18/06/2024 - Edição 540

True Colors

11 privilégios cisgêneros que você não sabia que tinha

Publicado em 25/03/2016 12:00 - Guilherme Cavalcante

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Entender a luta por identidade e decidir por apoiá-la passa necessariamente por um exercício de autorreconhecimento. É preciso compreender, por exemplo, como o sujeito cisgênero realizam uma série de atividades banais do dia a dia que, em comparação com transgêneros, tornam-se privilégios.

Não que necessariamente tenhamos que abrir mão deles, mas lutar para que sejam extensíveis a todos os segmentos sociais, compartilhá-los. Afinal, porque eu tenho liberdade de ir ao banheiro designado para o gênero com o qual me identifico e pessoas trans não podem? Porque ninguém questiona meu nome masculino e coloca uma série de dificuldades para recorrer ao nome social de uma travesti?

Enfim, são coisas a serem pensadas. Vou pegar carona numa listinha de 11 privilégios cis, feitas pro Basil Soper (da Pride), que deixam bem claro porque precisamos refletir sobre nossos próprios privilégios antes de qualquer coisa.

1) Segurança no banheiro

A maioria das pessoas cisgênero, excluindo aquelas com deficiência, não têm que se preocupar com questões de segurança e acesso a banheiros ou vestiários. Porém, ainda é preciso decisão judicial que aponte como 'ok' uma travesti usar o banheiro feminino e mesmo assim é bem possível que ela enfrente 'hostilidades' ao fazer uso do espaço.

2) Liberdade de ir e vir

De forma geral, excluindo algumas situações em que mulheres estão vulneráveis, pessoas cisgênero não tem que se preocupar com invisibilidade ou ser apontadas na rua. Quer dizer, para desfrutar um lugar sob o sol, travestis e transexuais ganham olhares surpresos e discriminatórios, sendo exotificadas e consideradas pessoas que não deveriam estar ali.

3) Seus limites são, em geral, respeitados

As pessoas que você não conhece ou com quem não tem intimidade não vão achar que é ok te perguntar qualquer coisa sobre seus órgãos genitais ou sobre como são suas relações sexuais.

4) Seu nome não é questionado

Na maior parte do tempo, as pessoas vão te chamar pelo nome que você der. Mas se você for uma travesti, por exemplo, elas podem e quase sempre querem saber qual seu nome no registro civil e ainda acham que podem te chamar por ele.

5) Normalmente você está seguro em locais de segregação sexual.

Pessoas cisgênero – homens e mulheres – não ficam constrangidas de serem alocadas numa prisão separada por gênero. O contrário disso acontece quando uma travesti é colocada em um presídio masculino, o que acontece bastante e abre possibilidade para uma série de abusos.

6) Seu RG não te causa problema

Em qualquer lugar que você precise mostrar seu nome de registro civil, provavelmente você não vai enfrentar problemas. Mas se você for trans, não tiver conseguido na Justiça o direito de retificação de documentos e for parada numa blitz ou até mesmo for a um consultório médico, é bem possível que você enfrente problemas pelo nome em desconformidade com sua identidade de gênero.

7) Você se sente representado em qualquer lugar

Generalizando para a questão cisgênera (e obviamente deixando de tratar que essa é uma realidade de pessoas negras), você raramente vê uma mulher interpretando o papel de um homem ou vice-e-versa num filme de Holywood. Já em relação a transgêneros, a regra do jogo muda e os atores são indicados ao Oscar.

8) Você não vai enfrentar discriminações em potencial quando for fazer amigos

Quando você faz um novo amigo, você possivelmente não tem que pensar se você deve ou não dizer para ele sobre a sua identidade de gênero. E muitas vezes, acaba tendo que 'educar' a pessoa para saber te tratar do jeito que precisa. Sem falar, também, no risco de sofrer rejeição e acabar magoando-se.

9) Assassinato, assédio e dano físico

Esta é mais voltada a homens cisgênero, já que mulheres cis também sobrem com assédio e violência, embora em outro contexto. Mas, enfim, mesmo com os avanços para a visibilidade trans em 2015, o ano também registrou o maior número de assassinatos de pessoas trans no registro. O Brasil continua sendo o país em que travestis mais são assassinadas.

10. Seu corpo não é compulsoriamente o centro das atenções durante um encontro

Quando você, cisgênero, cria um perfil no Tinder, não precisa dizer se é cis ou trans. Mas, se uma pessoa trans omite essa informação, sofre consequências pesadas. Daí meio que a necessidade de já de cara assumir-se trans.

11) É muito mais fácil se manter financeiramente

A realidade é que a maioria absoluta de pessoas trans só encontram sobrevivência por meio da prostituição, já que a dificuldade de conseguir emprego formal é muito grande. Se não tiver estômago para prostituir-se, resta o desemprego, as dificuldades financeiras, e por aí vai…

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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