21/07/2024 - Edição 550

True Colors

Para entender gêneros e transfobia

Publicado em 28/11/2014 12:00 - Guilherme Cavalcante

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Existe uma razão para a sigla que designa nossa comunidade ser “LGBT”. Ela descreve e destaca as subcomunidades que compõem o movimento social pela diversidade sexual. O “L” vem das lésbicas. O “G”, dos gays. O “B”, dos bissexuais. E o “T” da comunidade T, as travestis, transexuais e pessoas transgênero.

Por mais que seja redundante falar isso nesta altura do campeonato, muita gente ainda pergunta porque cortaram o “S” da sigla. Possivelmente, estão se referindo ao “simpatizantes” da sigla comercial “GLS”. Sim, é comercial – e voltada aos empreendimentos de lazer (boates e bares, principalmente) para representar um mercado segmentado que muitas vezes rechaça a presença de travestis e transexuais. “GLS” jamais representou o movimento, mas o lucro de quem explora o tal do “pink money”. Portanto, vale ressaltar que o “S” jamais foi cortado, porque jamais esteve na sigla.

A ideia de ter uma letra para cada grupo atende um item essencial dos movimentos sociais, que é a visibilidade (e essa sigla só cresce, vale destacar). Por conta dessa visibilidade, a propósito, o antigo movimento “GLBT” passou a ser “LGBT” nas últimas décadas, justamente para dar visibilidade às lésbicas e as opressões que sofrem, diferentes das sofridas por gays – estes, inegavelmente menos resistentes ao patriarcado e à lógica social na qual o homem cisgênero ocupa uma espécie de topo social, seja gay ou não.

Mas hoje quero mais uma vez destacar a comunidade T, compreendida por travestis, transexuais e pessoas transgêneros. Defendo fortemente o protagonismo desse segmento não por condescendência, mas por acreditar que a base das opressões se concentram nas definições essencialistas de gênero e por reconhecer que a violência sofrida pelas pessoas T (transfobia) é diferente e mais intensa que a praticada contra homossexuais (homofobia).

Já falei várias vezes sobre identidade de gênero como uma construção social. O vídeo abaixo descreve bem a questão, assim como distingue a transfobia da homofobia. Vale a pena o play:

Mas um texto em especial me chamou atenção nos últimos dias. Publicado na fanpage Travesti Reflexiva, ele faz uma excelente distinção entre travestis e transexuais. Confira AQUI.

Ainda sobre transfobia, outra dificuldade enfrentada por travestis e mulheres transexuais é a inserção nos movimentos feministas. Por divergências teóricas, muitas feministas não legitimam a participação da comunidade T em seus fóruns de discussão. Com isso, cria-se mais uma barreira pela inclusão e contra a diversidade. Este texto também é bastante explicativo.

Estas exposições devem ajudar a compreender melhor as particularidades da comunidade T e porque seu protagonismo e visibilidade deve ser defendido entre a militância, claro, sem que ofusque ou hierarquize-se sobre as outras opressões contra LGBTs. A ideia é que com estes textos e vídeos, todas as pessoas possam dar um basta no preconceito fomentado pela desinformação. Boa leitura!

Saint Lauren

Uma nova cinebiografia do gênio da costura Yves Saint Lauren estreia neste fim de semana nas salas de exibição brasileiras. Com a promessa de ser bem mais ousado que “Yves Saint Lauren” (dirigido por Jalil Lespert e baseado no livro de Pierre Bergé), “Saint Lauren” (este, dirigido por Bertrand Bonello) escracha mais a vida desregrada e impulsiva do estilista e traz um sabor especial à narrativa. Confira o trailer:

 

Festival Mix Brasil – itinerância Campo Grande

E tem início hoje, no Museu da Imagem e do Som (MIS) a terceira edição do Festival Mix Brasil, o maior festival LGBT da América Latina, que já alcança sua 22ª edição – a terceira em terras sul-mato-grossenses. Na programação (que se estende até domingo), haverá mostras gratuitas de curtas e longas-metragens, além de debates sobre os mais variados assuntos, tais como direitos LGBT e até mesmo produção audiovisual em Mato Grosso do Sul (a Semana ON traz uma entrevista bem bacana com o produtor da versão itinerante do festival, não deixe de conferir! Clique AQUI.

Vale lembrar que o cinema do MIS comporta apenas 75 espectadores sentados. A entrada, como sempre, é gratuita.

Serviço

22º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade
Data: 28, 29 e 30 de novembro de 2014
Local: MIS – Av. Fernando Correa da Costa, 559 – 3º andar
Entrada Gratuita – limite de 75 assentos na sessão
Abertura: Sexta (28), às 19h30
Para ficar por dentro da programação, clique AQUI.

Não perca! A Semana ON também traz nesta edição reportagem especial discutindo o imbróglio em torno do PL 6583/13, projeto de lei que visa implementar o Estatuto da Família, porém, com texto claramente discriminatória. Confira clicando AQUI.

Leia outros artigos da coluna: True Colors

Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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