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Brasil

Novo Plano Nacional de Educação projeta investimento de 10% do PIB

Brasil atinge meta com 66% das crianças alfabetizadas em idade certa

Publicado em 21/04/2026 12:32 - Semana On

Divulgação Agência Brasil

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O novo Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 14, estabelece uma ampliação progressiva dos investimentos públicos no setor, com a meta de atingir 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em até dez anos. No curto prazo, o texto prevê elevar esse percentual para 7,5% em sete anos, consolidando uma das principais diretrizes da política educacional para a próxima década.

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Mais do que uma previsão orçamentária, o plano estrutura um conjunto abrangente de políticas: são 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias que buscam reorganizar o sistema educacional brasileiro com foco em aprendizagem, inclusão e equidade. Durante a cerimônia de sanção, Lula classificou o documento como uma “obra-prima” e destacou a necessidade de participação ativa da sociedade na cobrança por resultados e no acompanhamento das metas.

Na mesma linha, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o novo PNE representa um avanço ao incorporar metas específicas voltadas à qualidade do ensino e à diversidade. Entre os eixos contemplados estão a educação inclusiva, indígena, quilombola, do campo e a difusão da Língua Brasileira de Sinais, indicando uma tentativa de responder a demandas históricas por maior equidade no acesso e na permanência escolar.

O plano abrange toda a trajetória educacional, da educação infantil à pós-graduação, e define prioridades que vão desde a alfabetização até a infraestrutura escolar. Entre os objetivos centrais está garantir que ao menos 80% das crianças estejam alfabetizadas ao final do segundo ano do ensino fundamental em até cinco anos. Em um horizonte mais amplo, a proposta é universalizar a alfabetização na idade adequada ao longo de uma década.

Outras metas reforçam a ambição do documento: alcançar, até 2036, 65% das escolas e metade dos estudantes em regime de tempo integral; matricular 60% das crianças de até três anos na educação infantil; assegurar que todos os estudantes estejam alfabetizados; garantir condições mínimas de funcionamento e salubridade nas escolas públicas nos primeiros três anos de vigência; e expandir a educação profissional e tecnológica para atingir pelo menos metade dos alunos do ensino médio.

Segundo o governo federal, o projeto que originou o plano foi elaborado pelo Ministério da Educação com a intenção de superar o caráter meramente formal de documentos anteriores. As metas dialogam com políticas já em andamento, como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), e incorporam contribuições debatidas nacionalmente, especialmente na Conferência Nacional de Educação (Conae), realizada em janeiro de 2024.

A recepção entre especialistas e entidades do setor educacional tem sido majoritariamente positiva, embora acompanhada de cautela. Para Felipe Proto, da Fundação Lemann, o novo PNE reafirma a educação como prioridade nacional e sinaliza uma ambição renovada para o futuro do país. Ele ressalta, no entanto, que o impacto real dependerá da capacidade de implementação: transformar metas em aprendizagem concreta e reduzir desigualdades exige coordenação efetiva entre União, estados e municípios.

A ênfase na educação profissional também é apontada como um dos pilares estratégicos do plano. Diogo Jamra, do Itaú Educação e Trabalho, avalia que a meta de integrar metade dos estudantes do ensino médio a cursos técnicos é desafiadora, mas viável, desde que haja articulação federativa e políticas consistentes de expansão com qualidade. Ele destaca ainda a importância da formação continuada diante das transformações digitais e da crise ambiental, defendendo que a qualificação profissional não se encerra na conclusão de cursos formais.

Nesse contexto, o PNE prevê a criação de um Sistema Nacional de Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica, com definição de padrões de aprendizagem e acompanhamento de resultados. A medida busca evitar que a expansão da oferta ocorra sem critérios de qualidade — um problema recorrente em políticas públicas de larga escala.

