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Campo Grande
Categoria admite parcelamento do índice até dezembro, cobra nova rodada de negociação com Adriane Lopes e exige publicação oficial do acordo salarial
Publicado em 08/07/2026 10:15 - Semana On
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Os professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) rejeitaram, por ampla maioria, a proposta apresentada pela Prefeitura de Campo Grande para parcelar até janeiro de 2027 o reajuste salarial de 5,4%. Reunida em assembleia na noite de terça-feira (7), a categoria aprovou uma contraproposta que mantém a possibilidade de dividir o índice em parcelas, mas estabelece uma condição central: todo o percentual deverá ser incorporado aos salários ainda em 2026.
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A decisão preserva margem para negociação sobre o calendário de pagamento. Os professores não definiram se os 5,4% devem ser concedidos integralmente em uma única folha ou distribuídos ao longo dos próximos meses. O formato poderá ser discutido com a administração municipal, desde que nenhuma parcela seja transferida para 2027.
Além da antecipação integral do índice, a assembleia aprovou outras três reivindicações. A categoria quer uma nova reunião com a participação da prefeita Adriane Lopes (PP), a publicação no Diogrande (Diário Oficial do Município) da tabela salarial contendo os valores e os prazos eventualmente acordados e a divulgação mensal das reuniões realizadas pela comissão mista responsável por acompanhar os recursos destinados à educação.
Os professores também decidiram ampliar a participação da base da categoria nas próximas rodadas de negociação. Três profissionais foram eleitos para acompanhar as tratativas ao lado da direção da ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública). Seis candidatos disputaram as vagas durante a assembleia, realizada na sede da Fetems.
Presidente da ACP, Gilvano Bronzoni afirmou que a principal deliberação dos professores foi impedir que parte do reajuste seja transferida para o próximo ano. Embora exista entre os profissionais o desejo de receber o índice o mais rapidamente possível, a assembleia optou por não estabelecer um mês específico para a conclusão do pagamento.
“A assembleia deliberou a proposta de 5,4% em 2026. Ela não fez a exigência de que necessariamente seja tudo no mês de agosto ou no mês de setembro. Lógico que esse é o anseio de quase toda a categoria, mas a maior exigência hoje foi que trouxessem para o ano de 2026”, afirmou Bronzoni.
A contraproposta aprovada pelos professores responde ao documento apresentado pela prefeitura nesta terça-feira. O Executivo municipal ofereceu o pagamento dos 5,4% em três etapas: 1,7% na folha salarial de setembro, outros 1,7% em dezembro e os 2% restantes em janeiro de 2027. Os percentuais teriam como referência para cálculo a folha de agosto de 2026.
Com a rejeição do cronograma, a ACP pretende encaminhar um ofício ao Executivo municipal na manhã desta quarta-feira (8) para formalizar a decisão da assembleia e solicitar a retomada das negociações.
O sindicato defende que o novo encontro seja realizado ainda nesta semana e insiste na participação direta de Adriane Lopes. A reivindicação ocorre após uma sequência de reuniões que terminou sem consenso sobre o percentual e, principalmente, sobre o calendário para implementação do reajuste.
De acordo com a ACP, a prefeita participou da primeira reunião entre as partes. Posteriormente, representantes dos professores e da administração municipal realizaram outras cinco rodadas de negociação com a equipe técnica da prefeitura, sem chegar a um entendimento sobre os valores e as datas de pagamento.
O impasse se aprofundou na segunda-feira (6). Representantes da ACP, integrantes da Comissão de Educação da Câmara Municipal e membros da equipe técnica do Executivo permaneceram reunidos por quase três horas no Paço Municipal.
O encontro terminou sem acordo. Diante da ausência de avanços, o sindicato decidiu encerrar as negociações com a equipe técnica e passou a exigir da prefeitura a apresentação de uma proposta oficial para ser submetida à categoria.
O documento foi entregue nesta terça-feira e evitou, naquele momento, o rompimento imediato das tratativas. A proposta, entretanto, não se limitava ao parcelamento dos 5,4%.
A prefeitura também transferiu para 2027 a discussão sobre outro acréscimo salarial de 3%, previsto na Lei 7.523, de novembro de 2025. O Executivo argumentou que precisará reavaliar as condições fiscais e orçamentárias do município antes de negociar a implementação desse percentual.
Mais cedo, Adriane Lopes havia afirmado que pretendia concluir as negociações ainda nesta terça-feira. A prefeita também destacou as limitações financeiras enfrentadas pelo município e sustentou que qualquer reajuste precisa ser analisado dentro do plano de equilíbrio fiscal.
Segundo Adriane, o impacto do aumento salarial deve ser considerado tanto em relação à folha de pagamento quanto aos índices fiscais do município.
Com a rejeição da proposta apresentada pelo Executivo, a negociação permanece aberta. Os professores demonstraram disposição para discutir diferentes formatos de parcelamento, mas estabeleceram como limite dezembro de 2026 para a quitação integral dos 5,4%.
Agora, a continuidade das tratativas depende da resposta da prefeitura ao pedido de uma nova reunião e da possibilidade de construção de um calendário que concilie a reivindicação salarial da categoria com as restrições fiscais alegadas pela administração municipal.
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