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Campo Grande

Campo Grande reativa fiscalização eletrônica com novos radares em 212 pontos

Após suspensão judicial de 196 mil multas e troca de consórcio, Prefeitura investe R$ 47,9 milhões em novo contrato

Publicado em 28/10/2025 2:01 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

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Campo Grande reinicia a fiscalização eletrônica com a instalação de radares em 212 pontos da cidade, após meses de operação irregular e uma disputa judicial que resultou na suspensão temporária de quase 200 mil multas. O novo contrato com o Consórcio CG Segura, avaliado em R$ 47,9 milhões, prevê inicialmente dois anos de vigência, com possibilidade de prorrogação por até uma década. Os novos equipamentos começam a ser instalados nesta semana e entrarão em operação após um período educativo de 15 dias.

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A troca dos equipamentos ocorre após o fim do contrato com o antigo consórcio, liderado pela Perkons S.A., encerrado em setembro de 2024. Nesse intervalo, a cidade enfrentou um vácuo de fiscalização formal, o que levou à suspensão judicial de 196 mil autuações registradas nesse período. Embora o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul tenha restabelecido a validade das multas, o bloqueio de mais de R$ 5 milhões em pagamentos ao consórcio anterior permanece.

O novo consórcio é formado pelas empresas Serget Mobilidade Viária Ltda, Mobilis Tecnologia S/A, Meng Engenharia Comércio e Indústria Ltda e Energy Tecnologia de Automação S/A, com experiência no fornecimento de soluções tecnológicas para o trânsito em outras capitais do país.

Entre vigilância e segurança pública

Um aspecto negligenciado nos contratos públicos de tecnologia urbana diz respeito a relação entre infraestrutura de vigilância e desigualdades territoriais. Em regiões periféricas, onde a iluminação pública é deficiente e a presença policial é limitada, radares e semáforos podem paradoxalmente contribuir para a insegurança, especialmente durante a noite.

Como observa o urbanista e professor da USP Eraldo Couto, “tecnologia de controle do trânsito não substitui planejamento urbano nem políticas de mobilidade que considerem a vida social dos bairros periféricos”.

Multas, contratos e interesses

O contrato de R$ 47,9 milhões, assinado sem alarde, reabre um debate sensível em Campo Grande: a vocação arrecadatória da fiscalização eletrônica. Embora a Agetran e a Prefeitura insistam na narrativa de “educação e conscientização”, o histórico recente aponta um cenário mais nebuloso.

Entre 2024 e 2025, o município aplicou milhares de multas sem respaldo contratual válido, o que gerou uma enxurrada de ações judiciais. A suspensão das 196 mil autuações escancarou a fragilidade institucional de um sistema dependente de consórcios e licitações frequentemente questionadas.

É preciso lembrar que o Brasil convive com um modelo de gestão pública marcado por terceirizações opacas e contratos milionários com empresas especializadas em fiscalização — modelo esse que se disseminou nos anos 2000 sob o argumento de “modernização” da máquina pública, mas que frequentemente opera à margem de um debate democrático sobre seus efeitos sociais.

Como alerta o cientista político Luiz Werneck Vianna, “o Estado brasileiro terceiriza responsabilidades sem controle social efetivo, e isso mina a confiança nas instituições”.

Educação no trânsito ou punição automatizada?

O discurso de que radares “educam” motoristas esbarra em evidências limitadas. Especialistas apontam que, embora os equipamentos reduzam a velocidade média em determinados pontos, seus efeitos são localizados e não substituem políticas públicas estruturais de segurança viária.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil continua entre os países com maior número de mortes no trânsito: foram 33 mil óbitos em 2023, número que se mantém estável há anos. Em Campo Grande, só em 2022, foram 138 mortes em acidentes de trânsito, segundo o DataSUS.

A insistência em soluções tecnológicas, sem políticas de educação efetiva ou requalificação urbana, revela um padrão recorrente de gestão pública: investir em dispositivos punitivos sem enfrentar as causas sociais da violência no trânsito.

Uma cidade vigiada, mas não cuidada

A expansão da fiscalização eletrônica em Campo Grande ocorre, portanto, em um contexto ambíguo: de um lado, há demanda legítima por mais segurança viária; de outro, cresce a vigilância sobre os cidadãos sem transparência suficiente sobre os critérios técnicos de instalação, os lucros das empresas envolvidas e os reais efeitos dessas políticas na redução de acidentes.

Sem um debate público robusto, o risco é transformar a cidade em um território de controle, onde o radar — símbolo de um Estado automatizado — substitui o diálogo, a educação e o cuidado com a vida urbana.

“A democracia começa na calçada”, escreveu Milton Santos, geógrafo brasileiro reconhecido internacionalmente. Resta saber se os novos radares vão proteger essa calçada ou apenas multar quem tropeçar nela.

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Comente sobre essa publicação...

Uma resposta para “Campo Grande reativa fiscalização eletrônica com novos radares em 212 pontos”

  1. Paulo Brasil disse:

    ESSA PREFEITA SÓ PENSA EM ARRANCAR O NOSSO CORAÇÃO PELO BOLSO. RADAR É SÓ PRA ARRECADAR, PQ PRA DIMINUAR VELOCIDADE OS BURACOS DÃO CONTA
    FORAAAAAAA!!!!

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