22/04/2024 - Edição 540

Vale um Play

Afinidade e Parentesco

Publicado em 26/01/2018 12:00 - Rafael Naruto

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O que começou como uma leitura casual sem muitas expectativas acabou se tornando uma leitura imersiva e reflexiva, ainda mais quando vivenciamos amplamente os acontecimentos da modernidade. Para Bauman, o parentesco seria o laço irredutível e inquebrável de sangue, é aquilo que não nos dá escolha. Já a afinidade é escolhida, passa por um processo de seleção que pode resultar na firmação da afinidade ou na rejeição.

Uma coisa é certa, vivemos em um mundo de incerteza, extrema insegurança em relação à duração da ordem política e em relação à estabilidade de cada indivíduo dentro da sociedade, da fragilidade nas relações sociais que cada vez mais se tornam relações mercantilizadas e individualizadas.

Atribuímos novos ressignificados aos conceitos de desejo e amor, em que pessoas almejam namorar logo no primeiro encontro e acabam por se desfazer do mesmo, logo nos primeiros conflitos. Não há um referencial moral, um lado a seguir, estão todos jogados à responsabilidade e risco de seguirem e construírem suas vidas sem qualquer porto seguro.

As conexões, assumem uma forma de se relacionar na modernidade líquida como a facilidade em não haver responsabilidade mútua, não haver pressão e prisão entre os participantes. Ambos ainda podem, sem o menor remorso, trocar seus parceiros por outros melhores e o ciclo continua. O livro é interessante e recomendo a leitura para todos que assim como eu desejam poder entender melhor as pessoas e a nossa sociedade. Um grande abraço para todos e até a semana que vem.

Leia outros artigos da coluna: Vale um Play

Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *