Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Brasil

Trump cria subterfúgio para retomar tarifas sobre 60 países: entre eles o Brasil

Washington avalia cadeias produtivas globais após bloqueio judicial de política tarifária

Publicado em 13/03/2026 12:12 - Semana On

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O governo dos Estados Unidos abriu uma ampla investigação comercial envolvendo 59 países e a União Europeia para apurar suspeitas de uso de trabalho forçado em cadeias produtivas que abastecem o mercado americano. Entre os países citados está o Brasil. A iniciativa foi anunciada na quinta-feira (12) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAMFACEBOOK E WHATSAPP

O processo busca verificar se produtos exportados para os EUA são fabricados com mão de obra obtida de forma coercitiva — prática considerada ilegal pelas normas comerciais americanas. Caso sejam identificadas irregularidades, Washington poderá impor restrições comerciais, incluindo a aplicação de novas tarifas de importação.

A investigação surge como uma alternativa política após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter bloqueado, em 20 de fevereiro, parte da política tarifária defendida pelo presidente Donald Trump. A nova frente de apuração amplia o foco da disputa comercial ao examinar práticas trabalhistas nas cadeias globais de produção.

A lista de economias investigadas é extensa e inclui aliados estratégicos de Washington, como Israel, Arábia Saudita, Argentina e países da União Europeia, além de potências comerciais como China, Japão e Canadá. Também aparecem na relação nações da Ásia, do Oriente Médio, da África e da América Latina.

Segundo o governo americano, o objetivo é assegurar que bens importados pelos Estados Unidos não estejam associados a práticas laborais abusivas e que empresas que cumprem normas internacionais não enfrentem concorrência considerada desleal. O procedimento prevê consultas diplomáticas com os governos envolvidos e análise de relatórios internacionais sobre condições de trabalho.

No caso brasileiro, o USTR ainda não detalhou quais setores ou produtos estão sob análise.

Brasil volta ao radar comercial de Washington

Esta é a segunda vez que o Brasil entra na mira de investigações comerciais durante o governo Trump. A apuração atual poderá resultar em novas sobretaxas contra produtos brasileiros, sobretudo se forem confirmadas suspeitas de que exportações nacionais se beneficiariam de custos artificialmente reduzidos por meio do uso de trabalho forçado — argumento contestado por entidades do setor produtivo no país.

Ao todo, cerca de 60 economias passaram a ser investigadas. Entre elas estão China, Argentina, países europeus, além de parceiros comerciais relevantes dos EUA na América do Norte e na Ásia.

Em abril de 2025, Washington já havia aberto outro processo contra o Brasil questionando práticas comerciais consideradas desleais. Embora parte das tarifas impostas na época tenha sido retirada em setembro, aproximadamente 22% do comércio bilateral entre os dois países ainda permanece sujeito a sobretaxas.

A nova investigação pretende avaliar “se os atos, políticas e práticas dessas economias relacionados à falha em impor e aplicar efetivamente a proibição da importação de bens produzidos com trabalho forçado são irrazoáveis ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos”, segundo documento do USTR.

Agricultura no centro da disputa

Historicamente, setores do governo americano alegam que produtores agrícolas dos EUA enfrentam competição desleal de exportadores brasileiros. Um dos argumentos recorrentes é que o custo competitivo do agronegócio nacional estaria ligado a práticas trabalhistas irregulares — acusação rejeitada por representantes brasileiros.

Nos bastidores diplomáticos, cresce a preocupação de que eventuais fragilidades na fiscalização trabalhista sejam utilizadas por Washington como justificativa para novas barreiras comerciais.

Dados do Ministério do Trabalho indicam que mais de 2 mil trabalhadores foram resgatados em 2024 de condições análogas à escravidão no Brasil. Entre 2003 e 2022, cerca de 80% dos casos ocorreram no setor agrícola. Nos últimos anos, denúncias envolvendo cadeias produtivas da carne também geraram repercussão internacional.

Ainda assim, integrantes do governo brasileiro avaliam que a iniciativa americana pode representar uma tentativa de instrumentalizar o tema como ferramenta de pressão comercial.

Argumento oficial de Washington

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a investigação busca proteger trabalhadores e empresas americanas da concorrência baseada em práticas consideradas abusivas.

“Apesar do consenso internacional contra o trabalho forçado, os governos não conseguiram impor e aplicar efetivamente medidas que proíbam a entrada em seus mercados de bens produzidos nessas condições”, declarou.

Segundo ele, produtores estrangeiros poderiam obter “vantagens artificiais de custo” ao recorrer a esse tipo de exploração laboral.

A abertura do processo foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite ao governo americano investigar e responder a práticas comerciais estrangeiras consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.

Próximos passos

O USTR informou que já solicitou consultas formais com os governos das economias investigadas. O órgão prevê concluir a análise até meados do ano.

Audiências públicas sobre o tema estão marcadas para 28 de abril de 2026. Empresas, organizações e governos interessados poderão apresentar comentários escritos e solicitar participação nas sessões até 15 de abril.

Dependendo dos resultados, o processo poderá abrir caminho para novas medidas comerciais — ampliando um cenário de tensões que já marca as relações econômicas entre Washington e diversos parceiros globais, incluindo o Brasil.

DE CABO A RABO


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *