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Brasil

PF deflagra operação contra Vorcaro, familiares e sócios do Master

Preso pela PF deu milhões à campanha de Bolsonaro e Tarcísio

Publicado em 14/01/2026 10:08 - Semana On

Divulgação Reprodução

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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) uma nova etapa das investigações sobre as fraudes atribuídas ao Banco Master, com o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão e a execução de medidas judiciais que resultaram no sequestro e bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens e valores. A ofensiva integra a segunda fase da operação Compliance Zero e tem como eixo central a desarticulação de uma estrutura financeira acusada de ocultar patrimônio, lavar dinheiro e sustentar artificialmente a saúde do banco.

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Entre os principais alvos está o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, além de seu pai, Henrique Vorcaro, investigado por indícios de transferência de bens a familiares com o objetivo de dissimular ativos da instituição. Outros nomes do mercado financeiro também foram atingidos, embora não tenham sido oficialmente divulgados pela PF.

Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que ainda não teve acesso aos autos e reiterou que o banqueiro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”.

As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e estão sendo cumpridas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Segundo a PF, foram apreendidos dinheiro em espécie, veículos de luxo, relógios e uma arma de fogo. “As medidas visam interromper a atuação da organização criminosa, assegurar a recuperação de ativos e dar continuidade às investigações”, informou a corporação.

A operação também alcançou ambientes institucionais sensíveis. Estados que aplicaram recursos de fundos de servidores em carteiras vinculadas ao Banco Master — como Rio de Janeiro e Bahia — tiveram operações inspecionadas. Em Minas Gerais, agentes cumpriram mandado na Clínica Mais Médicos S.A., apontada como empresa usada como “laranja” para inflar artificialmente o patrimônio do banco e mascarar sua real situação financeira.

Outro foco relevante da investigação recai sobre o empresário João Carlos Mansur, ex-controlador da gestora Reag, e sobre o empresário Nelson Tanure. Mansur já havia sido alvo da operação Quasar, que apura esquemas de lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial ligados a fraudes no setor de combustíveis, com possível conexão com o PCC. Parte dos fundos investigados naquele caso reaparece agora no inquérito do Banco Master.

Nas últimas semanas, o Banco Central encaminhou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal um relatório detalhado sobre o uso de fundos no âmbito das operações do Master. Mansur se desfez de sua participação na Reag após ser alvo tanto da operação Quasar quanto da Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo.

A nova fase da Compliance Zero também incluiu a prisão temporária do empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, detido ao tentar embarcar em um jatinho com destino a Dubai. Zettel, apontado como parceiro de negócios e possível testa de ferro do banqueiro, foi preso por algumas horas e pode ser solto nos próximos dias.

Conhecido no meio empresarial por participação em marcas de consumo e no meio religioso por sua atuação como pastor, Zettel ganhou projeção política ao se tornar o maior doador individual da campanha de Jair Bolsonaro à reeleição, em 2022, com R$ 3 milhões, além de ter repassado outros R$ 2 milhões à campanha vitoriosa de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo. Não há, até o momento, indícios de contrapartidas diretas por parte dos políticos, mas o volume das doações levanta questionamentos diante do contexto das investigações.

A atual ofensiva resgata ainda os desdobramentos da primeira fase da operação, que levou Daniel Vorcaro e a cúpula do Banco Master à prisão em 18 de novembro do ano passado. O banqueiro foi detido no Aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar para Dubai e alegou que a viagem tinha como objetivo formalizar a venda do banco a investidores estrangeiros. Ele permaneceu preso por 11 dias, até ser solto por decisão da desembargadora Solange Salgado, do TRF-1, que impôs medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, entrega de passaporte e restrição de contatos.

Além da esfera criminal, o caso expõe uma rede de pressões políticas e decisões institucionais controversas. Parlamentares e governantes são citados nos bastidores das investigações por atuação contrária à instalação de uma CPMI para apurar o caso e por iniciativas que poderiam beneficiar diretamente o Banco Master, como a tentativa de ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito e o uso de recursos públicos para sustentar operações da instituição.

Governos estaduais também aparecem no radar dos investigadores por investimentos bilionários realizados quando já havia sinais evidentes de fragilidade do banco, incluindo aplicações de fundos previdenciários de servidores.

Nos bastidores de Brasília e do mercado financeiro, investigadores avaliam que uma eventual delação de Daniel Vorcaro teria potencial de provocar impactos amplos, ao revelar pressões sobre órgãos reguladores, articulações políticas e a circulação de dinheiro público em operações de alto risco. É justamente essa possibilidade que, segundo fontes da investigação, explica a resistência de diferentes atores em permitir que o caso avance sem interferências.

A Polícia Federal afirma que seguirá com as apurações “até o completo esclarecimento dos fatos”, num inquérito que já ultrapassou os limites de um escândalo bancário e passou a iluminar as relações entre finanças privadas, poder político e o uso de recursos públicos no país.

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