer o Banco do Povo para dar mais crédito a estas pequenas empresas. É preciso estruturar Campo Grande para torná-la a Capital do turismo de eventos, com organização de feiras e rodas de negócio nacional e internacional.

Em uma cidade de quase um milhão de habitantes é natural que a questão da segurança pública necessite de atenção redobrada. Que medidas pretende tomar nesta área?

É fundamental valorizar o Guarda Civil Municipal, investindo no plano de cargos e carreiras e reestruturação da corporação, através da criação da Polícia Metropolitana de Campo Grande. Vamos implantar tecnologia para mapeamento e controle da violência, criar a ronda nas escolas municipais e o Fundo Municipal de Segurança.

Também vamos ampliar o sistema de videomonitoramento e criar uma corregedoria e uma ouvidoria. Temos que trabalhar com a prevenção. A iluminação pública, por exemplo: vamos dar para Campo Grande uma iluminação igual dos grandes centros, com a chamada lâmpada de LED. Isso vai inibir a ação de meliantes. As praças não existem mais. Infelizmente, viraram ponto de encontro para coisas ilícitas.

Uma das principais preocupações dos brasileiros na atualidade é a Transparência na gestão e o combate a Corrupção. Como pretende encarar estes aspectos vitais para a administração pública?

Vamos fazer uma gestão decente, justa, onde funcione o portal da transparência com os gastos da prefeitura, com o que arrecadou e onde gastou. A gestão pública é igual a de uma  empresa privada. Tem que prestar conta. O prefeito é alguém contratado para prestar um serviço. Não pode chegar lá e achar que é o dono.

O bom gestor é o que escolhe os melhores e mais competentes técnicos e se mantém vigilante na execução do plano de governo. Vamos fazer uma gestão eficiente, com monitoramentos constantes das ações coordenadas e cobrança rigorosa de resultados. A população vai saber o que arrecadou e onde o dinheiro foi empregado.

Que peso tem em sua concepção de governo a participação popular na gestão? Que mecanismos práticos pretende adotar para facilitar a participação popular na gestão?

A participação popular é importantíssima. O meu mandato como vereador e os três como deputado estadual sempre foram de rua. Sempre recebi todo mundo no meu gabinete, mas nunca deixei de ir para as ruas ouvir a população. Foram eles que me ajudaram na elaboração de mais de 55 leis de minha autoria que foram aprovadas.

Ando por toda a cidade e o que mais me chama a atenção, além dos problemas que são muitos, é a vontade das pessoas em ajudar, dar sugestões, participar. Vejo que a população de Campo Grande amadureceu junto com a cidade e sabe que somente juntos, prefeitura e população vãos superar os problemas.

Quando um governante acha que é dono da verdade, ou que pode governar sozinho, condena a gestão ao fracasso.Faremos uma gestão participativa, com conselhos regionais fortalecidos, diálogo com os representantes de classe, com o comércio, com os demais poderes e entidades. Vamos focar nas prioridades, gastar menos do que arrecadamos e ter responsabilidade fiscal e administrativa.


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