22/06/2024 - Edição 540

Ogroteca

Os videogames mudaram

Publicado em 07/07/2022 12:00 - Fernando Fenero

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Comparar o clássico de Atari Adventure com um triple A como Elden Ring não parece nem um pouco justo, o jogo novo é melhor em absolutamente tudo e esses quarenta e três anos de diferença são justificados, ainda sim, a época do Adventure era melhor que hoje em dia.

Não estou sendo saudosista, mas olhando para o passado, vemos a Atari destruir o mercado de videogames quando deixou ele nas mãos de executivos gananciosos, e o crash desse mercado só não foi uma catástrofe total por influência do sucesso arrebatador do Nintendo System, e se quer saber, é mais ou menos isso que está acontecendo novamente.

O mercado de games vai quebrar? Dificilmente, mas a crise está aí e só não vê quem não quer. Desde que GTA V saiu e foi considerado o maior sucesso da história do entretenimento, superando cinema, filmes, livros e tudo mais, grandes empresas e o mercado começaram a olhar com outros olhos para os videogames.

A popularização dos smartphones ajudou a testar outras formas de comercialização de jogos, então as pequenas empresas que começaram a fazer os primeiros jogos para iPhone e os dispositivos Android, liberaram seus games gratuitamente, e ganhavam dinheiro depois com propaganda, e como modos fremium (melhoramentos mediante a pagamento) e com as microtransações. Não demorou a isso chegar no grande mercado de games, e hoje não há empresa que não faça isso de uma ou de outra forma.

Arrancar dinheiro dos jogadores a qualquer custo, comprar empresas menores e suas propriedades intelectuais, jogos com criptomoedas e NFT, loot boxes, tudo isso está destruindo a experiência de se jogar.

Já que citei GTA V anteriormente, vou usar a Rockstar de exemplo de como esse grave problema contaminou todo o mercado. Se antes os irmãos Houser amavam seus jogos e desenvolviam com todo carinho para jogadores assim como ele, agora afastados da empresa que criaram, vêem o GTA V portado infinitamente, e seu modo online sendo usado para arrancar dinheiro dos jogadores desde que seus servidores abriram.

O negócio para a Rockstar é fantástico, eles vendem dinheiro de mentira em troca de dinheiro de verdade, enquanto inundam o jogo de conteúdo de gosto duvidoso, e abandonam outras propriedades intelectuais como Red Dead Redemption 2 e seu modo online que vive as traças muito por causa da falta de atenção e investimento da empresa.

Jogos hoje em dia são lançados já com DLC’s disponíveis para compra, é praticamente uma extorsão criminosa, e me espanta que tribunais Europeus que tanto implicam com loot boxes não estejam prestando atenção nisso.

Quer jogar videogame como ele deveria ser feito?

Mire nos indepentendes.

As desenvolvedoras indie conseguem trabalhar como Capcom, Konami e outras grandes empresas trabalhavam no passado. Quer aprender onde estão os itens do mapa? Fale com outros jogadores, nada de comprar todas as marcações como a Ubisoft faz nos Assassins Creed. Quer conteúdo novo? Ele vai sair a preço justo anos depois do lançamento do game, e realmente trazendo novidades como Horizon Chase Turbo e sua DLC Senna Forever e não como a EA faz ano após ano com a série FIFA.

Ainda existe amor de verdade pelos games, mas está longe do mainstream.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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