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Campo Grande

Governo Federal vai investir R$ 100 milhões na Educação Infantil em Campo Grande

Recursos vêm em boa hora, diante da crise na educação da capital

Publicado em 14/10/2025 10:02 - Semana On

Divulgação PMCG

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O Governo Federal vai investir mais R$ 100 milhões para ampliar as vagas na Educação Infantil em Campo Grande. O recurso será repassado por meio do Fundeb até que os cerca de 2 mil novos alunos das Emeis Jardim Inápolis e São Conrado — entregues em 2024 e 2025 — sejam incluídos no Censo Escolar.

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Os investimentos permitirão ampliar ações voltadas à primeira infância, como a reforma de unidades, a aquisição de materiais didáticos e a abertura de novas vagas na Rede Municipal de Ensino. Segundo a Prefeitura, os recursos serão usados na conclusão de novos Emeis e na ampliação da oferta de vagas.

Participaram da reunião no Ministério, além da prefeita Adriane Lopes, o secretário municipal de Educação, Lucas Henrique Bittencourt; a chefe da Assessoria de Planejamento da pasta, Fernanda Duarte; e o assessor da Prefeitura, Vanderlei Bispo.

Investimentos em boa hora

O investimento do Governo federal em Campo Grande vem em boa hora. A realidade enfrentada diariamente por milhares de famílias e profissionais da rede pública de ensino é marcada por filas intermináveis por vagas, salas superlotadas e um sistema que beira o colapso. A promessa de uma educação inclusiva e de qualidade ainda não saiu do papel para muitos moradores da capital sul-mato-grossense.

A situação mais alarmante diz respeito exatamente à educação infantil. Segundo dados apresentados em audiência pública na Câmara Municipal, mais de 5.600 crianças aguardam por uma vaga em Centros de Educação Infantil (Ceinfs) da rede pública. O número representa não apenas uma estatística preocupante, mas uma violação concreta do direito à educação.

Para Carla Mota, mãe de duas crianças de 3 e 5 anos, a espera por uma vaga tornou-se um tormento diário. “Meu filho mais velho ficou um ano e meio fora da creche. Agora a mais nova está na fila há oito meses. Liguei várias vezes na Secretaria, mas dizem que não há previsão. Como a gente trabalha?”, desabafa.

Conselheiros tutelares também têm alertado para o impacto da falta de vagas no aumento da evasão escolar e no comprometimento da segurança das crianças. Muitas famílias precisam recorrer a terceiros para cuidar dos filhos, expondo-os a riscos.

Escolas com estrutura precária e clima insuportável

Mesmo os que conseguem uma vaga enfrentam condições longe do ideal. Diversas unidades da Rede Municipal de Ensino (REME) lidam com infraestrutura precária, salas mal ventiladas, falta de manutenção e ausência de equipamentos básicos.

Um professor da rede, que pediu para não ser identificado, relata que em sua escola as salas superam a capacidade ideal e não há climatização adequada: “Tem sala com 35, 38 alunos. No calor de Campo Grande, é desumano. Crianças ficam suadas, irritadas, e é impossível manter a atenção.”

IDEB estagnado há quase uma década

Apesar dos investimentos anunciados em campanhas publicitárias, os números mostram um quadro preocupante. Campo Grande não cumpre a meta do IDEB há quase dez anos. A cidade não consegue alcançar os índices mínimos estabelecidos pelo Ministério da Educação, especialmente nos anos finais do Ensino Fundamental.

A estagnação reflete problemas estruturais, como a falta de políticas pedagógicas continuadas e a desvalorização do magistério.

“A formação continuada é praticamente inexistente. A gente se vira como pode. Não tem plano de carreira efetivo, não há incentivos reais para melhorar a prática docente. A maioria dos professores está desmotivada”, afirma outra educadora da rede, que também preferiu falar em off.

Falta de planejamento e má gestão

A crise não é apenas pedagógica: é também administrativa. Há denúncias de atrasos em reformas escolares, que resultaram em suspensão de aulas e deslocamento de turmas para locais improvisados. Famílias relatam que sequer recebem respostas da Secretaria Municipal de Educação.

“Fiquei dois anos tentando uma vaga próxima de casa. Eles simplesmente não davam retorno. O Conselho Tutelar entrou com pedido de urgência, mas nem assim”, conta Michele Silva, moradora da região do bairro Coophavila II.

Falta de vagas, salas superlotadas e gestão ineficiente


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Comente sobre essa publicação...

Uma resposta para “Governo Federal vai investir R$ 100 milhões na Educação Infantil em Campo Grande”

  1. Vinicius disse:

    Se sofremos com uma crime de má gestão e planejamento, para além dos problemas em infraestrutura e operacionais (como meta IDEB), qual o sentido em enviar MAIS DINHEIRO para a mão de pessoas INCOMPETENTES? Sério… não vejo sentido em investir mais em mão de obra não especializada

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