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Conexão Brasília

Os programáticos e delicados movimentos de Kamala Harris

Você percebeu que a vice-presidente dos Estados Unidos estava preparadinha para assumir a candidatura à presidência do país?

Publicado em 26/07/2024 11:55 - Rafael Paredes

Divulgação Andrew Harnik / Getty Images file

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A ex-procuradora e ex-senadora Kamala Harris disputou a indicação para ser candidata à presidente dos Estados Unidos contra Joe Biden em 2020. Ela significava um frescor e uma renovação do partido Democrata, mas não conseguiu convencer os caciques da agremiação que apostaram em uma figura conhecida e confiável: o ex-vice presidente da chapa com Barack Obama, Joe Biden. Joe venceu as prévias com apoio da máquina da sigla e venceu as eleições em uma votação apertadíssima contra o então candidato à reeleição Donald Trump.

Joe Biden convidou Kamala para ser sua candidata à vice em um projeto de mandato tampão e renovação. Como Biden já tinha mais de 70 anos e a vice menos de 60, seria um mandato de quatro anos para depois o frescor de Kamala florescer. Tudo certo e tudo combinado. Primeiro, o partido Democrata tinha que fazer esse favor ao planeta em impedir a reeleição de Donald Trump. E essa missão foi bem sucedida. Depois vinha a renovação.

Kamala é uma aula de pragmatismo. Quando promotora na Califórnia, a filha de uma professora indiana e de um economista jamaicano navegava entre pautas progressistas, como os direitos reprodutivos femininos e a negligência com encarceramento em massa de pessoas negras, como seu pai. Nunca foi uma radical de esquerda. Foi senadora, soube se comportar direitinho como vice, só esperando a sua hora e conseguiu conquistar os caciques de seu partido.

Porém, no meio do caminho, o presidente Joe Biden, que pegou uma economia ainda se estabilizando depois da pandemia de Covid-19, conseguiu resultados interessantes, controlou a inflação, diminuiu o desemprego e mudou de ideia: reivindicou o seu direito de ser candidato à reeleição. Kamala continuou a se comportar direitinho. Engoliu a frustração e apoiou o adiamento de seus planos de ser candidata à presidência dos Estados Unidos.

O etarismo foi implacável com Joe Biden. Biden já era conhecido por cometer gafes, trocar nomes, tropeçar desde muito tempo. Tudo isso é engraçadinho aos 40, 50, 60 anos. Mas, com 80, as pessoas começam a duvidar de suas capacidades cognitivas. O desempenho desastroso de um gripado Biden no primeiro debate contra Donald Trump selou o retorno ao plano traçado lá em 2020. O presidente dos Estados unidos, pressionado por todos os lados, desistiu de concorrer à reeleição e endossou o nome da vice como substituta.

Em menos de 24 horas, Kamala Harris estava sorridente, preparada, em forma, jovem, ativa, descansada, discursando e pronta para ser a candidata à presidência. Com os atrasos dos planos dos Democratas, a pauta republicana do atentado contra Donald Trump saiu das manchetes em uma batalha nas mídias. E Kamala, antes camuflada como uma discreta vice, assume cores vivas como uma camaleoa.

RAFAEL PAREDES

É jornalista e atua em Brasília (DF).

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Rafael Paredes


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