Representantes do setor privado de educação também veem avanços no texto. Para Tiago Bossi, da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), o plano sinaliza modernização ao incorporar temas como educação digital e ampliação do ensino em tempo integral. Ainda assim, ele aponta lacunas, como a necessidade de aprofundar o debate sobre o uso de inteligência artificial e personalização do ensino — tópicos que, segundo ele, já fazem parte das demandas contemporâneas.

Apesar do consenso em torno da direção estratégica, há uma percepção comum entre analistas: o principal desafio não está na formulação das metas, mas na sua execução. Em um país marcado por desigualdades regionais e limitações de gestão, o êxito do novo Plano Nacional de Educação dependerá menos da ambição do texto e mais da capacidade de transformar diretrizes em políticas efetivas, contínuas e monitoradas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu investimentos em educação como forma de “salvar o país”. “Não tem exemplo no mundo de um país que se desenvolveu sem antes investir na educação. Para nós é uma questão de honra”, afirmou.

Brasil atinge meta com 66% das crianças alfabetizadas em idade certa

O Brasil superou a meta de crianças alfabetizadas na idade certa ao alcançar, em 2025, 66% dos estudantes aptos a ler e escrever ao final do segundo ano do ensino fundamental.

O percentual significa que duas a cada três crianças brasileiras que concluíram essa etapa de ensino no ano passado estavam alfabetizadas. A meta estipulada inicialmente pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada era de alcançar 64% em 2025.

“Nós resolvemos fazer esse pacto pela alfabetização na idade certa para chegarmos a 2030 com 80% das crianças alfabetizadas no segundo ano. Parecia uma meta impossível. Veja que, com apenas dois anos, nós chegamos a 66%”, afirmou o presidente.

Lula disse que espera que a quantidade de crianças alfabetizadas chegue a 70% no ano que vem.

“Isso é maravilhoso, porque é o mais importante legado que um país pode dar ao seu povo: a boa formação educacional. Não existe exemplo de nenhum país do mundo que tenha se desenvolvido e que o povo tenha alcançado um padrão de vida digno e respeitoso sem que antes se pudesse investir na educação”.

Lula e Camilo Santana anunciaram o resultado em solenidade de premiação da 2ª edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização (Selo Alfabetização). O reconhecimento foi entregue a 4.710 municípios e a 18 estados, contemplados nas categorias ouro, prata e bronze.

Foram condecorados 11 estados e 2.274 municípios no selo ouro, enquanto seis estados e 1.890 municípios ficaram no selo prata. O selo bronze foi para um estado e 546 municípios.

O selo busca reconhecer os esforços e as iniciativas de gestão das secretarias de educação dos estados, do Distrito Federal e dos municípios na formulação e implementação de políticas públicas.

Para especialistas, alfabetização na idade correta é marco para o país

O anúncio representa uma conquista importante, segundo avaliam especialistas de organizações não-governamentais (ONG) ligadas ao setor da educação. Para os estudiosos, o resultado também deve ser encarado como desafio.

Para o diretor de Políticas Públicas da ONG Todos Pela Educação, Gabriel Correa, o alcance e a superação da meta de alfabetização em 2025 são resultados importantes que precisam ser celebrados. Para ele, o resultado reflete uma trajetória consistente de avanço nos últimos três anos.

“Isso mostra que a priorização política da pauta e o fortalecimento da cooperação federativa, com União, estados e municípios atuando de forma coordenada, tem produzido efeitos concretos na aprendizagem das crianças.”

O vice-presidente de educação da Fundação Lemann, Felipe Proto, acredita que o resultado representa um marco para o país e se deve a um compromisso coletivo de cooperação entre União, estados e municípios.

Proto entende que o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada tem viabilizado resultados muito promissores para a educação brasileira.

“Iniciativas como o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização reforçam esse movimento ao reconhecer e incentivar redes que avançam com qualidade e equidade. Erradicar o analfabetismo no Brasil tem se tornado um sonho cada vez mais possível”, avalia.

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