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Agromundo

Sem a presença de ruralistas, Lula lança Plano Safra recorde

Agronegócio vai abocanhar R$ 516,2 bilhões: mas a FPA acha que não está bom

Publicado em 01/07/2025 1:36 - Semana On

Divulgação Ricardo Stuckert - Abr

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O governo federal anunciou nesta terça-feira (1º), no Palácio do Planalto, o Plano Safra 2025/2026 voltado ao agronegócio, com um total de R$ 516,2 bilhões em recursos, – um aumento de R$ 8 bilhões em relação ao ciclo anterior. O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

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O valor destinado ao empresariado do setor é 82,75% superior ao reservado ao Plano Safra da Agricultura Familiar, lançado na segunda-feira (30), que prevê R$ 89 bilhões para ações como crédito rural, compras públicas, seguro agrícola, assistência técnica e garantia de preços mínimos. Desse total, R$ 78,2 bilhões serão operados por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Enquanto o plano da agricultura familiar é direcionado a pequenos agricultores, o anunciado nesta terça contempla médios e grandes produtores, com linhas específicas para custeio, comercialização e investimento. As condições variam conforme o perfil dos beneficiários e os programas acessados.

Durante o lançamento, o presidente Lula afirmou que quer, com o Plano Safra, “consolidar o Brasil como o celeiro do mundo”. “O grande sucesso não é só o aumento da capacidade produtiva ou do tamanho de mercado, mas o aprendizado de fazer a preservação adequada para o país, de preservar os nossos rios e mananciais, as nossas nascentes. A gente vai cuidar de terra degradada, a gente vai produzir mais em menos terra”, disse o petista.

O presidente Lula também defendeu a produção de commodities, que são produtos voltados para exportação, como soja e milho. Nos últimos seis anos, as atividades agropecuárias foram responsáveis por mais de 97% do desmatamento no país, conforme dados divulgados no último mês de maio pelo MapBiomas.

“A gente pode plantar árvore, eucalipto, pinho. A gente pode recuperar pau-brasil, jacarandá. Mas a gente pode plantar soja, milho, algodão, feijão. A gente pode produzir coisas que o Brasil tem expertise para produzir. A floresta em pé vai trazer lucro para o Brasil se a gente fizer a tarefa de casa”, concluiu o presidente.

Nunca está bom para eles

O evento desta terça reuniu poucos parlamentares —a área reservada no salão do Planalto para os congressistas foi preenchida também por outros convidados. A cúpula da FPA não esteve presente.

A bancada ruralista, uma das forças mais expressivas do Congresso (com cerca de 300 deputados e 50 senadores), tem travado embates com o governo Lula desde o começo do terceiro mandato do petista.

Em mais de uma ocasião nesta terceira gestão, o petista pediu que os empresários reavaliassem a relação com funcionários e deixassem de ver o pobre como um empregado, mas como um potencial consumidor.

Um parlamentar governista minimizou as ausências e negou que esteja relacionado ao IOF. Ele diz que, com o Congresso esvaziado nesta semana (com sessões remotas e evento jurídico em Lisboa, Portugal), muitos parlamentares não foram a Brasília. Além disso, afirma, como houve o evento no dia anterior, voltado ao Plano Safra da agricultura familiar, muitos congressistas optaram por participar de somente um dos lançamentos.

Em seu discurso, Fávaro fez menção à ex-ministra do governo de Jair Bolsonaro (PL) Tereza Cristina, hoje vice-presidente da FPA (Frente Parlamentar de Agricultura) do Senado, que questionou o montante recorde de recursos do Plano Safra.

“Ontem a grande ex-ministra Tereza Cristina caiu na fake news e falou que o Plano Safra não é recorde”.

O empresariado tem sido frequentemente cobrado pelo presidente Lula, que já se queixou publicamente das reclamações da classe em relação a aumentos tributários e a relação da categoria com funcionários.

Críticas à taxa Selic

No lançamento, o ministro da Agricultura e Pecuária criticou a equipe do Banco Central, que elevou o índice básico de juros do país para 15%. No momento do lançamento do Plano Safra anterior, o mesmo índice estava em 10,5%. A grosso modo, a taxa Selic pode estimular ou contrair o crédito, deixando-o mais barato (em períodos de taxas baixas) ou mais caro (em períodos de taxas altas).

No âmbito do Plano Safra, no entanto, estão previstas taxas inferiores em relação à Selic. Para financiar a produção de alimentos, como arroz, feijão, mandioca, frutas, verduras, ovos e leite, está mantida a taxa de juros de 3%. O índice cai para 2% quando o cultivo for orgânico ou agroecológico.

“Eu achava muito difícil a gente fazer esse Plano Safra recorde. Uma taxa Selic de 15% ao ano, com todo respeito ao Galípolo [presidente do Bacen] e à equipe do Banco Central, mas eu não consigo entender. A inflação controlada, os números públicos controlados, a renda da população crescendo, o desemprego caindo, e uma Selic de 15%?”, questionou Fávaro.

“Se nós fossemos fazer uma analogia, e o governo fosse o campeonato brasileiro, o senhor marcou três golaços e pode pedir música no Fantástico. Terceiro Plano Safra vencendo dificuldades”, disse o ministro dirigindo-se ao presidente Lula. De 2022 para 2025, o valor destinado ao Plano Safra aumentou em cerca de 42%, saindo de R$ 360 bilhões para R$ 516 bilhões. Em 2023, o montante foi de R$ 471,2 bilhões. No ano seguinte, de R$ 508,6 bilhões.

Novas regras

O Plano Safra 2025/2026 traz novas regras e flexibilizações para o crédito rural. A partir deste ano, todos os financiamentos de custeio agrícola deverão seguir as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), medida antes limitada a operações de até R$ 200 mil. A mudança visa ampliar a segurança e a sustentabilidade da produção, evitando crédito fora de época ou em áreas inadequadas, com exceção de culturas ou municípios sem zoneamento disponível.

Entre as novidades, está a autorização para financiar rações, suplementos e medicamentos adquiridos até 180 dias antes da formalização do crédito, além da inclusão de sementes e mudas de essências florestais e insumos usados na cobertura do solo no período de entressafra, promovendo práticas agrícolas sustentáveis.

OS AGROGOLPISTAS

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Sergio Pedra


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