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Brasil
Tomate e café lideram alta dos preços: governo busca alternativas para conter impacto no custo de vida
Publicado em 12/02/2025 10:00 - Semana On
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A menor oferta de produtos como tomate, cenoura e café foi o principal fator por trás da alta da inflação dos alimentos no início de 2025, de acordo com dados divulgados ontem (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em janeiro, o grupo alimentos e bebidas registrou avanço de 0,96%, contribuindo com 0,21 ponto percentual (p.p.) para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
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Apesar da elevação, o ritmo de alta desacelerou em relação a dezembro, quando os preços do setor haviam subido 1,18%. Ainda assim, os alimentos permaneceram entre os maiores responsáveis pela inflação do mês, ficando atrás apenas do setor de transportes, que avançou 1,3%.
O IPCA geral registrou aumento de 0,16% em janeiro, o menor para o mês desde a implementação do Plano Real, em 1994. No entanto, a alta dos alimentos preocupa o governo, especialmente pelo peso significativo desse grupo no custo de vida das famílias, que corresponde a 21,69% dos gastos mensais da população com renda de até 40 salários mínimos.
Alta dos preços: escassez de oferta e fatores climáticos
Segundo o IBGE, a inflação dos alimentos foi puxada, principalmente, por itens cuja oferta foi reduzida nos mercados. Os tubérculos, raízes e legumes tiveram aumento de 8,19%, com destaque para a cenoura (36,14%) e o tomate (20,27%), que registraram os maiores aumentos do mês.
O gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, explicou que a escalada dos preços está diretamente ligada à menor disponibilidade desses produtos no mercado.
“A cenoura tem uma concentração de produção em Minas Gerais, Bahia e Goiás, e esses estados enviaram menos produtos para o mercado, reduzindo a oferta”, afirmou.
No caso do tomate, além da oferta limitada, fatores climáticos também pesaram na produção. Chuvas intensas prejudicaram a colheita, afetando a qualidade dos frutos e reduzindo o volume disponível para venda.
“O tomate também teve problema de chuva muito intensa. Isso limitou um pouco a produção, alguns frutos ficaram manchados, e janeiro teve essa redução de oferta”, explicou Gonçalves.
O café moído, que apresentou alta de 8,56%, foi outro item que pressionou a inflação. O preço da commodity deve permanecer elevado, segundo especialistas, devido à demanda global aquecida e aos impactos climáticos sobre a produção nacional.
Medidas para conter a inflação: importação e safra recorde
Diante da escalada dos preços dos alimentos, o governo federal estuda medidas para aliviar o impacto no bolso dos brasileiros. Entre as alternativas, está a redução da tarifa de importação de alguns produtos básicos, para baratear a oferta e ajudar a conter a inflação.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também aposta na recuperação da produção nacional como um fator positivo para os preços ao longo do ano. De acordo com o IBGE, a safra agrícola de 2025 deve crescer 10,2%, após uma retração em 2024. Esse aumento da produção pode ajudar a estabilizar os preços dos alimentos nos próximos meses.
Carnes sobem menos e aliviam inflação
Se por um lado os vegetais e o café pressionaram a inflação, por outro, o preço das carnes registrou alta modesta de 0,36% em janeiro, um alívio em comparação com os meses anteriores. Em dezembro, o avanço havia sido de 5,26%, e em novembro, de 8,02%.
A redução da pressão inflacionária sobre as carnes está ligada à melhora das condições climáticas, que favoreceram os pastos e reduziram os custos de produção.
“Chuvas vieram, então começa a melhorar o pasto. Isso traz reduções no custo de produção, que podem influenciar no custo final da proteína”, explicou Gonçalves.
Com a safra agrícola projetada para crescer e o dólar em trajetória de queda, o governo aposta que o cenário inflacionário pode melhorar nos próximos meses. No entanto, especialistas alertam que fatores externos, como a demanda global por commodities e possíveis novos eventos climáticos adversos, ainda podem impactar os preços dos alimentos ao longo de 2025.
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