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Campo Grande

PF aponta estrutura para compra de votos na eleição de Adriane Lopes

Investigação identifica movimentações financeiras atípicas, transferências pulverizadas e suposta rede organizada para captar apoio eleitoral em 2024

Publicado em 19/06/2026 10:46 - Semana On

Divulgação Reprodução

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A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (19) a Operação Suffragium, voltada à apuração de um suposto esquema de compra de votos ligado à campanha eleitoral que garantiu a reeleição da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), nas eleições municipais de 2024. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande e Taquarussu.

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Embora a investigação aponte a prefeita como integrante do núcleo político beneficiado pelo suposto esquema, Adriane Lopes não foi alvo das medidas judiciais executadas nesta etapa da operação. Durante as diligências, entretanto, agentes federais apreenderam celulares de pessoas ligadas à chefe do Executivo municipal.

Segundo a Polícia Federal, as apurações revelaram indícios de uma estrutura organizada e permanente para a captação ilícita de votos. De acordo com os investigadores, o mecanismo funcionaria de forma hierarquizada, em um modelo descrito como semelhante a uma pirâmide, com atribuições distribuídas entre diferentes grupos responsáveis pela coordenação, financiamento, operacionalização e execução das ações.

No topo da estrutura estaria o chamado núcleo de comando político, integrado pela prefeita Adriane Lopes e por pessoas apontadas como beneficiárias diretas do êxito eleitoral obtido nas urnas. Abaixo dele, a PF identificou um núcleo de coordenação institucional e financeira, formado por assessores e gestores encarregados da administração dos recursos e da utilização da estrutura administrativa envolvida nas atividades investigadas.

As investigações também apontam a existência de um núcleo de intermediadores operacionais, composto por lideranças comunitárias e cabos eleitorais responsáveis pela mobilização de eleitores e pela distribuição pulverizada dos pagamentos. Na base da estrutura estariam os eleitores que, conforme a suspeita dos investigadores, teriam recebido vantagens indevidas em troca de apoio político e eleitoral.

Um dos principais elementos que sustentam a investigação é o rastreamento de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com operações ordinárias. A Polícia Federal afirma ter identificado saques em espécie, transferências fracionadas via Pix e a utilização de contas bancárias de terceiros para movimentar e distribuir recursos financeiros em períodos próximos tanto ao primeiro quanto ao segundo turno das eleições municipais.

De acordo com a corporação, a fragmentação das transferências e o uso combinado de dinheiro vivo e operações eletrônicas teriam servido para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos. Os investigadores trabalham com a hipótese de que essa estratégia tenha sido empregada para ocultar pagamentos relacionados à compra sistemática de votos.

A Operação Suffragium também possui conexão com um processo já enfrentado por Adriane Lopes na Justiça Eleitoral. Os detalhes dessa relação, contudo, não foram divulgados pela Polícia Federal até o momento.

Procurada, a assessoria da Prefeitura de Campo Grande informou que acompanha o cumprimento das medidas determinadas pela Justiça e que somente deverá se manifestar após a conclusão da operação.

Adriane Lopes foi reeleita prefeita da capital sul-mato-grossense em 2024 com 222.699 votos, o equivalente a 51,45% dos votos válidos no segundo turno. Na primeira etapa da disputa eleitoral, a então candidata havia obtido 140.913 votos, correspondentes a 31,67% do total válido.

Com a execução dos mandados e a apreensão de equipamentos eletrônicos, a Polícia Federal busca aprofundar a análise sobre a origem dos recursos movimentados durante o período eleitoral, bem como identificar a participação e o grau de envolvimento dos investigados no suposto esquema de captação ilícita de sufrágio.

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