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Ogroteca
Não é a primeira vez que isso acontece, mas é muito curioso que seja tão parecido
Publicado em 15/10/2024 3:24 - Fernando Fenero
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O ano era 1983, o Red Hot Chilli Peppers era fundado, o Garrincha morria assim como Clara Nunes e a TV Manchete começa suas transmissões.
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E além de tudo isso, estourava uma crise dos videogames que quase arrasta a indústria inteira para o buraco sem chances de sair de lá. Como que isso aconteceu? Resumindo de forma porca: a Atari colocou um monte de bacana engravatado para tomar conta da parada, e os caras focaram mais em número que em qualidade, lotou o mercado de um monte de jogo ruim e viu o mercado de 3.2 bilhões de dólares reduzir para 100 milhões.
Quem salvou a lavoura foi a Nintendo, com um videogame muito maneiro (o Famicom japonês chamado por aqui carinhosamente de Nintendinho), e que tinha ótimos jogos já que a própria Big N não deixou inundar o mercado de jogos, só liberando aquilo que realmente era bom.
Quarenta anos depois, estamos vendo uma outra crise com notas muito parecidas. Agora o mercado não está centrado em um único player, mas depois das várias fabricantes nos anos 90, estamos resumindo a Nintendo, Sony e Microsoft.
A Nintendo é caso a parte, continua vendendo Switch igual água no deserto, e seus jogos são sempre bem avaliados ainda que sejam para um público que goste da fabricante japonesa.
Mas Microsoft e Sony tem a briga mais morna das últimas décadas, e as últimas mudanças de mercado pioraram demais a situação. Se você é fã boy, não dá pra discutir com você, mas se tal qual no evangelho de Mateus você tirou a trava de seus olhos, vamos falar sobre os problemas.
O Playstation 5 não tem bons jogos, e sua biblioteca é um monte de coisa reciclada. E porque isso? Porque quem está decidindo não é quem entende do mercado de games, e sim quem olha números. Por isso Days Gone 2 não vai ser feito, preferem não gastar 200 milhões de dólares em um jogo que vai vender 250 milhões, porque podem colocar 300 milhões em um God of War que vende 15 milhões de cópias em semanas. Por fim, o proposta e valor do Playstation 5 PRO provam que as decisões não estão pensando muito nos jogadores.
A Microsoft piorou bastante o Xbox quando divide seu videogame em aparelhos diferentes, e tirar a possibilidade de escolher controle e periféricos deixa o console menos interessante. Os exclusivos não são tão maneiros, e a empresa gasta sua atenção também com o mercado de PC’s, sequestrando algumas desenvolvedoras de jogos, mas sem muito resultado efetivo.
Cada dia fica mais interessante para o jogador migrar para o PC, ainda que não seja algo fácil de se fazer, já que é muito mais complicado que um videogame convencional, mas a parte financeira é muito vantajosa, fora também a performance tende a ser melhor.
Estou sendo apocalíptico, mas estamos vendo o final da era dos videogames. Você ainda vai poder jogar, mas você não vai comprar jogos, apenas licenças para jogar em determinado aparelho, e enquanto a empresa quiser.
Sem videogames, você vai jogar por streaming em TV’s, computadores, tablets e celulares. É a melhor coisa do mundo? Não na minha opinião, vamos perder muito em compartilhamento, fora que ninguém mais vai ter a mídia física guardadinha com seu valor. Por fim, se você quiser ainda ter acesso a videogame de verdade, considere a cena de emulação com aparelhos chineses, os computadores portáteis como Steam Deck, Rog Ally e Legion Go, e o mercado indie.
Fora disso, o mercado tem a mesma alma que uma garrafa de refrigerante.
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FERNANDO FENERO
Fernando é desenvolvedor de softwares e profundo conhecedor da cena geek nacional.
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