Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Brasil

Tarifaço está valendo: 10 mil empresas brasileiras serão afetadas

Governo Lula tentará conter o prejuízo e manter o diálogo com Trump

Publicado em 06/08/2025 10:21 - Semana On

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Com o início nesta quarta-feira (6) da implementação da alíquota de até 50% sobre exportações brasileiras aos Estados Unidos, setores estratégicos da economia brasileira se mobilizam para buscar socorro do governo Lula contra o tarifaço de Donald Trump para preservar negócios e empresas.

Embora o decreto inclua cerca de 700 exceções que beneficiam áreas como o agronegócio, energia e aeronáutica, diversos segmentos produtivos permanecem sob forte pressão e projetam prejuízos significativos. Mais de 3.800 produtos terão a sobretaxa.

De acordo com o vice-presidente Geraldo Alckmin, à frente das negociações, aproximadamente 35,9% das exportações brasileiras para os EUA serão afetadas. A Amcham Brasil (maior câmara americana de comércio fora dos EUA) estima que cerca de 10 mil empresas exportadoras e 3,2 milhões de empregos estejam em risco direto.

Entre os setores mais afetados pelo tarifaço, estão:

Carnes: Estimativa de perda de US$ 1 bilhão em exportações de carne bovina, segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

Café: Representa 34% do mercado nos EUA. Analistas acreditam ser possível redirecionar parte da produção.

Frutas: Produtos como manga, uva e açaí respondem por 90% das exportações àquele mercado e sofrem “graves impactos”, segundo a Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados).

Máquinas e Equipamentos: Exportações de US$ 3,6 bilhões em 2024. Setor representa até 10% das vendas ao mercado norte-americano, diz a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

Móveis: A sobretaxa inviabiliza a competitividade. A Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) prevê a perda de até 9 mil empregos.

Têxteis: Apenas cordéis de sisal ficaram isentos. A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) projeta impactos severos na cadeia produtiva.

Calçados: Risco de “danos irreversíveis” nas exportações e milhares de empregos comprometidos, segundo a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados).

Pescados: A Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados) alerta para efeitos “imediatos e profundos”, ameaçando 35 indústrias e 20 mil trabalhadores.

Ferro e Aço: Setor sofre com excesso de capacidade global e tarifas agravam cenário delicado, segundo o Instituto Aço Brasil.

Plásticos e derivados: A Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) afirma que a tarifa de 50% torna inviável a exportação aos EUA.

Químicos: A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) fala em cadeias produtivas comprometidas e impacto em investimentos no Brasil e EUA.

Tabaco: O mercado norte-americano é o terceiro maior destino do produto. Setor aposta em realocação de mercado.

Pneus: Com 3,2 milhões de unidades exportadas em 2024, setor teme paralisações em fábricas focadas no mercado norte-americano.

Veja o que pedem as empresas contra o tarifaço

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) apresentou uma lista de sugestões emergenciais ao governo federal, incluindo:

– Linha emergencial de crédito via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), com juros entre 1% e 4% ao ano.

– Ampliação do prazo para liquidação de contratos de câmbio (ACC/ACE).

– Prorrogação de financiamentos do comércio exterior (PROEX, BNDES-Exim).

– Aplicação de medidas antidumping.

– Adiamento de tributos federais por 120 dias, com parcelamento posterior.

– Reembolso imediato de créditos tributários (PIS/Cofins, IPI).
Ampliação do Reintegra para 3%.

– Retomada do Programa Seguro-Emprego (PSE).

Setores com pleitos específicos

Abicalçados: Linhas de crédito em dólar, liberação de ICMS acumulado e retomada do BEm (Benefício Emergencial de Preservação do Emprego).

Abipesca: Crédito emergencial de R$ 900 milhões com 6 meses de carência.

Abit: Devolução de créditos de ICMS, postergação de impostos e retomada do Reintegra.

Abiquim: Programa Reintegra elevado a 7%, extensão a todas as empresas, linhas de financiamento e ação antidumping.

De modo geral, vários setores, incluindo frutas, carnes, café, tabaco, aço, pneus, etc., defendem diálogo direto com o governo dos EUA para tentar inclusão na lista de exceções ou encontrar uma solução negociada.

Medidas em estudo pelo governo

O governo federal está finalizando um plano de proteção a empregos e setores exportadores, a ser anunciado nos próximos dias. A proposta está sendo construída pelos ministérios da Fazenda e da Indústria e Comércio, com o aval do presidente Lula.

Entre as possíveis medidas, estão:

– Linhas de crédito direcionadas às empresas afetadas.

– Um novo programa de proteção ao emprego, semelhante ao que vigorou na pandemia.

– Apoio financeiro dentro do arcabouço fiscal, sem romper com as metas de responsabilidade fiscal.

“Estamos calibrando os números e as medidas junto aos sindicatos e à Casa Civil”, disse o ministro Fernando Haddad. “Queremos operar dentro do marco fiscal, sem nenhum tipo de alteração”, completou.

Negociações

Após a confirmação da imposição das tarifas na semana passada, a Secretaria de Tesouro dos Estados Unidos entrou em contato com o Ministério da Fazenda para iniciar as negociações, ao mesmo tempo que Trump anunciou estar disposto a conversar, pessoalmente, com o presidente Lula. Obntem, porém, Lula afirmou que iria ligar para Trump não para tratar do tarifaço, mas para convidá-lo a ir à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas 30 (COP30) que será realizada em Belém, em novembro.

“Não vou ligar para o Trump para comercializar, porque ele não quer falar. Mas pode ficar certa, Marina (Silva, ministra do Meio Ambiente), que vou ligar para convidá-lo para vir pra COP, porque quero saber o que ele pensa da questão climática, vou ligar para ele, para Xi Jinping (presidente da China), para o Narendra Modi (primeiro-ministro da Índia)”, afirmou o brasileiro.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que as terras raras e minerais críticos podem ser objeto de negociação entre Brasil e Estados Unidos. Esses minérios são essenciais para a indústria de tecnologia, e é um dos principais motivos de disputa entre Pequim e Washington.

“Temos minerais críticos e terras raras. Os Estados Unidos não são ricos nesses minerais. Podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes”, disse Haddad em entrevista a uma rede de televisão.

Ainda segundo o ministro da Fazenda, o setor cafeeiro acredita que pode ser beneficiado por um acordo com os EUA para excluir o produto da lista de mercadorias tarifadas. No mesmo dia que Trump assinou o tarifaço, a China habilitou 183 empresas brasileiras para exportar café para o país asiático.

Nesta quarta-feira, o governo da China, maior parceiro comercial do Brasil, expressou apoio ao país em resistir ao “comportamento de bullying” da Casa Branca. Em uma ligação do ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, com o assessor especial da Presidência Celso Amorim, ele afirmou que Pequim apoia Brasília na sua oposição a interferências externas “desarrazoadas” nos assuntos internos brasileiros, sem mencionar Washington expressamente.

O Brasil considera recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC) e argumentar que o tarifaço de Trump representa “sério risco à arquitetura internacional de comércio”, além de descumprir obrigações dos EUA com os acordos da entidade e carecer de fundamento técnico. No entanto, a OMC está no momento paralisada pelos EUA, que não indicou árbitros e não vem participando da organização.

AQUI NÃO!


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *