Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Campo Grande
Atrasos nos pagamentos reduzem equipes, pacientes aguardam procedimentos por dias
Publicado em 21/01/2026 10:46 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
A escassez de anestesiologistas na Santa Casa de Campo Grande desencadeou um cenário de colapso assistencial que se reflete, de forma direta, na rotina de pacientes e profissionais. No pronto-socorro, especialmente na ala de ortopedia, macas se acumulam lado a lado, ocupando salas e corredores e restringindo a circulação interna da unidade. A superlotação é visível e relatada por quem acompanha o dia a dia do hospital.
SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAM, FACEBOOK E WHATSAPP
Na segunda-feira (19), a própria instituição confirmou a redução do número de anestesistas em razão do atraso nos pagamentos. Desde então, o impacto tem sido sentido de maneira imediata: cirurgias e procedimentos estão suspensos ou adiados, inclusive os de baixa complexidade, desde que dependam de anestesia. O efeito cascata mantém pacientes internados por períodos prolongados, enquanto novas demandas aguardam vaga.
Há relatos de pessoas hospitalizadas há mais de uma semana à espera de intervenções simples, sem qualquer previsão de atendimento. A demora, além de prolongar o sofrimento, contribui para a ocupação prolongada de leitos. “A gente entende o problema com os médicos, mas não é culpa da minha avó. Ela está com queimaduras, esperando há mais de uma semana por um procedimento simples. Isso é desumano”, disse um acompanhante, que pediu anonimato por ainda ter familiar internado na unidade.
Outro ponto recorrente nas denúncias é a orientação para que pacientes permaneçam em jejum na véspera de cirurgias que acabam sendo sucessivamente adiadas. Em alguns casos, a espera se estende por dias, sem confirmação de data, o que agrava o desgaste físico e emocional de quem já está fragilizado.
A precariedade também se manifesta na estrutura. Acompanhantes relatam que apenas um elevador estaria em funcionamento em todo o hospital, o que dificulta o deslocamento interno. “Às vezes esperamos mais de meia hora para subir ou descer. Já é difícil pela situação de saúde, e isso piora tudo”, afirmou uma mulher cadeirante que acompanha a avó internada após um problema cardíaco.
Do ponto de vista institucional, o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul afirma que não há greve formal dos anestesistas. Segundo a entidade, os contratos são firmados entre a Santa Casa e empresas médicas, o que impede a caracterização legal de paralisação. Ainda assim, o sindicato sustenta que há mais de sete meses de atraso nos contratos e que acordos firmados com o Ministério Público não estariam sendo cumpridos.
A direção do hospital reconhece que a redução do contingente de anestesiologistas comprometeu a capacidade técnica e operacional da unidade. Em nota, informou que cirurgias eletivas estão temporariamente suspensas, enquanto procedimentos de urgência e emergência seguem sendo realizados conforme avaliação das equipes médicas e da coordenação do centro cirúrgico.
Em meio ao agravamento da crise, a Santa Casa também enfrenta instabilidade administrativa. Na terça-feira (20), o engenheiro Jary de Carvalho e Castro renunciou à vice-presidência da Associação Beneficente de Campo Grande, entidade mantenedora do hospital. Ele havia sido eleito em 2022 e reeleito recentemente para o triênio 2026–2028.
A saída, segundo o próprio Jary Castro, ocorre por motivos pessoais e pela necessidade de retomar integralmente suas atividades profissionais. O cargo é exercido de forma voluntária e sem remuneração. O substituto deverá ser o atual diretor-secretário, Heitor Miguel Scheibeler.
A renúncia ocorre em um momento de forte pressão financeira sobre a instituição. No fim do ano passado, atrasos salariais levaram à judicialização da crise, com pedidos de penhora de bens do hospital e de seus dirigentes, formulados pelo sindicato da categoria médica e reforçados pelo Ministério Público do Trabalho. Médicos celetistas também denunciam o não pagamento do 13º salário, enquanto outras categorias receberam a gratificação de forma parcelada, após acordo que excluiu os profissionais da medicina.
O conjunto de fatores — restrições assistenciais, falhas estruturais, crise financeira e instabilidade na gestão — expõe um quadro que vai além de dificuldades pontuais e evidencia o esgotamento do modelo de funcionamento da maior unidade hospitalar de Mato Grosso do Sul.
Câmara sabia das mudanças no IPTU desde setembro, diz secretário
Salvem a Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande!!!
É muito importante para a população em geral!!