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Conexão Brasília
Bolsonaro teve um encontro com o futuro e não gostou do que viu
Publicado em 10/09/2024 3:43 - Rafael Paredes
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No sábado, dia 7 de setembro, Bolsonaro e os bolsonaristas protagonizaram uma destrambelhada manifestação contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Nesses tempos digitais o tempo passa mais rápido e já temos a velha guarda do Bolsonarismo. Pois bem, a velha guarda do bolsonarismo se reuniu na Avenida Paulista e com um discurso batido de ditadura da toga e liberdade reuniu meia dúzia de gatos pingados para os padrões dos patriotas e o evento foi o novo pum do palhaço, como diria Regina Duarte.
Nem se compara aos tempos áureos do bolsonarismo, que reunia centenas de milhares de pessoas lutando por pautas difusas numa complexa confusão cognitiva. Para piorar o anticlímax do 7 de setembro dos “homens de bem” e da “família tradicional brasileira”, o passado e o futuro se encontraram e não deu match. Bolsonaro no alto do palanque, ladeado pelo pastor Silas Malafaia e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, assistiu o ex-coach e candidato a prefeitura da capital paulista, Pablo Marçal ser ovacionado. Até de cima do palanque um jovem e transfóbico deputado mineiro fez o “M”. Deve ter sido de “Minas Gerais”, só pode.
A velha guarda não permitiu que Marçal subisse no palanque e ele fez o seu próprio. Antes mesmo do Marçal chegar, bandeiras e adesivos já anunciavam “Bolsonaro parou. Pablo Marçal começou. Pablo Marçal para presidente”. Além do número reduzido de manifestantes, Bolsonaro não se viu na epifania do futuro e ficou completamente atrapalhado, ainda mais atrapalhado e radicalizou o discurso contra Alexandre de Moraes. Discurso esse que havia amenizado na última manifestação.
Bolsonaro compreende que só sua prisão ou a radicalização podem manter em suas mãos as rédeas da extrema direita. É assim que age o pastor que quer herdar o capital político de Bolsonaro ao velar seu fétido cadáver também político. No meio dessa confusão, o governador e herdeiro natural do bolsonarismo, joga suas fichas na reeleição do prefeito Ricardo Nunes para se consolidar como tal. Já Ricardo Nunes gasta o prestígio de Tarcísio para tentar chegar no segundo turno.
Pablo Marçal não tem nada a ver com o espólio de Bolsonaro. Ele constrói seu próprio patrimônio digital utilizando o bolsonarismo como mero algoritmo rentável. Marçal utilizou o discurso do bolsonarismo, a ideologia do empreendedorismo, a sua conexão messiânica com determinada camada da população para lucra na economia da atenção. Marçal sabe que na estreita faixa do Bolsonarismo em São Paulo, se ele empurrar Nunes um pouquinho para o lado, vai para o segundo turno. E segundo turno é uma outra eleição.
Nesse ritmo acelerado das redes sociais, de inteligência artificial, nem sei se no segundo turno das eleições municipais desse ano ainda estaremos falando de Bolsonaro. Mas, muito provavelmente falaremos de Pablo Marçal por muito mais tempo.
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CONEXÃO BRASÍLIA
RAFAEL PAREDES
É jornalista em Brasília.
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