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Campo Grande

Falta de vagas, salas superlotadas e gestão ineficiente

A crise silenciosa da educação municipal em Campo Grande

Publicado em 13/10/2025 12:43 - Semana On

Divulgação Gov MS

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Enquanto o discurso oficial da Prefeitura de Campo Grande celebra avanços na educação municipal, a realidade enfrentada diariamente por milhares de famílias e profissionais da rede pública de ensino é marcada por filas intermináveis por vagas, salas superlotadas e um sistema que beira o colapso. A promessa de uma educação inclusiva e de qualidade ainda não saiu do papel para muitos moradores da capital sul-mato-grossense.

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A situação mais alarmante diz respeito à educação infantil. Segundo dados apresentados em audiência pública na Câmara Municipal, mais de 5.600 crianças aguardam por uma vaga em Centros de Educação Infantil (Ceinfs) da rede pública. O número representa não apenas uma estatística preocupante, mas uma violação concreta do direito à educação.

Para Carla Mota, mãe de duas crianças de 3 e 5 anos, a espera por uma vaga tornou-se um tormento diário. “Meu filho mais velho ficou um ano e meio fora da creche. Agora a mais nova está na fila há oito meses. Liguei várias vezes na Secretaria, mas dizem que não há previsão. Como a gente trabalha?”, desabafa.

Conselheiros tutelares também têm alertado para o impacto da falta de vagas no aumento da evasão escolar e no comprometimento da segurança das crianças. Muitas famílias precisam recorrer a terceiros para cuidar dos filhos, expondo-os a riscos.

Escolas com estrutura precária e clima insuportável

Mesmo os que conseguem uma vaga enfrentam condições longe do ideal. Diversas unidades da Rede Municipal de Ensino (REME) lidam com infraestrutura precária, salas mal ventiladas, falta de manutenção e ausência de equipamentos básicos.

Um professor da rede, que pediu para não ser identificado, relata que em sua escola as salas superam a capacidade ideal e não há climatização adequada: “Tem sala com 35, 38 alunos. No calor de Campo Grande, é desumano. Crianças ficam suadas, irritadas, e é impossível manter a atenção.”

IDEB estagnado há quase uma década

Apesar dos investimentos anunciados em campanhas publicitárias, os números mostram um quadro preocupante. Campo Grande não cumpre a meta do IDEB há quase dez anos. A cidade não consegue alcançar os índices mínimos estabelecidos pelo Ministério da Educação, especialmente nos anos finais do Ensino Fundamental.

A estagnação reflete problemas estruturais, como a falta de políticas pedagógicas continuadas e a desvalorização do magistério.

“A formação continuada é praticamente inexistente. A gente se vira como pode. Não tem plano de carreira efetivo, não há incentivos reais para melhorar a prática docente. A maioria dos professores está desmotivada”, afirma outra educadora da rede, que também preferiu falar em off.

Falta de planejamento e má gestão

A crise não é apenas pedagógica: é também administrativa. Há denúncias de atrasos em reformas escolares, que resultaram em suspensão de aulas e deslocamento de turmas para locais improvisados. Famílias relatam que sequer recebem respostas da Secretaria Municipal de Educação.

“Fiquei dois anos tentando uma vaga próxima de casa. Eles simplesmente não davam retorno. O Conselho Tutelar entrou com pedido de urgência, mas nem assim”, conta Michele Silva, moradora da região do bairro Coophavila II.

Silêncio oficial

A Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande tem o hábito de responder as críticas argumentando que realiza esforços para ampliar vagas e melhorar a infraestrutura das escolas, citando investimentos em climatização e capacitação de professores. Contudo, os dados disponíveis e os relatos de quem vive a rotina escolar mostram que a resposta pública ainda está muito aquém das necessidades reais da

A crise na educação de Campo Grande é, acima de tudo, um reflexo de descaso político e gestão ineficaz. Os discursos oficiais não escondem as contradições de uma cidade onde milhares de crianças não têm acesso ao básico e onde profissionais da educação são deixados à própria sorte. Em ano pré-eleitoral, o desafio está lançado: quem vai, de fato, ouvir as vozes abafadas nas salas quentes e lotadas da capital sul-mato-grossense?

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